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Música

À escuta: três álbuns para ouvir esta semana

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É cada vez mais difícil saber de onde vem a música, tal como é estranho descolar certos instrumentos de um género. O desafio, esta semana: eletrónica sem fronteiras e uma linda guitarra portuguesa.

Recorte da capa de "The Triad" de Pantha Du Prince

Pantha Du Prince

The Triad

O produtor e DJ germânico Hendrik Weber já leva com 15 anos de carreira, tempo que bastou para fazer dele uma das referências mundiais da música eletrónica. The Triad é o quarto álbum em nome próprio, que nos aparece seis anos depois de Black Noise, disco que tirou as dúvidas a quem ainda não o tinha na lista dos nomes “fundamentais” do tecno minimal.

Agora, regressa com mais voz, incorporando uma presença humana (Scott Mou [Queens], Joachim) que dá à mistura outros contornos, mas que não lhe mancha a marca de água: música eletrónica “bonita” – o que não quer dizer “fácil”, pelo contrário, tem harmonias complicadas – feita de estrelinhas e gotas de água a cair, uma espécie de tortura que obriga o corpo a dançar ou a fugir. Um must.

Mira, un Lobo!

Heart Beats Slow

Numa linha mais “atmosférica”, foi publicado na passada sexta-feira um disco obrigatório (com as letras todas) para quem gosta de música eletrónica, neste caso, made in Portugal – detalhe que pouco importa a quem ouve, mas que tem merece da nossa parte todos os sublinhados, porque não fica nada atrás do melhor que se faz lá fora. Heart Beats Low é o primeiro álbum do projeto a solo de Luís Fonseca de Sousa, vocalista e compositor dos MAU. Escrito e gravado em casa, num processo solitário e introspetivo, vai ser distribuído internacionalmente pela alemã Tapete Records, um selo especializado em música eletrónica que pode bem ser a catapulta deste talento português. É caso para dizer, até que enfim.

Marta Pereira da Costa

Marta Pereira da Costa

O género é totalmente diferente, mas o talento também é português. Apresenta-se pela primeira vez em disco e com o nome que tem, como se o som não bastasse, como se tal fosse preciso para reforçar a raridade que é haver uma mulher a tocar guitarra portuguesa.

Marta Pereira da Costa esteve há poucos dias na redação do Observador e explicou-nos que esta é a conclusão de 15 anos de trabalho intenso no estudo do instrumento, que tem de belo a igual medida de difícil. Este disco de estreia, maioritariamente instrumental, leva o som da guitarra para lá da colagem inevitável ao fado, o que não é nada fácil, estamos pouco (nada) habituados. Ainda assim, presta-lhe homenagem, ao incluir Camané na lista de convidados – além de Pedro Jóia, Rui Veloso e Dulce Pontes, entre outros.

Se se nota que daquela guitarra vem o som de uma mulher? É difícil dizer, mas é muito importante que disso se fale, para que mais mulheres se juntem.

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