O falecimento de Nicolau Breyner, figura emblemática da cultura portuguesa, está a chocar o país. As reações são várias de quem recorda o ator, realizador e figura máxima da televisão em Portugal. São muitas as mensagens de pesar na morte do “amigo”, uma “pessoa generosa e calorosa” que irá fazer uma “muita falta à família, amigos e ao país”. Maria Rueff disse no Twitter que agora ficou “tudo sem graça”. Também Ruy de Carvalho, Diogo Infante, Ana Bola e muitos outros recordam o artista de muitos talentos.

Herman José: “Era o ator mais brilhante da geração dele”

“Era um grande ser humano. É uma grande tristeza porque, hoje em dia, 75 anos é uma idade muito parca com tanto para filmar, tanto para rir, tanto para ensinar”.”Tínhamos uma ligação muito intensa. Sempre que nos encontrávamos parecíamos dois antigos colegas de escola, começávamos logo a fazer disparates. Era o ator mais brilhante da geração dele. Começou com a comédia e passou para o cinema onde criou uma personagem e fez dele um ator interessantíssimo. Era muito respeitado e conhecido lá fora. Foi sempre somando experiências e melhorando de ano para ano.” Em declarações à RTP, Herman disse que “a melhor homenagem é falar dele, evocá-lo, e relembrá-lo durante muito tempo”.

Herman José partilhou uma imagem em que está com Nicolau Breyner no Facebook, com a legenda: “Perdi um irmão e um amigo. Não imagino vida mais útil e mais profícua. A minha gratidão será eterna.”

Herman e Nico

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Diogo Infante: “O Nico era daqueles seres que quando entrava numa sala a enchia, a iluminava”

“Estou nos Estúdios da Plural, a notícia caiu aqui há cerca de uma hora, hora e meia que nem uma bomba. Há um sentimento de consternação geral e de incredibilidade. As gravações foram suspensas e temos estado aqui a falar das circunstâncias, não tanto da sua morte, mas da sua vida. E já rimos, já choramos e sobretudo estamos a tentar mantermo-nos positivos porque achamos que era isso que o Nico quereria, que pudéssemos sorrir perante a adversidade. A sua boa disposição, a forma como ele encarava e amava a vida é uma lição a preservar porque, de facto, isto é efémero. Estamos a tentar encarar isto de uma forma tão positiva quanto possível, guardando a memória de um homem extraordinário, de alguém que foi um artista ímpar, um ator multifacetado e que deixou uma marca que a história irá registar como um dos grandes. Resta-nos esse consolo de que saberemos honrar a sua memória condignamente.

Um dos últimos episódios com o Nico, de que me lembro, aconteceu há sensivelmente duas semanas, num jantar de grupo. Como é natural, foi um jantar muito divertido. E ele a certa altura dizia-nos que tinha deixado uma babysitter com o cão, porque não suportava a ideia de o deixar sozinho. Este pequeno gesto, este pequeno cuidado revela bem a humanidade e o sentido de dedicação e amor que ele tinha por um animal. E eu acho que isso revela o homem. O que eu lhe posso dizer é que o Nico era daqueles seres que quando entrava numa sala a enchia, a iluminava. E portanto, neste momento estamos todos um bocadinho mais sombrios, mas vamos tentar que isso não dure muito porque ele não iria gostar.”

Ruy de Carvalho: “Estou completamente desamparado”

Também o ator Ruy de Carvalho falou à SIC Notícias e mostrou a sua tristeza. “Recordo um grande amigo, conheço-o desde os 18 anos. Tive uma grande amizade por ele. Estive com ele no dia da mulher. Estivemos a brincar os dois a propósito das mulheres. Faço minhas as palavras da Margarida Marinho: a generosidade, o companheirismo. Era um grande diretor, era um diretor extraordinário. Todos nós gostávamos de trabalhar com ele quando dirigia e de trabalhar com ele como ator também. Tenho uma saudade enorme do meu amigo. Estou completamente desamparado, estou um bocado tonto.”

Maria Rueff: “Era um enormíssimo artista”

“Perder o Nicolau nesta fase da vida em que sentia que ele ainda tinha tanto para dar e ensinar em variadíssimos tons. Era um extraordinário ator dramático, extraordinário ator de cinema, extraordinário comediante, devo dizer que me custa muito, porque na verdade somos um país muito pequenino e com muito poucos que levam isto muito a sério na forma de se empregar. Era um enormíssimo artista.”

A atriz reagiu na sua conta do Twitter:

Carlos Coelho Silva: “Era um ator como há poucos nesta geração, com capacidade de entrega e sofrimento”

“Não trabalhei tanto como ele como gostaria. O projeto que trabalhámos mais foi no Crime do Padre Amaro, onde teve um papel de destaque e mostrou muito entusiasmo pelo projeto. Ajudou-me a compor muitas personagens, sempre de acordo com a maneira de ver do Eça. Foi de uma entrega extraordinária, e isso tinha a ver com o facto de ser multifacetado. Não era apenas um ator, tinha também noções de produção e realização. Ele tentava acrescentar às cenas mais alguma coisa, nunca estava satisfeito com o texto. Era uma pessoa muito ativa e a intervenção dele ajudou a melhorar o filme. Ele tinha essa entrega para dar, havia essa parte criativa. Ele era um ator como há poucos nesta geração, como capacidade de entrega e sofrimento.”

António Pedro Vasconcelos: “Há pessoas que a gente não concebe mortas”

“Acho que ele era único, insubstituível. Dentro da sua idade, era um ator completo, porque ele era capaz de fazer papéis da maior comicidade aos papéis mais dramáticos. E era capaz de o fazer no mesmo filme e na mesma personagem, de passar de uma coisa à outra”, disse o realizador em declarações à RTP3. “Era um bon vivant, ele tinha um lado quase infantil. Era alguém sempre bem-disposto, sempre a contar histórias, sempre a contar anedotas, sempre divertido. Dai até este enorme choque que foi a morte dele. Há pessoas que a gente não concebe mortas, ele está entre nós”, acrescentou o realizador.

João Quadros: “Havia amizade e respeito pelo trabalho um o outro”

João Quadros serviu-se do Twitter para lembrar a sua relação com “Nico”

Glória de Matos: “Era um homem extraordinário, muito talentoso”

Glória de Matos, também à SIC Notícias, comentou:”É muito difícil, neste momento, isolar uma história ou um encontro, porque o Nicolau era amigo de todos nós, de todas as pessoas desta geração. Era um homem extraordinário, muito talentoso, tinha muitos talentos: cantava lindamente, dançava, representava, foi o grande impulsionador da telenovela em Portugal. Ajudou-nos a todos a entrar nessa coisa fantástica para nós que eram as telenovelas”.

“Ele não se permitia dizer não a ele próprio. Ela ia sempre com bom humor. É um homem que nos faz muita falta, o teatro está a empobrecer muito rapidamente. O Nicolau era um inconformado. Estava a fazer isto e a pensar logo noutra coisa e teve, graças a Deus, várias oportunidades de fazer as coisas de que gostava.”

São José Lapa: “É uma pena, é um homem relativamente novo”

A atriz São José Lapa também falou à SIC Notícias: “Eu não trabalhei muito com o Nicolau Breyner, pontualmente em novelas e com o Herman pontualmente, mas é uma pessoa muito delicada, de bom trato. É uma pena, é um homem relativamente novo. Já são muitos que vão. Isto tem sido uma razia no campo teatral. Eu acho que os legados são coisas que se deixam quando se transmite para o espetador que viu e que ficou com algo na memória e que mais tarde deseja preencher esse mesmo lugar. Lembro-me imenso daquela coisa maravilhosa que ele fez com o Herman ‘o senhor contente e o senhor feliz’, também no Teatro da Trindade, em teatro musical. E lembro-me dele porque fui colega dele no conservatório. Ele estava em teatro e eu em dança. Eu tinha 10 anos e ele 20 e, na altura, não havia distanciação nas aulas com os miúdos”.

João Soares: “Venho aqui curvar-me perante a memória de um homem bom com quem tive relações de amizade”

“É uma noticia muito triste que penso que deixará a generalidade dos portugueses que tinham profunda admiração por ele tristes era um homem ainda relativamente jovem. Tinha muito boas relações com ele e não tinha nenhuma indicação de que estava em risco de vida. De facto, foi uma surpresa muito triste. Eu estava a vir do outro ponto do país para Lisboa quando fui surpreendido pela vossa notícia e o vosso pedido para aqui estar. Venho aqui curvar-me perante a memória de um homem bom com quem tive relações de amizade. Era um homem de cultura, foi um homem de teatro, foi um homem de cinema, como ator e como realizador e sobretudo uma grande figura da nossa televisão (…) até na formação de atores. Era um cidadão comprometido com o futuro do seu país. Tive o privilégio de o ter como apoiante nas minhas candidaturas enquanto autarca e lembro-me bem que o desafiei para ocupar o teatro de São Luís quando o renovámos, quando o Mário Viegas estava na sala pequena e ele estava na sala grande com um grande sucesso. Ele formou muitos dos jovens atores e influenciou muitos dos jovens atores. Tenho encontrado muita gente que diz que descobriu a sua vocação graças ao apoio e ao incentivo do Nicolau Breyner. Um grande homem de cinema, um grande homem de teatro, um grande ator”, em declarações à SIC Notícias.

Francisco Pinto Balsemão: “Na quinta-feira passada agradeci publicamente por nos ter apoiado desde a primeiríssima hora”

“Estou em estado de choque. Estivemos juntos na passada quinta-feira numa conferência que houve em Cascais, no anfiteatro Maria Barroso sobre televisão e democracia. Achei-o um pouco triste, um pouco apático… Não estava naqueles dias de falar muito, mas nunca pensaria que hoje já não estaria entre nós. Era um grande homem, um grande criador, como ator de cinema, de teatro, de televisão (não vamos esquecer esse lado) era um produtor, um criativo em todas as áreas. Agora era um académico, tinha a sua própria academia onde formava jovens talentos. Nesse dia, na quinta-feira, prestei-lhe homenagem pública e agradeci-lhe o facto de ter estado entre os primeiríssimos a apoiar o projeto SIC, porque em 1986 apresentamos um primeiro requerimento solicitando um canal de televisão privado, que já se chamava SIC na altura, e o Nicolau, juntamente com outras celebridades da altura, foi um dos que nos apoiou” “Na quinta-feira passada agradeci publicamente por nos ter apoiado desde a primeiríssima hora. Foi muito inovador em quase tudo o que fez e foi também um homem que exerceu os seus direitos de cidadania, foi candidato a uma Câmara Municipal, onde não ganhou, mas teve a coragem de ser candidato. Era uma pessoa muito completa, além de ser um bom conversador, um bom companheiro, era uma pessoa que eu ouvia sempre com interesse, tinha sempre coisas diferentes para contar e ângulos de observação e abordagem dos assuntos originais. Uma pessoa normalmente com uma grande boa disposição, mesmo quando às vezes, aqueles que o conheciam melhor percebiam que estava preocupado. Gostava da vida”.

David Carreira: “Um exemplo a seguir para sempre”

O cantor David Carreira recorda, no Twitter, o ator com quem trabalhou:

Ana Bola: “Para mim o Nico era quase uma pessoa imortal”

“Estou em estado de choque como devem imaginar porque para mim o Nico era quase uma pessoa imortal. Ele era sempre o mais positivo de todos nós. A mim parece-me que acabou de morrer um artista consensual em Portugal” confessa a atriz à RTP3.

Ana Zanatti: “É um ator que o público se habituou a ver, nas suas múltiplas facetas e de quem se habituou a gostar”

“É uma pessoa que vai deixar saudades a muita gente, e não falo apenas entre os amigos e a família, mas também entre o público em geral.
É um ator que o público se habituou a ver ao longo de muitos anos, nas suas múltiplas facetas e de quem se habitou a gostar e com quem sentia familiaridade. É uma pessoa que vai deixar muitas saudades e que vai ser muito recordado, durante muito tempo.”

Salvador Martinha: “O impacto de uma pessoa tão grande como o Nico não tem escala em Richter”

Salvador Martinha usou o Twitter para exprimir o impacto da morte de “Nico”:

Pedro Lima: “O Nicolau é daqueles atores de quem nunca se ouviu dizer mal”

“O Nicolau é um daqueles atores de quem nunca se ouviu dizer mal. O Nicolau foi muito importante para a classe, para todas as artes performativas. Não só nos inspirou, como criou condições de trabalho. Toda a sua conduta, a forma como se relacionava com as pessoas. Era um grande cavalheiro. É uma delícia ficar a observar como ele recebia as pessoas. Para mim, particularmente foi muito importante porque foi da responsabilidade dele de integrar o elenco da “Grande Aposta”. Eu nunca tive a oportunidade de fazer cinema. Muitas vezes queixava-me que ninguém me oferecia essa oportunidade e o Nicolau convidou-me para a primeira longa-metragem”, disse o ator à RTP3.

Afonso Pimentel: “Para mim foi um símbolo, desde criança”

“Era um homem de uma incrível generosidade e honestidade. E para mim foi um símbolo, desde criança. Foi uma felicidade poder estar próximo de alguém que foi um extraordinário ator. Comigo foi sempre corretíssimo, muito carinhoso e de uma generosidade imensa. A nossa relação era muito mais de bastidores do que de trabalho, mas é uma relação da qual tenho recordações incríveis. E tenho pena que tenha ficado por aqui. É uma pessoa que me marcou e que não vou esquecer.”

Virgílio Castelo: “Era uma pessoa muito inclusiva”

“Era uma pessoa muito completa, não só como ator, que era muito eclético e muito variado, como nas amizades. Era uma pessoa muito inclusiva. Tinha uma grande disponibilidade para se interessar pelos vários tipos de sensibilidades e era sobretudo uma pessoa com um calor humano muito grande, que se percebia também na maneira dele de representar. A morte dele é uma comoção muito grande não só para quem o conhecia relativamente de perto, como para o público de um modo geral, que mesmo não conhecendo a pessoa, conhecia, através do seu trabalho de ator, a pessoa que estava por detrás daquele trabalho e era de facto uma pessoa com uma generosidade muito grande. Era um menino de 75 anos.”

Nilton: “Sabia bem à alma falar com o Nicolau”

O comediante reagiu à morte do ator na sua conta do Twitter:

Simone de Oliveira: “Foi o grande estoina, no bom sentido da palavra”

“Foi o grande estoina, no bom sentido da palavra.”