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Da Rádio Observador. Jornal do Meio-Dia com edição de Luís Soares. Luís, já decorrem em Coimbra e no Porto as manifestações promovidas pela CGTP contra o aumento do custo de vida, um protesto que se repete esta tarde também em Lisboa.
Em Lisboa, a manifestação começa às 14h30, no Cais do Sodré, parte para a Praça do Rossio, é o ponto final da manifestação logo à tarde em Lisboa, mas em Coimbra e no Porto, os protestos começaram mais cedo, logo pelas 10h30. No caso da Invicta, o protesto saiu da Praça da Batalha e a esta hora, Miguel Pinheiro Correia, agora em direto, já chegou à Praça Dom João I.
Já chegaram aqui, Luís, à Praça Dom João I, este que tem sido um ponto central dos protestos nos últimos dias e, neste momento, até se levantou aqui uma tenda que à chegada foi aplaudida. Não é uma tenda que está no chão, está a ser segurada por várias pessoas, com uma mensagem a dizer: "Nem renda, nem tenda", a fazer alusão tanto ao protesto pelas questões da habitação, que tem sido o tema central aqui na Praça Dom João I, mas também ao fato de não terem, pelo menos nas últimas noites, conseguido montar tendas aqui nesta praça. Mas são várias as questões que estão em debate hoje e que estão em protesto ou que têm motivado muitos gritos de ordem nas ruas do Porto, nesse protesto rápido que começou a chegar às 11h30, à Praça Dom João I, mas meia hora depois, ainda há muitas pessoas a chegar. Apesar de ser um caminho rápido entre a Praça da Batalha e a Praça Dom João I, são centenas de pessoas que estão a chegar aqui. E uma delas é Ana Carolina, socióloga de 48 anos, que está aqui comigo. Ana Carolina, são muitas as questões que estão a ser levantadas hoje com gritos de ordem. Há alguma que considere mais urgente?
A urgência são as questões de que o custo de vida é incomportável. O direito à habitação é mais do que urgente, é uma questão que tem séculos e neste momento é totalmente impossível ser contornada como está a ser pelo nosso governo.
E disse há pouco que tem estado aqui nos últimos dias. Como é que tem visto esta mobilização que tem crescido, hoje também centenas de pessoas? É uma resposta também à reação política a estes protestos?
Sim, esta resposta são os verdadeiros tijolos, e não metafórico, com que o primeiro-ministro se escudou, porque a violência só tem existido para e contra os manifestantes e não ao contrário. Portanto, não vamos desvirtuar o que se está a discutir e o que é urgente repensar, que é o custo de vida geral de todos nós.
Obrigado, Ana Carolina. Aqui esta mensagem de quem tem estado nos últimos dias aqui, sobretudo na Praça Dom João I, onde às 11h30 começaram a chegar muitos manifestantes, num protesto que, comparando visualmente com esse das tendas que tem estado aqui na Praça Dom João I, hoje veem-se muitas bandeiras de diferentes sindicatos, também tarjas com diferentes protestos, melhores condições salariais, também uma defesa do Serviço Nacional de Saúde. São vários os cânticos que se vão gritando aqui. Neste momento, há um pequeno palco montado onde estão a ser feitos vários discursos, todos com essa ordem, com esse protesto por melhores condições de vida.
É um protesto audível, Miguel Pinheiro Correia, em direto do Porto, a acompanhar esta mobilização convocada pela CGTP contra o aumento do custo de vida. A Central Sindical espera uma grande mobilização a nível nacional. Na parte da tarde haverá o protesto em Lisboa. Também hoje retoma os protestos pela habitação. A intenção dos manifestantes ao Observador é de realizar protestos com tendas, as acampadas que já aconteceram no Porto e que geraram a polêmica em torno da atuação policial, que os manifestantes consideraram abusiva. É esperado que os manifestantes se concentrem em Lisboa e também no Porto durante a tarde.
Os líderes dos principais movimentos pelo direito à habitação são militantes, dirigentes ou antigos candidatos do Bloco de Esquerda e do PCP. No entanto, os movimentos garantem que os partidos não lhes dão ordens.
Esta semana no Parlamento, Luís Montenegro acusou os movimentos organizadores dos protestos de terem a agenda dos partidos de esquerda e de haver essa ligação entre as duas partes. O editor de política do Observador, Rui Pedro Antunes, foi investigar quem lidera estes grupos que têm estado nas ruas nos últimos dias e dá o exemplo em como existe, de fato, uma ligação entre os vários grupos do protesto, o PCP e o Bloco de Esquerda.
Há três grandes movimentos que estão na plataforma Casa para Viver. O Habita, por exemplo, a porta-voz que tem falado em televisões e que representa é a Rita Silva, que era a número dois do Bloco de Esquerda à Câmara de Lisboa quando Robles foi o cabeça de lista. No caso do Vida Justa, por exemplo, temos o Nuno Ramos de Almeida, que também já fazia parte do Que Se Lixe a Troika, e que também é do PCP, do Porta a Porta, que é outro dos grandes movimentos. Também é o Andrés Koval, que não só é do Partido Comunista, como chegou a ser dirigente em Vila Franca de Xira. Percebemos que, de fato, há uma grande ligação entre estes movimentos e alguns dos partidos políticos.
O editor de política do Observador, Rui Pedro Antunes, na história do dia de hoje, disse ainda que a dúvida está no grau de influência que o PCP e Bloco de Esquerda têm nos movimentos para a habitação.
O que falta aqui, talvez esclarecer ainda, é o grau de influência que tem. E depois vamos lá ver. Estas pessoas fazem parte destes partidos, têm como objetivo derrotar as políticas do governo. Esse objetivo é comum dessas pessoas. Tanto existe nestes movimentos como existe nos partidos, portanto, de alguma forma, até têm um objetivo comum. É por isso natural que haja uma certa contaminação daquilo que é a estratégia dos partidos por parte destes movimentos.
O editor de política do Observador, Rui Pedro Antunes, na história do dia de hoje. Apesar da ligação entre militantes do PCP e do Bloco de Esquerda com estes movimentos pela habitação, os grupos garantem independência financeira e de ação face aos partidos políticos.
E este é o artigo que faz manchete a esta hora no site do Observador, assinado pelo editor de política Rui Pedro Antunes. É também o tema da história do dia, já disponível em podcast. Seguimos com as notícias. O presidente da Associação Nacional dos Industriais da Construção Civil e Obras Públicas considera que a demora no licenciamento é uma das principais causas para a demora na construção de novas casas.
Foi o tema do Explicador desta manhã. Ricardo Gomes explica que há condições para colocar em prática a legislação que prevê um licenciamento mais rápido e responsabiliza as autarquias por essa demora.
Tem que haver um objetivo, tem que haver uma ambição Das entidades públicas, que é licenciar em metade do tempo em que se constrói. Se a indústria já constrói em dois anos, o licenciamento não tem nenhuma justificação para não ser feito em metade do seu tempo.
E esse é o principal entrave, Ricardo Gomes, para não haver tanta construção hoje?
Claramente. Esse é claramente o principal entrave para criarmos a dinâmica da construção.
As dificuldades no licenciamento são o principal entrave para a construção de novas habitações. É a análise feita por Ricardo Gomes, o presidente da Associação Nacional dos Industriais da Construção Civil e Obras Públicas.
E o presidente da República defende que ninguém deve viver sem habitação e apela a um compromisso generalizado contra a exclusão.
Foi numa nota publicada na página oficial da Presidência da República. António José Seguro defende que todos os portugueses deviam viver com acesso à habitação, saúde e trabalho digno. Nesta mensagem, o chefe de Estado pede um compromisso para que ninguém fique excluído. Salienta que a pobreza não é apenas uma condição econômica, mas também uma limitação à liberdade, à dignidade e às oportunidades de cada pessoa. É uma mensagem deixada no Dia Internacional para a Erradicação da Pobreza. A Comunidade Vida e Paz lança também hoje uma campanha para apoiar mais de 900 pessoas em situação de sem-abrigo.
12h08. Que outras notícias marcam esta manhã de sábado, Luís?
O Papa Leão XIV vai ter alta hospitalar esta tarde. Vai já amanhã recitar a oração do Angelus no Vaticano. Informação avançada esta manhã pelo Vaticano. No site oficial, Leão XIV foi operado a um nódulo no pulmão. Moscou elogiou esta manhã a decisão de Donald Trump de suspender o novo pacote de sanções à Rússia, aprovado pelo Congresso norte-americano há um mês. Para o conselheiro do Kremlin, esta decisão do presidente dos Estados Unidos marca um momento histórico na relação entre os dois países. Donald Trump suspendeu a lei durante a madrugada, que previa nas sanções até 100% às exportadoras russas de gás, uma semana depois de ter acordado com Vladimir Putin a compra de energia russa, numa tentativa de fazer baixar os preços da energia nos Estados Unidos.
E assim fechamos o Jornal do Meio-Dia. A edição do jornalista Luís Soares está de regresso ao Meio-Dia e Meia. Até já, Luís.
Até já.
E já a seguir temos Cinco Continentes com Bruno Cardoso Reis.