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É um dos mais importantes festivais de artes performativas em Portugal e, este ano, cumpre a 14.ª edição. Arrancou no final de maio e esta é a sua última semana. Entre dança, teatro, performance, música e um workshop, o Observador tece-lhe um mapa para que não se perca nesta reta final e aproveite tudo até ao último palco. Sugerimos-lhe um espetáculo por dia até ao baile final:

Segunda-feira, 6

“We Need To Talk” é a instalação/performance de Roger Bernat que estás esta segunda-feira no Cinema São Jorge. Com sessões contínuas entre as 16h e as 24h (repete terça-feira, 7) não é pornografia mas mostra o que se passa entre dois amantes atrás de portas fechadas, um território a que normalmente temos acesso através do cinema, que nos vai mostrando as palavras trocadas nesse espaço seguro e exclusivo que se quer distante de olhares alheios. Neste “We Need to Talk”, o público é chamado a participar na dobragem de cenas de amor de filmes antigos e recentes, tornando-se parte integrante desses momentos vividos a dois na liberdade assegurada pela privacidade.

Terça-feira, 7

É um dos pontos altos do festival. “La Nuit des Taupes (Welcome do Caveland)”, do francês Philippe Quesne, passa pelo palco da Culturgest (repete quarta-feira, 8). Uma peça meio louca, que leva o espetador para um mundo subterrâneo – será um abrigo antiatómico? A caverna de Platão? Uma gruta pré-histórica? – habitado por toupeiras gigantes. O humano e o animal misturam-se, há escorregas, há baterias, há teremins e muita atualidade: as toupeiras veem-se forçadas a deixar a sua terra para reconstruir noutro lugar o seu mundo perdido. Os mitos filosóficos misturam-se com contos de ficção científica e utopias num espetáculo que promete não deixar ninguém indiferente.

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Quarta-feira

Este é um dia de dança. De Marrocos chegam dois solos ao São Luiz: “55” e “En Alerte”. Em “En Alerte”, Taoufiq Izeddiou usa a dança para evocar a espiritualidade e questionar-se sobre como esta tem efeitos tão diferentes nas pessoas: se a uns permite aceder a uma sabedoria ancestral a outros faz mergulhar numa violência cega. A lembrança, a voz e a religião são os três pontos a partir dos quais o coreógrafo marroquino vai trabalhar nesta sua recente criação, agora em estreia em Portugal. Em “55”, o primeiro trabalho de Radouan Mriziga, o coreógrafo nascido em Marraquexe usa o seu corpo para criar um padrão no chão, no qual se desenha a relação entre o corpo e o espaço, através de movimentos que expressam a linguagem do seu criador: uma mistura entre o estrutural e o sentimental, a sobriedade e a sensualidade.

Quinta-feira

Gonçalo Waddington vai para trás do palco e estreia no festival aquela que é a primeira peça de uma tetralogia na qual se propõe pensar a nossa evolução como espécie universal (repete sexta e sábado). “O Nosso Desporto Preferido – Presente”, protagonizado por Carla Maciel, Crista Alfaiate, Pedro Gil, Romeu Runa e Tonan Quito, leva ao palco um cientista misantropo que quer criar uma espécie humana dedicada ao hedonismo e à abstração, livre de necessidades como alimentação e reprodução. Para ver no Teatro Nacional D. Maria II (TNDMII).

Sexta-feira

“Aqui Há Regras!” é o quarto regresso do Collectif Jambe ao Alkantara, desta feita ao TNDMII. Depois do muito aplaudido Germinal em 2014, um espetáculo de teatro clássico, o coletivo criou para esta 14.ª edição do festival um workshop no qual pede aos participantes para trabalhar em conjunto com os artistas em vez de assistir ao que estes fizeram. A proposta é que juntos criem e aprendam várias regras de jogo. Depois é tempo de as quebrar, distorcer e criar uma coreografia a partir delas, reinventando-as.

Sábado

É o último dia do festival e como não se faz festa sem música o último espetáculo não poderia deixar de ser um concerto. Lula Pena sobe ao palco do São Luiz para apresentar o seu novo disco, Archivo Pittoresco, que será editado depois do verão. Mas a festa não acaba aqui. Findo o concerto, é tempo de ir para a Sala Mário Viegas. Depois de três semanas a ver os outros dançar é a vez do público ser estrela, beber um copo e bailar até de madrugada. Para o ano há mais.

[“O Negro que Sou”, do novo álbum de Lula Pena]