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Muito bom dia. Notícias às 19h, na Rádio Observador, com Carla Jorge Carvalho. E começamos com os protestos do movimento A Aampada. Foi mais uma noite calma, tanto em Lisboa como no Porto. A maior parte dos manifestantes decidiu não pernoitar no Rossio. No Porto, a chuva afastou a maioria dos jovens. Começamos em Lisboa. O movimento decidiu não montar tendas na Praça do Rossio, através de votação, mas 11 jovens contrariaram a decisão e dormiram na rua, não com tendas, mas em sacos de cama, cobertos com mantas. Beatriz Félix está em direto do Rossio. Beatriz, também estes jovens acabaram por abandonar o local há pouco.

Sim, Carla, desses cerca de 11 manifestantes, já só há aqui três. Um de um lado da estátua, outros dois do outro lado, já no lado contrário ao Teatro Nacional D. Maria II. Parecem estar a guardar, de certa forma, os cartazes, o material que ainda aqui está, mas mesmo assim não é nada expressivo, estão bastante calmos. Há apenas dois agentes aqui no local que estão a pé, não estão de carro. Essas rondas foram feitas durante a madrugada, mas por agora estão apenas ao redor da estátua. Vão andando, sem qualquer tipo de abordagem para com estes manifestantes que ontem, como disseste, decidiram ficar aqui, apesar da decisão da Assembleia Popular de não pernoitar, pelo menos com tendas. Entretanto, o que é esperado é que estes manifestantes abandonem também nas próximas horas ou talvez fiquem na mesma a guardar este material. Dizer ainda que há pouco era também alguma chuva que por aqui caía, o que pode ter feito com que alguns manifestantes tivessem ido embora mais cedo, mas a esta hora o único barulho que houve é mesmo das pessoas que começam o dia e também dos transportes que já estão a circular.

Como se consegue perceber, parece, de facto, um dia muito normal por esta altura no Rossio, mas Beatriz, para esta tarde já está marcada uma nova vigília, só que desta vez não será aí no Rossio, mas em Marvila.

Sim, ontem também na Assembleia Popular das 19h, os manifestantes aprovaram uma mudança de local deste protesto. Vão participar numa vigília solidária que vai acontecer no Bairro do Condado, em Chelas. Acaba também por ser uma resposta positiva ao apelo de André Galvão, a deputada substituta do Bloco de Esquerda, que sugeriu que estes manifestantes se deslocassem até ao Bairro do Condado para impedir o despejo de uma mulher viúva. Por isso, foi proposto que a acampada se mobilize com esta vigília, que está marcada para às 18h, e uma nova assembleia popular, já neste novo local, às 19h, como acontece diariamente. Por isso, hoje é em Chelas, amanhã a acampada volta ao Rossio, depois da manifestação que está marcada para às 15h, com o ponto de partida na Rotunda do Marquês Pombal e para depois descer a Avenida da Liberdade em protesto pela habitação.

Beatriz Félix está em direto do Rossio, em Lisboa, onde nesta altura apenas três manifestantes ainda estão no local. Passaram a noite, a maioria, por votação, decidiu fazer uma pausa nos protestos, mas como ouvimos, já com uma nova vigília marcada para esta tarde e mais uma assembleia popular. Como dissemos, a madrugada também foi calma no Porto. Antes das 22h, foi a chuva a afastar grande parte dos manifestantes que ainda estavam na Praça Dom João I. Foi, por isso, mais uma madrugada sem tendas e sem intervenção policial. O presidente do IHRU está a ser muito criticado da esquerda à direita, depois de sugerir que os jovens não têm o mesmo espírito de sacrifício das gerações anteriores. O ministro das Infraestruturas e da Habitação fala em declarações infelizes de Benjamim Pereira e já pediu esclarecimentos. O presidente do Instituto da Habitação e Reabilitação Urbana disse que tem dúvidas de que os jovens de hoje em dia têm o mesmo espírito de sacrifício de gerações anteriores para ter casa. Em declarações aos jornalistas, afirmou que os próprios avós e também o pai emigraram durante vários anos para terem dinheiro para conseguirem comprar uma habitação. Na reação, o ministro das Infraestruturas e Habitação, Miguel Pinto Luz, demarca-se das palavras de Benjamim Pereira.

Eu acho que as declarações são absolutamente infelizes. Estou a medir as palavras, absolutamente infelizes.

Não vai sofrer a consequência?

Por várias razões. A primeira razão que coloco é que eu sou de uma geração, somos de uma geração, talvez, que gosta pouco quando me vêm dizer: "No meu tempo é que era". E, portanto, à geração atual, estes jovens, muitos que se manifestam, outros que não se manifestam, que é uma minoria silenciosa, claro que se sacrificam, claro que têm um esforço enorme. Já pedi esclarecimentos e eu assumo publicamente, porque tenho essa tutela, assumo publicamente e politicamente, não me revejo e acho declarações infelizes.

Miguel Pinto Luz, ontem à noite, numa entrevista à TVI, a secretária de Estado das Infraestruturas e Habitação também já se afastou das palavras do presidente do IHRU. O líder da bancada parlamentar do PSD, Hugo Soares, aqui numa entrevista à SIC, diz que interpretou as palavras de Benjamim Pereira de outra forma.

Não vejo caso nas palavras do presidente do IHRU, porque eu entendia-as desta forma: os jovens não querem fazer nem devem fazer este sacrifício e por isso é que eu concluí agora, e por isso é que ele diz que eles não devem emigrar, aliás, ele diz exatamente isso, porque não há memória de um governo

Que tenha feito tanto para que os jovens possam adquirir uma casa em Portugal como este governo.

Hugo Soares, em entrevista à SIC ontem à noite. Estas declarações do presidente do IHRU estão a motivar várias reações políticas. O PS veio também já condenar as palavras de Benjamim Pereira. O deputado Luís Testa considera intolerável que um dirigente público fale em falta de espírito de sacrifício por parte dos jovens. O Bloco de Esquerda pediu uma audição urgente do presidente do IHRU no Parlamento. O deputado Fabian Figueiredo pede ainda a demissão de Benjamim Pereira. Mas há outras reações, como o presidente da Federação Académica de Lisboa, que fala em declarações profundamente infelizes do presidente do IHRU.

O nome do presidente do Instituto da Habitação e Reabilitação Urbana entrou para o centro da polémica e, Carla, importa por isso sabermos quem é Benjamim Pereira.

Sim, foi o homem escolhido por Luís Montenegro para assumir um dos dossiês mais sensíveis e prioritários do país. Está a liderar o IHRU, organismo público central na execução das políticas de habitação, mas o percurso público de Benjamim Pereira começa no poder local. Carlos Pedro.

Mais concretamente em Esposende, o conselho que liderou durante mais de uma década, nascido na freguesia de Fão, licenciou-se primeiro em Engenharia Civil e mais tarde em Arquitetura e Urbanismo. A entrada no poder local começa a desenhar-se em 2009, altura em que assume as funções de vice-presidente da Câmara Municipal no último mandato do social-democrata João Sepa. Esta é a transição natural para, em 2013, se tornar o candidato do PSD à autarquia. Consegue três mandatos sucessivos com maiorias absolutas folgadas e terá sido o reconhecimento dessa gestão que lhe abriu as portas para a nova missão. Em 2024, é convidado pelo primeiro-ministro a assumir o IHRU, o que o obriga a antecipar a saída da Câmara de Esposende. E a propósito desta nomeação, no parecer da CRESAP, a Comissão de Recrutamento e Seleção para a Administração Pública, pode ler-se que Benjamim Pereira afigura-se empático, assertivo, com visão estratégica, pensamento proativo e orientado para resultados.

Carlos, além das funções que exerce, ainda não há muito tempo, Benjamim Pereira saiu em defesa de Luís Montenegro e isto a propósito das críticas que Pedro Passos Coelho tem dirigido à pouca capacidade reformista do governo da AD.

Sim, foi em março deste ano, num texto nas redes sociais, Benjamim Pereira acusa o antigo primeiro-ministro de ser injusto, de alimentar divisões internas e de explorar as fragilidades do partido. Escreve mesmo que aquilo que Passos Coelho está a fazer é uma canalhice, um ato cobarde e vingativo para com Luís Montenegro. É também nas redes sociais que declara o apoio a António José Seguro na segunda volta das eleições presidenciais contra André Ventura, que descreve como o homem que incorpora muito mal o que se vai propagando pelo mundo num recrudescimento de extrema-direita. Benjamim Pereira posiciona-se também contra o genocídio na Palestina. Escreve que o mundo não pode ver em direto o que está a acontecer e nada fazer.

Carlos Pedro, com o perfil de Benjamim Pereira, o atual presidente do IHRU, agora no centro da polêmica por causa das declarações sobre os protestos dos jovens contra a crise na habitação.

Os médicos que recebem incentivos financeiros sobre o trabalho suplementar passam a ser obrigados a apoiar as urgências quando a procura aumenta. O despacho com a assinatura da ministra foi publicado ontem em Diário da República.

E é hoje citado pelo jornal Público. Em causa estão os médicos do SNS que beneficiam dos incentivos aprovados por atual governo para o trabalho suplementar, além dos limites legais. De acordo com as novas regras, passam a ter de completar as escalas das urgências externas quando houver uma maior pressão dos serviços. Com o inverno a chegar e com as habituais dificuldades no preenchimento das escalas, o despacho clarifica que, em situação de conflito na gestão dos recursos médicos, devem ser privilegiados os serviços de urgência.

E no desporto, o Benfica venceu o Omonia, no Chipre, por 4 x 1 pra Liga Europa e está em primeiro lugar na fase de liga da competição.

Três jogos, três vitórias na Liga Europa. O Benfica volta a vencer no jogo com várias mudanças no 11 inicial. O técnico encarnado, Marco Silva, destaca que, apesar da vitória, ainda há aspectos a melhorar na equipa.

Quem entra assim no jogo, depois não pode deixar o jogo andar assim, da forma como nós deixámos o jogo andar, independentemente de não termos situações de ataque e de grandes oportunidades, temos que ter um controle do jogo com bola e depois criar. Tentámos muito forçar, chegou a bola ao corredor esquerdo e não fomos muito objetivos. Mantivemos a posse, mas não fomos muito objetivos. Faltou-nos rodar rapidamente o centro do jogo de um lado e ao outro. E quando nós sabemos que, quando o fizéssemos, íamos criar. A segunda parte de entrada foi forte. Marcámos novamente cedo na segunda parte e depois controlámos o jogo. Estivemos bem.

As declarações de Marco Silva à Sport TV no final da partida frente ao Omonia, no Chipre. O Benfica chega assim ao primeiro lugar da fase de liga com nove pontos. Já o Torreense perdeu na Hungria por 4 x 1 frente ao Ferencváros. A equipa de Torres Vedras soma apenas três pontos nesta fase de liga da Liga Europa.

São agora 19h10, Carla. Que outras notícias estão em destaque nesta véspera de fim de semana?

O ministro das Finanças, Joaquim Miranda Sarmento, é hoje ouvido no Parlamento para dar início à apreciação, na generalidade, do Orçamento do Estado para 2027. A audição na Comissão de Orçamento, Finanças e Administração Pública está marcada para às 10h. O documento do governo prevê um crescimento econômico de 2,3% este ano e um excedente orçamental de 0,1 para o próximo. O processo de apreciação do Orçamento do Estado continua na próxima semana com a audição da ministra do Trabalho. Israel garante que não vai atacar o Irão antes das eleições marcadas para a próxima terça-feira. É uma garantia dada pelo chefe do Estado-Maior das Forças Armadas de Israel, citado pela imprensa israelita. Já Donald Trump admitiu, nas últimas horas, voltar a atacar o Irão. O presidente dos Estados Unidos diz que já atingiu grande parte do país e que pode continuar. No Brasil, a menos de três dias da segunda volta das eleições presidenciais, Lula da Silva e Flávio Bolsonaro surgem empatados nas sondagens. Um novo estudo do Datafolha mostra um empate técnico entre os dois candidatos, com cerca de 50% para cada um. A sondagem, que faz manchete esta manhã na Folha de São Paulo, revela ainda que 5% dos brasileiros vão votar em branco, enquanto 2% ainda estão indecisos. E hoje temos uma anteestreia. Já pode ouvir o primeiro episódio do novo podcast Plus do Observador. Chama-se As Sombras de Duarte Lima e revela Toda a história da investigação ao homicídio de Rosalina Ribeiro em 2009, no Brasil.

É a história de uma herdeira milionária, de um assassinato violento no Brasil e de um suspeito chamado Duarte Lima, um homem enigmático que nasceu pobre, tornou-se um político poderoso e construiu uma fortuna difícil de explicar.

Os guiões e as entrevistas, algumas delas testemunhas-chave do processo, que entretanto já morreram, são do jornalista Carlos Diogo Santos, que acompanhou o caso desde o início e é coautor de um livro sobre a investigação.

A filha de Rosemary Gomes já percorreu cerca de 150 metros de lama naquela manhã, quando vê ao longe aquilo que lhe parece ser um monte de roupa no chão. Choveu durante toda a noite. Só quando se aproxima é que percebe que, afinal, aquilo não são roupas. É uma mulher deitada de barriga pra baixo, com a cabeça numa poça de água. Tem os pés virados para a estrada e o tronco encostado a uns arbustos. Está imóvel.

Um excerto do primeiro episódio de "As Sombras de Duarte Lima", é o novo podcast Plus do Observador, uma série narrada pelo ator João Reis, que acabamos de ouvir, com música original de Filipe Raposo. A investigação e os guiões são do jornalista Carlos Diogo Santos.

Os três vão estar conosco hoje, depois das 9:00, no Explicador. O segundo episódio vai estar disponível já na próxima terça-feira, no site do Observador, nas plataformas de podcast e no YouTube. A partir desse dia, se for assinante standard ou premium do Observador, como sempre, vai ter acesso antecipado a todos os episódios no site ou na aplicação.