Flávio Bolsonaro, do Partido Liberal (PL), afirmou que o irmão Eduardo não será ministro das Relações Exteriores do Brasil e que “não está no radar” nomear o pai para cargos, caso vença as presidenciais de 25 de outubro.

A declaração ocorreu na noite de sexta-feira durante uma sessão de perguntas na TV Globo, ocasião em que voltou a afirmar que, caso seja eleito, apoiará uma mudança na Constituição brasileira para acabar com a reeleição e que não fará alterações para que familiares o sucedam no cargo.

O filho mais velho do ex-Presidente Jair Bolsonaro assumiu ainda que, caso a mudança pelo fim da reeleição não seja feita pelo Congresso brasileiro, ele não será candidato à reeleição nas eleições gerais de 2030. “Isso é para mostrar que eu não tenho desapego [sic] ao poder. Eu não tenho projeto de poder. Eu tenho 45 anos, eu sou advogado, eu sou empresário, eu tenho pós-graduação em políticas públicas e governo, eu tenho MBA em empreendedorismo e novos negócios. Eu estou mais que preparado para ser presidente da República e, para mim, é projeto de Deus”, notou.

Flávio Bolsonaro disse que não faltam nomes na direita para um “projeto de Nação e não projetos de poder” e, quando questionado, comprometeu-se a respeitar as decisões das urnas numa eventual derrota para Lula da Silva.

Sobre a polémica a envolver o financiamento do filme Dark Horse, uma autobiografia do ex-Presidente Jair Bolsonaro, protagonizada pelo ator Jim Caviezel, Flávio voltou a reafirmar não ver problemas em ter pedido dinheiro a Daniel Vorcaro, pivô do escândalo do Banco Master, preso por fraude financeira.

Flávio Bolsonaro voltou a dizer que o seu pai “foi preso por uma farsa” e que “há vários vícios no processo” que o condenou a mais de 27 anos de prisão por tentativa de golpe de Estado.

Um juiz do Supremo Tribunal Federal, Kassio Nunes Marques, nomeado ao cargo por Jair Bolsonaro, declarou, após o resultado da segunda volta, em que Flávio ficou à frente de Lula com 2,2 milhões de votos, que irá reavaliar o pedido de revisão da pena do ex-presidente.

Diante do risco de Jair Bolsonaro ser libertado numa eventual vitória, Flávio sinalizou, quando questionado na entrevista, que terá o pai como consultor. “Bolsonaro nunca tratou de cargo comigo. Nunca sugeriu que gostaria de trabalhar no Governo”, declarou. “Tenho o privilégio de, na hora que eu precisar consultar um ex-presidente da República, tenho dentro de casa um de confiança. Sou privilegiado. Nunca tratou de cargo comigo”, respondeu quando questionado sobre o tema.

A afirmação contraria uma declaração de maio do atual senador, que disse à época que se o pai quisesse “exercer algum cargo” no seu eventual Governo teria essa possibilidade. “É óbvio que ele vai exercer, sim”, defendeu.

Flávio disse ainda que o irmão Eduardo Bolsonaro, foragido da Justiça e atualmente a viver nos Estados Unidos, não será ministro das Relações Exteriores no seu eventual Governo, embora o irmão, em declarações recentes, tenha insinuado ser o próximo ministro das Relações Exteriores. “Não. Ele não vai ser meu chanceler. Eduardo é um perseguido político que está lá fora denunciando as arbitrariedades que existem aqui no Brasil. Algum dia, a história ainda vai reconhecê-lo como alguém que se sacrificou para defender a democracia no nosso país”, declarou.

Questionado sobre qual seria a participação das Forças Armadas no eventual Governo, uma vez que o pai escalou vários oficiais para ministérios e teve como aliados militares da mesma linha ideológica, Flávio disse que será diferente. O candidato do PL afirmou que num Governo seu as Forças Armadas serão responsáveis apenas por cuidar das fronteiras do Brasil, e irão combater as fações criminosas, após dizer que irá “declarar guerra” ao Primeiro Comando da Capital (PCC) e ao Comando Vermelho (CV).

Num alinhamento aos Estados Unidos, voltou a prometer que classificará o PCC e o CV como organizações narcoterroristas.

A entrevista de Flávio Bolsonaro gerou uma onda de protestos pelo país, após a esquerda convocar as pessoas a baterem panelas, chamado popularmente de “panelaço”, durante o programa na televisão. Na quinta-feira, a TV Globo entrevistou Lula da Silva durante 40 minutos, ocasião em que este defendeu a redução da idade de responsabilidade penal para crimes hediondos para 16 anos.

Já no próximo domingo, Lula e Flávio Bolsonaro ficarão frente a frente para um embate direto, pela primeira vez nestas eleições, quando ocorre um debate presidencial realizado pela TV Band.