Festival da Canção

Matay recebeu dois convites para cantar no Festival da Canção. Bem vistas as coisas, aceitou os dois

646

Boss AC conheceu Matay no ginásio. Quando o convidou para o Festival da Canção, AC soube que o seu teclista e diretor musical já o tinha feito. Juntarem-se os três estava "escrito nas estrelas".

“Tens bateria para gravar a história?”, ouvimos Boss AC dizer nos estúdios da RTP, perto de uma hora após a conclusão da primeira semifinal do Festival da Canção. O aviso indiciava uma história longa, mas não deixava ainda antever o quão curiosa foi a junção de Tiago Machado, Boss AC e Matay para o tema “Perfeito”, o mais votado nesta primeira antecâmara do apuramento do representante português na Eurovisão em 2019.

Tudo começou com um encontro no ginásio. Um dia, Ângelo César (sim, vem daí o “AC”) Firmino encontrou Matay, nascido Ruben Matay Leal de Sousa, e quis ir felicitá-lo por um single que este gravara e que a sua mulher adorara. “Eu também era fã, mas conheci através dela”, apressou-se logo a explicar o rapper e cantor. Matay, que tem atualmente 32 anos, retribuiu a simpatia, disse-lhe que “gostava muito” da música do autor de RAP (Ritmo, Amor e Palavras) e de “Hip Hop (Don’t Stop),” “Boa Vibe”, “Anda Cá ao Papá” e “Baza Baza”.

Quando se encontraram pela primeira vez, Boss AC estava a gravar um novo álbum, A Vida Continua…  — como o momento foi propício, desafiou o cantor a “estarem juntos um dia destes” em estúdio, quem sabe poderia resultar daí “qualquer coisa engraçada”. “Umas 90% das vezes em que a gente diz isso não acontece nada, neste caso deu. O Matay ligou-me, foi ter comigo a estúdio, estava a fazer o álbum, mostrei-lhe várias coisas entre elas o [tema] “Por Favor Diz-me” e ele disse: quero cantar contigo este tema. Cantámos, acabou”. Acabou? Ainda não.

Fast forward alguns meses”, prosseguiu Boss AC. O álbum foi editado. Os dois estiveram juntos na festa do Avante. Boss AC andava a ser desafiado há três anos a compor para o Festival da Canção mas como “não tinha cantor”, declinou. De repente, lembrou-se de Matay. Problema: pouco antes, o seu diretor musical e teclista “há 15 anos” Tiago Machado, autor de composições como “Ó Gente da Minha Terra” e “Melhor de Mim” (cantadas pela fadista Mariza) e “O Homem do Saldanha” (cantada por Marco Rodrigues), tinha pedido o número de Matay a Boss AC. Ângelo César Firmino não lhe perguntou porque é que queria o número, deu-o simplesmente porque seria “um amigo comum”. Só percebeu o pedido quando falou com Matay para o convidar para o Festival da Canção:

Ligo ao Matay e pergunto: o que é que achas de participar no Festival da Canção? Ele disse-me: ah, eu já lá estou. Já lá estás? Como assim? Depois percebi, ele disse-me: ‘O Tiago…’. Até liguei ao Tiago por causa disso, mas estava tudo na boa, obviamente, fiquei contente. Passado muito pouco tempo, um dia ou assim, o Tiago convida-me para fazer a letra do tema e eu penso: epá, isto é perfeito, estava escrito nas estrelas“, recordou Boss AC.

De certa maneira, os três convidaram-se “mutuamente”. Formaram uma espécie de dream team, um termo a que Boss AC aludiu lembrando “as palavras do Matay, que diz que isto está a ser um sonho”.

Antes ainda de convidar Boss AC a escrever a letra de “Perfeito”, Tiago Machado convidou Matay devido ao seu “timbre”, de que é “fã”: “Já o conhecia desde o dueto que fez com o Dengaz e adoro a forma de ele cantar. Depois fez este dueto com o Boss AC e comecei a gostar ainda mais, a ficar ainda mais fã da voz”.

A primeira vez que Tiago mostrou ao cantor o tema que compôs para o Festival da Canção — e que queria que ele interpretasse — foi no seu carro, “ainda era uma maquete”. O cantor ouviu e respondeu: “Vamos ao festival, vamos de certeza”.

Curiosamente, “há muito tempo” que Matay tinha em vista participar neste concurso. “Tenho vivido coisas muito incríveis, muito especiais. Tenho desejado as coisas e elas vêm ter comigo. O festival é um exemplo muito claro disso: houve um dia já há uns anos que o vi e pensei: bolas, um dia quero cantar ali”.

À medida que o Festival da Canção foi entrando na minha vida, fui consolidando esta ideia de entrar no festival. Quando o Tiago me ligou pensei: está a concretizar-se, é mais uma coisa que está a chegar até mim. Fiquei logo com uma grande euforia e energia”, contou Matay ao Observador, antes de confirmar o que disse minutos antes aos jornalistas, que recebeu uma mensagem de texto de Paulo de Carvalho felicitando-o pela interpretação.

A letra chegou de seguida, escrita por Boss AC. Quando Tiago Machado foi convidado a compor para o festival, pediu tempo para encontrar “as pessoas certas”. O rapper e cantor era uma dessas pessoas e sentiu-se honrado com o convite: “O Tiago é um compositor, produtor e músico fora de série, exímio, tem uma facilidade inata para lhe saírem músicas com muita facilidade. Com ele é à confiança, sei que vou gostar do que ele me mandar”.

Boss AC recordou ainda o momento em que ouviu pela primeira vez o tema para o qual iria escrever uma letra: “Senti algo de cinematográfico, algo que remetia para uma balada intemporal. As pessoas agora a posteriori têm falado da Disney, não foi nisso que pensei mas até vejo como um grande elogio, porque não é qualquer balada que entra na Disney“.

Inspirado pela “força exemplar” e épica dos arranjos, o rapper e cantor escreveu uma letra a pensar na sua filha mais nova em especial — “e nas minhas fihas de uma forma geral”.

Curiosamente o Matay e o Tiago também têm dois filhos. Têm quase todos as mesmas idades. Quando enviei a letra ao Matay e ao Tiago disse-lhes: oiçam-na com a imagem dos vossos filhos presentes“, recordou Boss AC

O resto “é história”, acrescentou Boss AC. Matay não se quis ficar e corrigiu: “O resto é perfeito”. Agora, segue-se Portimão “com os olhos postos em Israel”. “Acho que temos boas condições para isso [vitória no Festival da Canção] acontecer. Se não acontecer, já foi uma vitória a nossa participação, deixámos a nossa marca e fizemos sem dúvida alguma o nosso melhor. Por isso e por termos vestido esta camisola da Seleção Nacional, que é como acho que nos estamos sentir neste momento, parece que ganhámos uma final do Europeu. Só por isso já valeu, é uma experiência e tanto”, apontou Boss AC.

Tiago Machado, o compositor do tema, corroborou. Também ele acha que este foi “o casamento perfeito”, que esta “é a equipa com que queria trabalhar”, que é um “sortudo por a ter comigo a acreditar neste projeto”. O tema e a interpretação de Tiago Machado (ao piano) e Matay (com a voz) este fim-de-semana nos estúdios da RTP levou a que “Perfeito” fosse a canção mais votada da primeira semifinal do Festival da Canção 2019. Venha a final em Portimão, dia 2 de março.

Todos queremos saber mais. E escolher bem.

A vida é feita de escolhas. E as escolhas devem ser informadas.

Há uns meses o Observador fez uma escolha: uma parte dos artigos que publicamos deixariam de ser de acesso totalmente livre. Esses artigos Premium, por regra aqueles onde fazemos um maior investimento editorial e que mais diferenciam o nosso projecto, constituem a base do nosso programa de assinaturas.

Este programa Premium não tolheu o nosso crescimento – arrancámos mesmo 2019 com os melhores resultados de sempre.

Este programa tornou-nos mesmo mais exigentes com o jornalismo que fazemos – um jornalismo que informa e explica, um jornalismo que investiga e incomoda, um jornalismo independente e sem medo. E diferente.

Este programa está a permitir que tenhamos uma nova fonte de receitas e não dependamos apenas da publicidade – porque não há futuro para a imprensa livre se isso não acontecer.

O Observador existe para servir os seus leitores e permitir que mais ar fresco circule no espaço público da nossa democracia. Por isso o Observador também é dos seus leitores e necessita deles, tem de contar com eles. Como subscritores do programa de assinaturas Observador Premium.

Se gosta do Observador, esteja com o Observador. É só escolher a modalidade de assinaturas Premium que mais lhe convier.

Partilhe
Comente
Sugira
Proponha uma correção, sugira uma pista: gcorreia@observador.pt
Humor

Eu canto, tu cantas, ele canta mal mas mal /premium

Tiago Dores
2.475

Foi uma lição de política, pois ao levar para o Programa da Cristina a mulher, os dois filhos e a nora, António Costa exemplificou na perfeição como funciona o Conselho de Ministros no governo do PS.

Só mais um passo

1
Registo
2
Pagamento
Sucesso

Detalhes da assinatura

Esta assinatura permite o acesso ilimitado a todos os artigos do Observador na Web e nas Apps. Os assinantes podem aceder aos artigos Premium utilizando até 3 dispositivos por utilizador.

Só mais um passo

1
Registo
2
Pagamento
Sucesso

Detalhes da assinatura

Esta assinatura permite o acesso ilimitado a todos os artigos do Observador na Web e nas Apps. Os assinantes podem aceder aos artigos Premium utilizando até 3 dispositivos por utilizador.

Só mais um passo

Confirme a sua conta

Para completar o seu registo, confirme a sua conta clicando no link do email que acabámos de lhe enviar. (Pode fechar esta janela.)