Festas de Lisboa

Sardinhas e arraiais: chegaram as Festas de Lisboa

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Manjericos, concertos e uma noite dedicada à literatura europeia. As Festas de Lisboa não são só marchas -- há muito para fazer na capital até ao final do mês de junho. Veja aqui todos os arraiais.

As Festas de Lisboa arrancam já esta quarta-feira, dia 1 de junho

Milton Cappelletti

Junho é o mês do Santo António, dos manjericos e das marchas populares. É também o mês em que a festa enche as ruas de Lisboa, com arraiais, sardinhas e muita música. E este ano não será exceção.

Inspirada pelo 170º aniversário do nascimento de Rafael Bordalo Pinheiro (nascido a 21 de março de 1846, em Lisboa) criador da mítica figura do Zé povinho, a EGEAC, a empresa municipal encarregue da animação cultural de Lisboa, criou uma programação extensa e diversificada, que promete agitar o mês de junho dos alfacinhas. Para além dos típicos arraiais, haverá muitas atividades alternativas, umas mais típicas do que outras.

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Os arraiais são liiiinnndos!

O programa de festas arranca no dia 1 de junho com os arraiais. Porque as Festas de Lisboa não são Festas de Lisboa sem os típicos arraiais, que se realizam um pouco por toda a cidade. Para além dos bairros típicos, como Alfama, Madragoa ou Mouraria, com os anos, estes começaram a estender-se a outras zonas de Lisboa, como o Parque das Nações ou Alvalade.

E porque há cada vez mais espaço para arraias alternativos, a 24 de junho, no Príncipe Real, haverá um arraial diferente. Nesse dia, os sabores do mundo do Chef Kiko irão cruzar-se com a animação do famoso Sr. Oliveira para mais uma edição do Arraial do Kiko e do Oliveiral. No dia seguinte, haverá o Arraial Lisboa Pride, que já vai na 20ª edição. Organizado pela ILGA Portugal, o maior evento LGBTI em Portugal acontecerá, como de costume, na Praça do Comércio. Haverá DJs, concertos, dança, animação e muitas, muitas cores.

Onde quer que more, provavelmente há um arraial perto de si (e a pensar em si). Basta consultar o nosso mapa interativo para o descobrir. É só clicar nos balões vermelhos:

Mapa interativo: Milton Cappelletti

Mas como nem só de arraiais se fazem as Festas de Lisboa, a 4 de junho irá decorrer a Corrida de Santo António que, ao contrário dos anos anteriores, irá acontecer durante a noite (irá começar às 21h). A corrida de dez quilómetros terá a Praça D. Pedro IV (Rossio) como ponto de partida e de chegada. Como está integrada nas Festas de Lisboa, cada participante que conclua o percurso irá receber um manjerico com uma tradicional quadra popular.

De onde é que vêm os Tronos de Santo António?

Os primeiros Tronos de Santo António surgiram no século XVIII como forma de pedir esmolas para a reconstrução da Igreja de Santo António, parcialmente destruída durante o terramoto de 1755.

A sua construção tornou-se rapidamente popular, principalmente junto das crianças. Estas costumavam criar pequenos tronos, que colocavam à porta de casa. Durante o dia, costumavam andar pelas ruas a pedir “mil reisinhos” para o santo, um costume que acabaria por se tornar no “tostão ao Santo António”.

No mesmo dia, será inaugurada mais uma exposição coletiva de Tronos de Santo António, uma tradição muito antiga que a EGEAC decidiu recuperar com o lançamento de um passatempo no ano passado. A iniciativa correu tão bem que este ano repetiu-se. Os Tronos estarão expostos nas soleiras das portas (como manda a tradição) entre os dias 4 e 5 de junho. Mas, se os participantes o desejarem, podem deixar o Santo António à porta durante todo o período de festas.

Como não podia deixar de ser, 12 de junho será o dia dos Casamentos de Santo António, um dos eventos mais populares das Festas de Lisboa. Organizados pela Câmara Municipal de Lisboa, os casamentos atraem todos os anos centenas de pessoas, que saem à rua para ver passar os noivos. Como de costume, serão também transmitidos em direto na RTP.

À noitinha, será a vez das marchas populares saírem à rua. O desfile começará às 21h na Avenida da Liberdade e este terá como tema Rafael Bordalo Pinheiro, no ano que se assinalam os 170 anos do seu nascimento. Bordalo Pinheiro ficou conhecido conhecido pelas suas caricaturas e cartoons, que publicou nos jornais da época. Curiosamente, a icónica figura do Zé Povinho apareceu pela primeira vez numa véspera de Santo António, a 12 de junho de 1875, no jornal A Lanterna Mágica.

Este ano, as marchas populares contarão pela primeira vez com a participação da Marcha Popular do Bairro do Boavista. E porque nem só de marchas lisboetas se faz o desfile, o evento terá como convidados a Marcha Popular de Portimão e o grupo de Dança do Dragão da Lo Leong Sport General Association, de Macau. Ao todo, serão cerca de 1.920 participantes que irão desfilar pela Avenida da Liberdade.

A par do desfile, haverá ainda muita animação por Lisboa fora, não fosse a noite de 12 de junho uma das mais esperadas pelos lisboetas.

arraial Mundial renovar a mouraria

No dia 13 de junho, dia de Santo António e feriado municipal, haverá uma procissão em honra do santo. O cortejo remonta ao século XVI e era organizado pela Confraria dos Louceiros, que tinha como patrono Santo António. A procissão irá sair da Igreja de Santo António às 17h.

Música, música e música

Como os arraiais, a música também será para todos os gostos e feitios. No dia 3 de junho, a festa irá estender-se aos Armazéns do Chiado que irão receber os Deolinda. No dia 10, o espetáculo “Deixem o Pimba em Paz” vai passar pelo Terreiro do Paço. Com arranjos de Mário Laginha, Filipe Melo e Nuno Rafael e acompanhamento a cargo da Orquestra Metropolitana de Lisboa, Bruno Nogueira e Manuela Azevedo apresentar alguns dos temas mais icónicos do pimba português. A entrada é livre.

No dia 5 de junho, o Out Jazz vai chegar à Tapada das Necessidades. O evento que nasceu em 2006 para levar a música aos jardins de Lisboa, vai decorrer nos dias 5, 12, 19 e 26 de junho. No dia 16 de junho (e até 18 de junho), haverá Fado no Castelo de S. Jorge. Por lá passarão a fadista Carminho (16 de junho), o guitarrista José Manuel Neto acompanhado de Rão Kyao, Pedro Moutinho e Nathalie (17 de junho) e a fadista Ana Moura (18 de junho). A entrada também é livre, mediante o levantamento de um bilhete.

Para quem é mais pop, a Alameda da Universidade vai receber os Amor Electro, no dia 18 de junho, e David Carreira, no dia 19. A entrada é livre.

Lisboa, cidade literária

Em Lisboa, já está a decorrer mais uma edição da Feira do Livro, no Parque Eduardo VII. Mas o evento não será o único dedicado à literatura no mês de junho. Para dia 4 de junho já está marcada a Noite Europeia da Literatura, que irá decorrer em vários espaços emblemáticos na zona do Carmo e da Trindade. Durante o serão, irão ter lugar várias leituras de excertos de obras de dez escritores europeus por 14 atores portugueses. As sessões (de entrada livre) terão uma duração de entre dez e 15 minutos e irão repetir-se de meia em meia hora.

No dia 13 de junho, a Casa Fernando Pessoa, em Campo de Ourique, irá assinalar o 128º aniversário de Fernando Pessoa com um programa alargado: às 15h20, haverá um recital de Ana Sofia Paiva, Pessoa: uma sinfoniai, para toda a família e, às 16h30, uma oficina para os mais pequenos. O programa será encerrado às 19h cm um concerto de apresentação do projeto ECHOS, de Sofia Vitória, um trabalho que parte de textos em inglês de Pessoa. Além disso, ao longo do dia, as visitas guiadas à Casa Fernando Pessoa, situada na casa onde o poeta passou os últimos anos da sua vida, terão 50% de desconto.

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