Este artigo foi originalmente publicado a 2 de março de 2016. O Observador republica-o a propósito da entrega do Prémio Nobel da Literatura a Bob Dylan. Pode ler a notícia aqui.

Durante várias décadas, rumores sobre a existência de um arquivo de Bob Dylan inquietaram os investigadores. Desse suposto conjunto de documentos, guardado pelo próprio músico, conhecia-se apenas um pequeno caderno onde Dylan escreveu as letras para o álbum Blood on Tracks, de 1975, e a que apenas alguns conseguiram deitar as mãos. Porém, de acordo com o New York Times, esse caderno é apenas uma ínfima parte de um extenso espólio de mais de seis mil peças, composto por letras, cartas, gravações, filmagens e fotografias. Algum do material remonta aos primeiros anos da carreira musical de Dylan.

O arquivo foi recentemente comprado pela George Kaiser Family Foundation e pela Universidade de Tulsa, no Oklahoma, o estado-natal de Woody Guthrie, um dos primeiros ídolos de Dylan. Depois de catalogado e organizado, um processo que deverá demorar dois anos, o espólio será guardado no interior da universidade, onde passará a fazer companhia aos documentos de Guthrie e a uma cópia rara da Declaração da Independência dos Estados Unidos da América.

O conjunto de documentos, adquirido por um valor que deverá rondar os 20 milhões de dólares (cerca de 18 milhões de euros), tornar-se-á numa fonte importante para o estudo académico de Bob Dylan. “Vai fundar uma nova forma de estudar Dylan”, garantiu Sean Wilentz, historiador e autor de Bob Dylan in American, ao New York Times.

Num comunicado, Bob Dylan disse estar contente pelo seu arquivo ter encontrado uma casa e ir ser guardado juntamente “com os trabalhos de Woody Guthrie e, principalmente, com artefactos valiosos das nações nativo-americanas”. “Para mim faz todo o sentido, é uma grande honra”, acrescentou o músico.