Museu? Só mesmo o nome. Nada do que se vê no The Sweet Art Museum é de alguma forma raro ou objeto de estudo. A atração é outra: uma experiência multissensorial que convoca visão — prepare-se para chegar ao fim da visita com as pupilas bem dilatas, tal é a overdose de cor-de-rosa –, olfato, paladar e, por fim, toque. Fica em Marvila, Lisboa, e abriu esta quinta-feira, dia 31 de maio. A fachada, também ela pintada de rosa, não deixa ninguém indiferente. Lá dentro, o piroso vira fantástico e desafia visitantes de todas as idades a embarcar num imaginário de unicórnios, nuvens suspensas, gomas gigantes e cheiro as rebuçado. Este museu foi pensado para crianças e adultos e para as fotografias, muitas fotografias.

“Adoro o Instagram, é a minha rede social favorita. E este sítio é um cenário cheio de cor, onde se pode entrar e ser feliz com amigos”, afirma Carla Santos, parte da dupla criativa que pensou este novo espaço ao milímetro. Se, inicialmente, o objetivo era abrir na Rua do Açúcar, o museu acabou por ficar numa perpendicular, em favor de áreas mais generosas. Com Hugo Silva, a produtora de eventos forma a United Creative, agência que, em janeiro deste ano, começou a juntar todas as peças para fazer com que o conceito fosse replicável em Lisboa. A fonte de inspiração? Atrações espalhadas costa Oeste dos Estados Unidos, do Candytopia, em Santa Monica, ao Museum of Ice Cream, em São Francisco. Criando um universo próprio, com algumas influências levadas mais à letra, o The Sweet Art Museum é o primeiro da sua espécie na Europa. “Não somos um museu de doces, somos um museu doce”, conclui Carla, ao mesmo tempo que explica a importância de juntar um artista português a este projeto com uma estética tão forte.

Hugo Silva e Carla Santos são os criativos por detrás do The Sweet Art Museum © André Dias Nobre/Observador

Que o diga Maria Imaginário, escolha mais do que natural para fazer jus a esta torrente de fofice. “A estética tinha a ver comigo”, explica a autora, depois de ter recebido carta branca para intervir sobre a primeira sala do recinto. “Mas quis ser menos óbvia. Toda a gente sabe que tenho doces e gelados nos meus quadros, fugi um bocado a isso. Usei frutas, doces saudáveis, os primeiros que comemos”, conclui.

Imagine um quadro da artista a três dimensões, onde as frutas ganham vida, sobem às paredes e onde qualquer um pode entrar. Essa é, aliás, outra das características que distancia o The Sweet Art Museum de um museu convencional — não há nada que ali esteja para ser meramente contemplado, o princípio é fazer parte da obra de arte, subir para a garupa do unicórnio, baloiçar na nuvem, encher o cone de cartão com gomas em forma de ursinhos, provar os gelados e, por fim, mergulhar na piscina de marshmallows (sim, ouviu bem, mas já lá vamos). Para que todos se sentissem confortáveis dentro da sua gruta de glacé de açúcar, Maria Imaginário, que em novembro do ano passado inaugurou uma exposição em conjunto com Mariana, a Miserável, completou a instalação com uma longa língua felpuda. Convida a entrar, a sentar e até mesmo a deitar, tudo para a fotografia, claro.

São elas que imperam lá dentro —  a luz, o enquadramento, os melhores ângulos, o cenário perfeito –, tudo foi pensado em função da fotogenia. Ao longo do trajeto, composto por uma sucessão de salas, encontramos gomas e gelados gigantes, recantos para selfies, dispensadores de rebuçados, uma piscina de bolas, uma sala que cheira a algodão-doce, um carrossel e, claro, a piscina de marshmallows, os milhares e feitos em esferovite. É que nem precisamos de lá voltar para ter a certeza de que será a atração mais concorrida. Descalços, os visitantes podem mergulhar, nadar ou, simplesmente, existir com doces pelo pescoço. À saída, em vez de uma toalha, há doces a sério à espera dos visitantes.

Maria Imaginário é a artista convidada pelo The Sweet Art Museum. Na primeira sala do museu, a instalação convida os visitantes a aproximarem-se e tocar nesta língua felpuda © André Dias Nobre/Observador

Desengane-se quem acha que tem o resto da vida para visitar o museu. O projeto é temporário e fica em Lisboa até ao final de agosto. O objetivo é fazer o museu saltar de cidade em cidade e, já que não há nada do género do lado de cá do Atlântico, porque não atravessar a fronteira e replicar a ideia noutros países? É esse o plano de Carla e Hugo, embora nenhum dos dois dê ainda certezas de qual vai ser a próxima paragem. Porto? Talvez.

A vertente solidária não ficou de lado. Além do espaço estar reservado para visitas de Instituições de Solidariedade Social uma terça-feira por mês, em todos os bilhetes, 1 euro reverte para a Terra dos Sonhos.

No dia da inauguração, véspera da abertura ao público, fomos conhecer os cantos ao The Sweet Art Museum. Percorremos as salas, vimos, cheirámos, tocámos e provámos. Veja todas as imagens na fotogaleria.

O quê? The Sweet Art Museum
Quando? De quarta a sexta-feira, das 12h às 21h, sábados domingos e feriados, das 10h às 20h (até final de agosto)
Onde? Rua José Domingos Barreiros, 2F – Armazém 5, Lisboa
Quanto? 20 euros (maiores de 3 anos); bilhetes à venda na Ticketline