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Diz Gordon Ramsey, o fanfarrão chefe de cozinha escocês. “O meu pai era um adepto do Rangers e o meu desejo era jogar lá para o deixar orgulhoso. E deixei-o petrificado quando fiz dois jogos pelo Rangers, ambos fora, com o St. Johnstone e o Morton, embora só tenha jogado 20 e 10 minutos. E uma vez, joguei pela equipa de reservas. Aquilo era duro, muito duro. E violento. Nada a ver com os tempos de hoje. Só tinha 18 anos mas a minha força de vontade era enorme. Entrei para a primeira equipa. Foi então que me lesionei. Ainda hoje me lembro perfeitamente de trabalhar contra o tempo para recuperar da lesão, mas Jock Wallace, o treinador do Rangers que era a versão escocesa do Mike Tyson, chamou-me ao gabinete dele, onde estava acompanhado pelo adjunto Archie Knox, e dispensou-me.” Liar, liar, liar. Volta Jimmy Carrey, estás perdoado. Gordon Ramsey ocupa o teu lugar na boa. Os historiadores do Rangers lêem a autobografia de Ramsey e desmentem-no em tudo. Tudo mesmo. Nada disto é verdade. Nem joga um minuto sequer.

Um pouco a imagem do Benfica com o Nápoles, no último suspiro do grupo B da Liga dos Campeões. Nem um minuto para amostra. O Benfica entra assim-assim e só piora daí para a frente. Vale-lhe o Besiktas, o terceiro candidato a um dos dois lugares de apuramento para os oitavos-de-final. A equipa turca perde a cabeça em Kiev e apanha 6-0 sem apelo nem agravo. Seis-zero, com quatro ao intervalo. Como só teria de imitar o Besiktas para se apurar pela segunda vez seguida para a fase seguinte (feito inédito), o Benfica dá a sensação de descaso ao longo dos 90 minutos. Completo e total. Reina, só uma defesa digna desse nome (Salvio, 24′). Ederson, um armário em toda a linha. O brasileiro sente o relvado da Luz uma e outra vez, ao evitar o 1-0 na primeira parte por Hamsik (21′), Callejón (35′) e Gabbiadini (37′).

Cheio de vontade em acabar em primeiro lugar, o Nápoles cozinha uma segunda parte de categoria internacional e o Benfica sente dificuldades infinitas. A sequência de lances na área benfiquistas é minimal repetitiva: Gabbiadini acerta no calcanhar de Luisão (46′) e Insigne falha a emenda à boca da baliza (49′). Do Benfica nem ai, nem ui. Ninguém liga o turboost, não há energia nem cabeça para mudar os acontecimentos. Rui Vitória faz entrar Rafa por Gonçalo ao mesmo tempo que o Nápoles introduz Mertens, o melhor marcador da equipa na Liga dos Campeões, com três golos. Pois bem, é ele quem baralha pela enésima vez a defesa contrária. O lançamento é perfeito, na hora h, e apanha Callejón em linha. Isolado, o espanhol pica a bola sobre Ederson com classe – é o seu terceiro golo na Luz, após aquele bis pelo Real Madrid na Taça Eusébio-2012.

Apanhado a ganhar, o Nápoles continua forte, fortíssimo. E o Benfica sem pedalada para contrariar o que quer que seja. Hamsik tenta o chapéu sobre o atento Ederson (61′) antes do 2-0 de Mertens. Lá está, o suplente de ouro. O homem recreia-se com a bola, entra na área, dribla Luisão com uma ginga de cintura e atira com o pé direito. Ederson estica-se todo. Em vão, é golo e a confirmação de que o Benfica está a caminho da segunda derrota seguida, na sequência do 2-1 vs Marítimo, nos Barreiros, na 6.ª feira. Enquanto o Dínamo Kiev comete a proeza de ganhar 6-0 ao Besiktas, com seis marcadores, o Nápoles acelera e quer o 3-0. Mertens (outa bez?) isola Zielisnki e o remate do polaco é bem defendido por Ederson, junto ao poste. Às tantas, completamente contra a corrente do jogo, Albiol perde a bola no meio-campo e disso se aproveita Jiménez para enganar Reina. O dois-um é curto, é mentiroso. Como a história do Gordon Ramsey no Rangers. Vale o apuramento para os oitavos-de-final pelo segundo ano seguido, cortesia Rui Vitória – só um outro treinador português ao serviço de um clube nacional consegue tal registo: Jesualdo Ferreira, Porto 2007-08, 2008-09 e 2009-10.

Estádio da Luz, em Lisboa
Árbitro: Mateu Lahoz (Espanha)
BENFICA: Ederson; Nélson Semedo, Luisão, Lindelof, André Almeida; Fejsa, Pizzi, Cervi (Carrillo, 67′) e Salvio (Mitroglou, 80′); Gonçalo Guedes (Rafa, 56′) e Raúl Jiménez
Treinador: Rui Vitória (português)
NÁPOLES: Reina; Hysaj, Albiol, Koulibaly e Ghoulam; Allan, Diawara e Hamsik (Zielinski, 72′); Callejón, Gabbiadini (Mertens, 56′) e Insigne (Rog, 80′)
Treinador: Maurizio Sarri (italiano)
Marcadores: 0-1, Callejón (59′); 0-2, Mertens (79′); 1-2, Jiménez (87′)

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