O compositor e cantor português Conan Osiris vai partir este sábado de manhã para Tel Aviv, onde irá representar Portugal no Festival Eurovisão da Canção. O autor e intérprete do tema “Telemóveis” vai atuar a 14 de maio (uma terça-feira) na primeira semifinal do concurso. Será o 15º concorrente a atuar nessa primeira semifinal.

Conan Osiris, que foi alvo de vários apelos para boicotar o Festival Eurovisão da Canção por este se realizar em Israel — incluindo do músico dos Pink Floyd, Roger Waters —, é neste momento o 12º favorito a vencer o festival, segundo preveem as casas de apostas internacionais. O concorrente holandês Duncan Laurence surge como grande favorito à vitória, seguido pelo russo Sergey Lazarev e, num terceiro grupo de favoritos, pelo suíço Luca Hänni, pelo italiano Mahmood e pelo sueco John Lundvik.

Salvador Sobral, o único concorrente português a vencer o Festival Eurovisão da Canção (em 2017, com o tema “Amar Pelos Dois”, composto pela irmã Luísa Sobral), já previu que Conan Osiris “tem tudo para ganhar” o concurso, porque “é o que eles querem: [alguém que tenha] impacto, que seja muito diferente e que se distinga. Tem tudo: a música, a maneira como ele está vestido, tem tudo para ganhar aquilo”. Tem, essencialmente, o fator “wow”, apontou ainda o cantor de “Amar pelos Dois”, assumindo que a música do autor de “Telemóveis” não faz “o seu estilo”.

Mais veemente ainda, o investigador português Jorge Mangorrinha, que tem dedicado alguns dos seus estudos ao Festival Eurovisão da Canção, descreveu Conan Osiris como “um génio” e “uma pedrada no charco” que pode vencer o festival. Para Mangorrinha, o tema do músico “não é uma obra-prima literária nem musical, do ponto de vista da construção clássica de uma canção”, como é “Amar pelos Dois”, mas é “uma originalidade, uma espécie de despertar de consciências”, que faz a diferença e merece já o apoio de grupos de fãs.

Em março, após vencer o Festival da Canção e tornar-se o próximo representante Portugal no concurso internacional de canções da Eurovisão, Conan Osiris desvalorizou os efeitos a longo prazo da divisão de opiniões que provocou com “Telemóveis”: “Na internet hoje acontece uma coisa e parece que é a última coisa a acontecer antes do apocalipse, de repente passado uma semana já ninguém se lembra daquilo. As coisas têm a sua polarização mas também é uma questão de prazo”, apontou.

Relativamente aos apelos para não atuar em Israel, devido às acusações de desrespeito pelos direitos humanos imputadas ao governo do país, Conan Osiris afirmou que o tema é “super difícil de analisar e eu não serei a pessoa mais indicada para a analisar sozinho. Estou permeável a receber informação e a estudar as coisas. Estou nesse processo de estudo. Infelizmente — aproveito para deixar a mensagem — há disciplinas de moral religiosa e católica e disciplinas de formação cívica na escola em que pouco se faz, mas não há disciplina de política, nem de política global e geopolítica. É uma lacuna que eu próprio acabo por ter e é uma falha que deveria ser colmatada pelo próprio sistema educacional. Nesse parâmetro, ainda estou a estudar as coisas”.