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Realizador português mostra “realidade quase desconhecida” da diáspora lusa no Havai

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A estreia do documentário coincide com a celebração dos 140 anos da chegada da primeira grande vaga de imigrantes portugueses ao Havai, que aconteceu a 30 de setembro de 1878 a bordo do SS Priscilla.

AUSTIN LARSON/EPA

Autor
  • Agência Lusa

Mais de 10 por cento da população do Havai (EUA) descende de portugueses, “uma realidade quase desconhecida” e que é o foco do novo documentário do realizador Nelson Ponta-Garça, que estreia esta sexta-feira.

“Pouca gente imagina que existem tantos portugueses no Havai”, disse à Lusa o realizador açoriano radicado na Califórnia. A estimativa é de que “mais de 10%” da população do arquipélago, que totaliza 1,428 milhões de habitantes, seja lusodescendente.

Com duração de 42 minutos, o documentário tem produção executiva da lusodescendente Marlene Hapai, diretora do Imiloa Astronomy Center, e inclui mais de 40 entrevistas, desde líderes comunitários ao comediante Frank De Lima e o cantor Glenn Medeiros.

A estreia do documentário coincide com a celebração dos 140 anos da chegada da primeira grande vaga de imigrantes portugueses ao Havai, que aconteceu a 30 de setembro de 1878 a bordo do navio SS Priscilla. A maioria dos imigrantes era proveniente da Madeira e dos Açores, chegou entre 1878 e 1913 e foi para o arquipélago, então reino independente, trabalhar em plantações da cana do açúcar.

Ao contrário do que acontece com outras comunidades luso-americanas, a diáspora portuguesa no Havai não manteve ligação com o território nem com a língua portuguesa, algo que se deve ao facto de o arquipélago ser “muito longe”, explicou Ponta-Garça.

A influência portuguesa na ilha é visível no ‘ukulele’, que se baseia no cavaquinho, “na presença política” — em Maui os três ‘mayors’ são de origem portuguesa — e nalguma gastronomia: é possível encontrar as típicas malassadas (bolo típico madeirense), com a grafia adaptada – “malasadas” -, e também há “pãó dôcé”. Na cadeia de ‘fast-food’ McDonald’s, o menu inclui salsichas portuguesas.

“Uma curiosidade é que, com tanta influência e tanta história, só há um salão português em todo o Havai, o Heritage Hall”, sublinhou Ponta-Garça.

Eles nunca mais vieram a Portugal nem falaram português e aquilo vai-se diluindo”, afirmou, ainda que na ‘big island’ haja a ideia de que “metade” da ilha é de ascendência lusa.

O documentário é uma co-produção RTP e será emitido na televisão portuguesa nos próximos meses, ainda sem data de estreia. Ponta-Garça contou ainda com o patrocínio da FLAD – Fundação Luso-Americana para o Desenvolvimento e do Governo Regional dos Açores, que se fará representar na estreia em Hilo, esta sexta-feira.

O Imiloa Astronomy Center, palco da estreia, está ligado à Universidade do Havai e faz parte da Night Sky Network da agência espacial NASA. Liderado por uma lusodescendente, Marlene Hapai, é “um dos mais conceituados de observação de estrelas em todo o mundo”, disse Ponta-Garça.

O primeiro imigrante português de que há registo no arquipélago é João (John) Elliott de Castro, que segundo a Biblioteca do Congresso norte-americano chegou em 1814 e foi médico do rei Kamehameha.

Este filme é a terceira produção “Portuguese In”, que começou em 2014 com uma série documental de nove episódios sobre a diáspora na Califórnia, onde Ponta-Garça reside, e teve continuidade no ano passado com quatro episódios dedicados à imigração portuguesa na Nova Inglaterra. O realizador pondera ainda rumar à Flórida para se debruçar sobre a comunidade imigrante naquele Estado, algo que não está decidido, antes de terminar a série com uma produção de maior envergadura, “Portuguese in America”.

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