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Shearwater

Jet Plane and Oxbow

Há muito que Austin (Texas, EUA) é uma cidade “indie”. É lá que se realiza o SXSW, um dos festivais mais importantes do mundo, desde 1987 que é uma montra inspiradora de várias artes e o propulsor de inúmeras bandas e projetos musicais. E foi em Austin, no final dos anos 1990, que nasceram os Shearwater, banda liderado pelo vocalista e multi-instrumentista Jonathan Meiburg.

Este disco de nome estranho é provavelmente o melhor dos nove que já gravaram. Musicalmente é denso, feito de muitas camadas e hábil na dança dos elementos. Ritmicamente, é um desafio constante e a voz poderosa de Jonathan Meiburg é a cola que junta todas as peças de Jet Plane and Oxbow, um álbum muito bem produzido que exige atenção. As tais camadas escondem detalhes bons demais para se deixarem perder.

Tortoise

The Catastrophist

O anúncio foi feito em outubro passado: o quinteto de Chicago (EUA) lançou o sétimo álbum e provam que, com 25 anos de carreira, continuam na linha da frente da franja do rock a que se costuma chamar pós-rock – porque associa aos instrumentos tradicionais do rock algumas componentes experimentais, que passam pelo jazz e pela música eletrónica. É uma sopa que os Tortoise sempre souberam fazer, demonstrando uma vez mais que há catástrofes boas de se viver. Sete anos depois, os Tortoise estão de volta com mais um álbum instrumental rico e nem sempre é fácil. Melódico, jazzy e eletro, não é linear, tem muitas arestas e também por isso, é uma confusão que merece o investimento.

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Aidan Knight

Each Other

Desde o álbum de estreia Versicolour (2010) que o canadiano Aidan Knight marcou terreno no panorama da música folk. O músico, compositor e cantor regressa agora com o terceiro disco, um coleção de canções bonitas, elaboradas com pormenor. Por rigor ou num exercício de marketing, lê-se a seguinte recomendação nas notas que acompanham o álbum: “Para alcançar a máxima qualidade de escuta, utilize a aparelhagem sonora de casa ou um bom par de auscultadores” (tradução livre). Que o mesmo é dizer, oiça com atenção. Mesmo.

Savages

Adore Life

As Savages são uma banda inglesa de punk rock e uma presença já habitual nos palcos portugueses. Em 2015 estiveram cá duas vezes, a última das quais num concerto “surpresa” no Lux, em outubro, um evento que serviu para convidar os fãs para participar na gravação de um novo videoclip. A casa estava cheia e alguns dos temas que lá se ouviram estão neste segundo álbum, um disco de canções de amor escritas e interpretadas com as ganas do rock raivoso. As quatro Savages têm na vocalista Jehnny Beth (e na baterista Fay Milton) a força motriz que faz delas “animais de palco”, são uma banda que rende mais ao vivo, têm ali a energia que não passa em disco. Por isso este segundo LP tem o gosto de um aperitivo (essencial) para as atuações ao vivo, onde vão merecer mais aplausos.

Suede

Night Thoughts

A banda britânica formou-se no final da década de 1980 e com ela cresceu (formou-se) uma geração que, ainda hoje, os têm como referência. Isso é demonstrado pela forma como continuam a ser recebidos nos espetáculos ao vivo, mesmo depois de uma paragem de 11 anos, entre 2002 e 2013, ano que ficou marcado pelo disco Bloodsports — uma espécie de segunda vida de uma banda que não perdeu a energia, ainda que alimentada pelo saudosismo dos primeiros sucessos dos anos 1990. Nigh Thoughts, o sétimo álbum de estúdio, mantém os Suede nos píncaros do indie rock.

Chairlift

Moth

Bastam dois para fazer a festa. Moth é o terceiro álbum dos nova-iorquinos Caroline Polachek e Patrick Wimberly, talvez o mais inspirado e interessante, não pelo todo mas por cada uma das partes — é algo incoerente, ou seja, é um álbum feito de canções que vivem bem sozinhas. Ainda assim, tem a virtude de mostrar o potencial criativo da dupla de multi-instrumentistas, estão mais maduros e sem medo de arriscar. Resultou num disco pop feito de boas canções mal alinhadas, mas isso não chega para lhe tirar a graça: basta que cada um pinte a traça da cor que quiser.