Literatura

As 100 histórias que mudaram o mundo, segundo a BBC

148

A BBC levou um inquérito a votação para descobrir as 100 histórias que mudaram o rumo da História. No topo da lista há literatura de língua inglesa, mas há um livro em português, de Machado de Assis.

A "Odisseia", de Homero, é o texto mais importante da História, de acordo com os especialistas consultados pela BBC

Getty Images

Ao longo do mês de abril, a BBC realizou uma votação para descobrir quais as 100 histórias que mudaram ou influenciaram o rumo da História. O inquérito, realizado em todo o mundo, foi respondido por 108 pessoas (autores, académicos, jornalistas, críticos e tradutores), oriundas de 35 países. A escolha final inclui uma grande variedade de géneros, desde o romance ao teatro, passando pela poesia e pelos mitos, com histórias escritas em 33 línguas diferentes.

Nas cinco primeiras posições, aquelas que mais interessava averiguar aos jornalistas da BBC, ficaram: a Odisseia, de Homero, a Cabana do Pai Tomás, de Harriet Beecher Stowe — o primeiro romance lido a larga escala nos Estados Unidos da América –, Frankenstein, de Mary Shelley — aquele que é considerado o primeiro romance de ficção científica –, Mil Novecentos e Oitenta e Quatro, de George Orwell, e Quando tudo se desmorona, de Chinua Achebe. No top cinco, os homens estão em maioria, assim como as obras escritas originalmente em inglês. Esta realidade é transversal a toda a lista, que inclui apenas um autor de língua portuguesa (e nenhum português) — Machado de Assis –, que ocupa o 60º lugar. O livro é um dos mais conhecidos do escritor brasileiro,  Memórias Póstumas de Brás Cubas.

Olhando para o top 100, os escritores mais populares são William Shakespeare, Virgina Woolf e Franz Kafka, com três histórias cada um. De Shakespeare foram escolhidos Hamlet, Romeu e Julieta e Rei Lear; de Woolf, Rumo ao FarolMrs. Dalloway e Orlando; e de Kafka, O Processo, A Metamorfose e Antes da Lei. Além dos clássicos mundialmente conhecidos, a lista da BBC inclui algumas obras menos conhecidas, como A Selva, do norte-americano Upton Sinclair, que, de acordo com a estação de televisão, levou à introdução de novas leis federais sobre a segurança alimentar. Toba Tek Singh, um conto do indiano Saadat Hasan Manto sobre a independência do Paquistão, é outro bom exemplo disso.

Odisseia, o texto que mais influenciou o rumo da História

Em primeiro lugar ficou a Odisseia, de Homero (que teve uma nova edição em português muito recentemente). Questionados sobre o porquê de terem escolhido o poema homérico como o mais importante, os especialistas que participaram na votação da BBC frisaram o seu carácter fundacional e a sua influência na literatura ocidental.

Lisa Appignanesi, romancista e crítica, afirmou que a Odisseia segue um modelo básico em termos de história, tratando-se de uma viagem “que também é um regresso”. Kenneth Warren, professor de Inglês na Universidade de Chicago, garantiu que “não há volta a dar” em relação ao facto de o épico Homero ser um texto “fundacional” na narrativa no ocidente. “A Odisseia“, poema composto provavelmente no século VIII a.C., “forneceu a arquitetura para a narrativa da demanda e o modelo de caracterização das virtudes masculinas e femininas numa forma que moldou, permitiu e limitiu os nossos hábitos narrativos até hoje”, afirmou o especialista.

A romancista sul-africana Beverley Naidoo também referiu o modo como a influência do poema homérico continua, ainda hoje, a fazer-se sentir na literatura. “As múltiplas histórias dentro da viagem até casa de dez anos de Odisseu depois da guerra de Tróia, enquanto Penélope espera fielmente por ele e o seu filho Telémaco o procura, infiltraram-se profundamente na nossa consciência cultural”, disse à BBC. “Os elementos humanos dentro desta miríade de histórias continuam a ressoar com o passar dos séculos, permitindo interpretações sem fim.”

Os 20 primeiros colocados na lista da BBC são os seguintes:

  1. Odisseia, de Homero (século VIII a.C.);
  2. A Cabana do Pai Tomás, de Harriet Beecher Stowe (1852);
  3. Frankenstein, de Mary Shelley (1818);
  4. Mil Novecentos e Oitenta e Quatro, de George Orwell (1949);
  5. Quando tudo se desmorona, de Chinua Achebe (1958);
  6. As Mil e Uma Noites
  7. Dom Quixote, de Miguel de Cervante (1615);
  8. Hamlet, de William Shakespeare (1603);
  9. Cem Anos de Solidão, de Gabriel García Márquez (1967);
  10. Ilíada, de Homero (século VIII a.C.);
  11. Amada, de Toni Morrison (1987);
  12. A Divina Comédia, de Dante Alighieri (1320);
  13. Romeu e Julieta, de William Shakespeare (1597);
  14. O Épico de Gilgamesh, de autor desconhecido (cerca de 2100 a.C.);
  15. Harry Potter, de J.K. Rowling (1997-2007);
  16. A História de Uma Serva, de Margaret Atwood (1985);
  17. Ulisses, de James Joyce (1922);
  18. A Quinta dos Animais, de George Orwell (1945);
  19. Jane Eyre, de Charlotte Brontë (1847);
  20. Madame Bovary, de Gustave Flaubert (1856).
Partilhe
Comente
Sugira
Proponha uma correção, sugira uma pista: rcipriano@observador.pt

Só mais um passo

1
Registo
2
Pagamento
Sucesso

Detalhes da assinatura

Esta assinatura permite o acesso ilimitado a todos os artigos do Observador na Web e nas Apps. Os assinantes podem aceder aos artigos Premium utilizando até 3 dispositivos por utilizador.

Só mais um passo

1
Registo
2
Pagamento
Sucesso

Detalhes da assinatura

Esta assinatura permite o acesso ilimitado a todos os artigos do Observador na Web e nas Apps. Os assinantes podem aceder aos artigos Premium utilizando até 3 dispositivos por utilizador.

Só mais um passo

Confirme a sua conta

Para completar o seu registo, confirme a sua conta clicando no link do email que acabámos de lhe enviar. (Pode fechar esta janela.)