Mentiras, fontes falsas e vigarices. Donald Trump já usou vários adjetivos pouco simpáticos para se referir ao jornalista de investigação, Bob Woodward, de 75 anos, e ao seu mais recente livro “Fear: Trump in the White House”. 

Apesar de ainda não estar à venda, tanto a CNN como o The Washington Post — jornal onde Woodward trabalha há mais de 40 anos e onde denunciou o escândalo Watergate com Carl Bernstein— já fizeram pré-publicações da obra que revela várias entrevistas ao staff da Casa Branca. O presidente norte-americano não sai bem na fotografia e, em resposta ao que saiu nos jornais norte-americanos, publicou esta quarta-feira diversos posts no Twitter sobre o livro do jornalista de investigação.

O risco de prisão, as reuniões secretas e a necessidade de ocultar documentos de Trump contadas pelo homem que derrubou Nixon

“O já desacreditado livro de Woodward, tantas mentiras e fontes falsas, põe-me a chamar o Jeff Sessions de ‘retardado mental’ e ‘sulista burro’. Eu nunca disse nenhuma destas coisas, nunca usei esses termos para descrever ninguém, o Jeff incluído, e ser sulista é uma coisa ótima. Ele inventou isto para criar divisões!”, escreveu o presidente norte-americano  no Twitter.

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Nas suas 488 páginas, Trump é retratado como um presidente instável, irritadiço, pouco informado e com uma apetência patológica para mentir. Para pintar este quadro, Woodward recorre a descrições de conversas e reuniões que o presidente terá mantido com a sua equipa e onde é apelido de “mentiroso incorrigível”, “idiota”, “desequilibrado”, “relativamente ignorante”, entre outras coisas.

“Não é uma vergonha que alguém possa escrever um artigo ou um livro, histórias totalmente inventadas e criar uma imagem de uma pessoa que é literalmente o exato oposto do facto, e conseguir livrar-se sem qualquer custo. Não sei por que é que os políticos de  Washington não mudam as leis sobre difamação?”, escreve ainda no Twitter Donald Trump.

Na mesma rede social, Trump partilha declarações de vários visados no livro de Woodward, como do secretário da Defesa, James Mattis, ou da porta-voz da Casa Branca, Sarah Sanders. Tanto Mattis como Sanders desmentem as afirmações que lhes são atribuídas no livro de Woodward e o secretário da Defesa diz mesmo que as fontes anónimas do jornalista não merecem qualquer credibilidade.

Em relação a Mattis, o episódio retratado aconteceu no seguimento do ataque químico à Síria levado a cabo pelo regime de Bashar al-Assad. Segundo Woodward, Donal Trump terá dito ao telefone a Mattis: “Vamos matá-lo, porra! Vamos lá. Vamos matá-los sem apelo nem agravo.” Depois de desligar o telefone, o secretário da Defesa começou a falar mais a sério, como se até ali estivesse a falar com uma criança a fazer birra, dizendo: “Não vamos fazer nada disso.”

Já John Kelly, que segundo Woodward apelidou Trump de idiota, escreve que nunca fez tal insulto. O chefe de gabinete do Presidente norte-americano diz que, quando muito, o que pensa sobre o presidente é o oposto, já que sempre o considerou um candidato incrível.

“Histórias fabricadas muitas delas criadas por funcionários desapontados” é a acusação feita por Sanders ao livro de Woodward, garantido que foram escritas apenas para Trump parecer mal.

O presidente norte-americano diz ainda que o livro é uma “vigarice” e que as citações são inventadas.

Para escrever “Fear: Trump in the White House”, Bob Woodward conta ter feito muitas entrevistas de fundo a pessoas próximas do presidente, incluindo conselheiros e membros do staff. Em troca, prometeu-lhes o anonimato.