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Museu Nacional De Arte Antiga

Dance pelo Sequeira. “A Adoração dos Magos” já está no sítio certo

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O Museu Nacional de Arte Antiga já tem os 600 mil euros necessários para adquirir "A Adoração dos Magos", de Domingos Sequeira. Vai ser restaurado e regressa a 21 de maio, com uma festa no museu.

A pintura era, até agora, património dos descendentes do Duque de Palmela

O Museu Nacional de Arte Antiga (MNAA) já atingiu os 600 mil euros necessários para comprar A Adoração dos Magos, do pintor Domingos António Sequeira, anunciou o organismo em comunicado. Agora o Sequeira já pode ficar no lugar certo.

De acordo com o Público, a campanha “Vamos Pôr o Sequeira no Lugar Certo” atingiu o valor necessário três dias antes do previsto, graças à contribuição de 35 mil euros da Fundação da Casa de Bragança, uma das maiores até à data. Este contributo foi apenas ultrapassado pelo da Fundação Aga Khan, que doou 200 mil euros.

A Adoração dos Magos estará em exibição no MNAA até ao final do mês, altura em que será retirado para ser objeto de uma pequena intervenção de restauro. O quadro irá regressar ao museu no dia 21 de maio, a Noite Europeia dos Museus, para uma grande festa. Numa conferência de imprensa na tarde desta quarta-feira, António Filipe Pimentel, diretor da instituição, convidou todos os que contribuíram a tirar nesse dia uma “fotografia gigantesca” no jardim junto ao museu, que estará nas redes sociais à hora de jantar.

À noite, o Lux, que em fevereiro organizou um evento para a ajudar a pôr A Adoração dos Magos no lugar certo, irá fazer a festa dentro das paredes do MNAA. Porque se o Sequeira não vai ao Lux, o Lux vai ao Sequeira. Afinal, “o museu é de todos, para todos”, como salientou António Filipe Pimentel.

“Ganhámos hoje um Sequeira”

Admitindo que nunca pensou que seria possível chegar tão longe, o diretor do MNAA agradeceu a todas as entidades e particulares que, ao longo dos últimos meses, ajudaram a divulgar a campanha e a colocar o quadro de Domingos Sequeira no lugar certo. “Chegámos ao ponto que queríamos, e a nossa imaginação não ia tão longe”, disse António Filipe Pimental, admitindo, porém, que o objetivo sempre foi “chegarmos ao fim”.

Muitas vezes disseram-nos que não íamos conseguir porque os portugueses não têm cultura. O que os portugueses disseram [com isto] é que cresceram muito nos últimos anos”, referiu o diretor do museu. “A sociedade portuguesa tornou-se cidadã, adulta.”

Na conferência desta quarta-feira, esteve também presente o ministro da Cultura. Luís Filipe Castro Mendes, um dos primeiros a contribuir para a compra da Adoração dos Magos, fez questão de referir o quanto “estamos felizes com este movimento de cidadania”. “Foi exemplar, na medida em que se gerou um movimento de apropriação da cultura. A sociedade é muito mais capaz do que muitas vezes se pensa. Só é preciso dar-lhe os estímulos certos.”

Admitindo ter a certeza de que a campanha “Vamos Pôr o Sequeira no Lugar Certo” é um “exemplo” que “vai ser seguido” no futuro, o ministro salientou o facto de esta ser um “exemplo de como, através dos estímulos certos, se consegue mobilizar o grande público”.

Ganhámos hoje um Sequeira”, referiu o ministro da Cultura. “Pusemos o Sequeira no lugar certo. Estamos todos de parabéns.”

A campanha para comprar A Adoração dos Magos, uma iniciativa inédita em Portugal, foi lançada pelo MNAA em outubro do ano passado. O quadro de 1828, atualmente na posse dos descendentes do Duque de Palmela, faz parte da chamada série “Palmela”, um conjunto de quatro pinturas religiosas da autoria de Domingos Sequeira. O pintor português é considerado um dos mais importantes do século XIX.

O MNAA possui, na sua coleção, os desenhos preparatórios e finais das quatro telas, mas não as respetivas pinturas a óleo. Para além da Fundação Aga Khan, contribuíram para a compra do Sequeira outras 171 entidades e 15 mil particulares.

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D de desmazelo /premium

Maria João Avillez
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Se alguém procedesse à contabilidade dos estragos de dimensão nacional pelo “deixa andar–esqueci-me–tanto faz–logo se vê–espera-se um bocadinho–não há-de ser nada”, chegaria a resultados devastadores.

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