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Francisco Lufinha já está em terra, depois de ter percorrido mais de 1.500 quilómetros ao ligar Açores ao continente em kitesurf. Foi uma viagem “difícil”, mas o desafio foi superado e mais uma vez Lufinha quebrou o próprio recorde ao atravessar 1.646 quilómetros de mar. O kitesurfer português destacou alguns momentos difíceis pelos quais passou nos últimos dez dias no mar, em especial os três primeiros dias em que ficou a boiar porque não havia vento.

Estamos há 10 dias no mar numa coisa que podia ter durado quatro ou cinco dias. Ficámos sem vento, a boiar, no mar. Isso foi muito duro. Éramos oito [pessoas] no barco, mais uma na água e sempre a rodar. Termos aqui esta multidão a puxar por nós e a dar destaque ao que nós fizemos é inacreditável”, afirmou.

O recordista português contou também que, além do vento fraco, chegou a ter “algumas avarias no barco”, ao ponto de ter limitações na embarcação de apoio em fazer água doce para consumo. A equipa foi ainda apanhada de surpresa quando, numa das noites, um dos kites de Anka — a recordista alemã que o acompanhava e com quem “partilhava” as milhas — ficou preso debaixo do barco, acabando por se estragar.

Lufinha destacou ainda a dificuldade que foi fazer esta travessia com o “pior vento possível”. “Fomos sempre a lutar contra o vento nestes 1500 quilómetros. Outra coisa chata foi [o facto de] nos últimos três dias não haver lua, não havia luz nenhuma até à meia noite. Era basicamente ir a fazer kite de olhos fechados”. Não deixou, porém, de lamentar a quantidade de lixo com que se deparou durante a viagem.

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A quantidade de plástico que se vê é inacreditável. Havia até bolas de ténis. Isso é uma das grandes preocupações que começo a ter”, lamentou.

A receção contou também com a presença da ministra do Mar, Ana Paula Vitorino, que assinou a travessia de Lufinha no mapa onde estão representadas todas as suas travessias.

Lufinha chegou esta quarta-feira à Marina de Oeiras, pelas 17 horas, onde tinha várias pessoas à sua espera, numa receção que o próprio considerou “inacreditável”. O Observador esteve no local a acompanhar em direto a sua chegada. Pode ver fotogaleria acima com a receção aos kitesurfers.