Martin Doherty, Ian Cook e Lauren Mayberry são uma banda escocesa formada em 2011 que, em apenas três anos, se fez um dos nomes mais importantes da pop eletrónica de Glasgow. São um daqueles casos em que o sucesso se deu numa escalada vertical, logo a partir do álbum de estreia, The Bones of What You Believe (2013), rapidamente confirmado com o segundo Every Open Eye (2015), que acabou por ser o foco da atuação desta noite, no encerramento da 24ª edição do Vodafone Paredes de Coura.

Um espetáculo com canções mais ou menos orelhudas, batidas fortes e no sítio certo, acompanhadas por uma componente cénica à medida: nem muito nem pouco. O principal atrativo é a personagem que é a voz e figura principal, a vocalista Lauren Mayberry.

Ela correu e cantou e correu e cantou, mas foi mais que uma boneca com pilhas: ela tem na voz um grande trunfo. Há quem a sinta como um alfinete nos ouvidos (de tão aguda), mas a verdade é que cantar um tema como “Leave a Trace” quase sem uma única falha tem que se lhe diga. Esteve sempre irrepreensível, resultado do talento mas também de muito trabalho – nomeadamente da excelente engenharia de som.

Os CHVRCHES começaram por ser um grupo de amigos que o sucesso transformou em profissionais com as letras todas. O Observador conversou com eles, duas horas antes do espetáculo desta noite.

Martin Doherty (o “maestro”) contou-nos que o trio resulta da “combinação certa do estilo de música com a energia” que têm entre eles. Mas mesmo assim, isso não chega, “as coisas têm de acontecer ao mesmo tempo e no mesmo sítio para que a coisa aconteça com a trajetória que desejamos.” Um caso raro, confessou.

Parte desse trajeto passou precisamente por Paredes de Coura, em 2014. Martin afirmou que desde então cresceram muito, em todos os aspetos. “Como músicos, porque a experiência que foi fazer o segundo álbum foi muito intensa. Mas correu tudo bem, conseguimos fazer um disco que foi bem recebido e que nos abriu as ‘portas do reino’, que nos permitiu construir uma carreira. Crescemos juntos também como parceiros de banda, ganhamos mais experiência, estamos mais refinados. Tem sido uma viagem incrível, a todos os níveis”, disse-nos.

Os CHVRCHES não deram um concerto do outro mundo (longe disso) mas salvaram a noite, no sentido em que souberam divertir, respeitando a escolha de encerrar o Vodafone Paredes de Coura. A isso some-se a atitude exemplar de Lauren Mayberry, quando advertiu quem estava na frente do palco que o moche era despropositado. Há quem não saiba o que significa a palavra “dançar”, mas ela sabe, e bem.

Ian Cook, Lauren Mayberry e Martin Doherty

Ian Cook, Lauren Mayberry e Martin Doherty – HUGO AMARAL/OBSERVADOR

Uma nota final para satisfazer a curiosidade de muitos: qual é a história por detrás do “V” em vez do “U” no nome da banda, quando a mesma se lê “churches”? [igrejas, em português].

A vocalista Lauren Mayberry explicou-nos e o motivo é extraordinariamente simples. “O ‘V’ apareceu meramente por uma questão estética. O designer estilizou o logótipo com o V romano em vez do ‘U’ e nós gostamos do aspeto visual”, sem nunca lhes passar pela cabeça que tanta gente se viria a baralhar ao tentar ler o nome; “os escandinavos detestam”, disse-nos, a rir.

Depois do estilo, uma questão bem mais prática: “nós colocámos assim no nome para que fosse mais fácil de encontrar online. Se procurares por “churches music” ou “churches band” vais dar com muitas coisas diferentes, por isso, basicamente, foi a forma que encontrámos de sermos mais fáceis de descobrir na Internet”, contou-nos Lauren. Mas hoje já não vale a pena, os motores de busca aprenderam depressa.