Festival Eurovisão da Canção

Conan Osiris é “um génio” e pode dar a Portugal a segunda vitória na Eurovisão, defende investigador

2.872

Jorge Mangorrinha é autor de vários estudos sobre a Eurovisão e não tem dúvidas: "Telemóveis" tem "originalidade" e depois da "estranheza inicial" entranha-se. Conan é "um potencial ganhador".

Conan Osiris venceu o festival da Canção e é o próximo representante de Portugal no Festival da Eurovisão

Pedro Pina/LUSA

O músico Conan Osíris pode vencer o Festival Eurovisão da Canção e protagonizar um apelo à paz em Israel, defendeu o investigador Jorge Mangorrinha, considerando que 50 anos depois da “Desfolhada”, Portugal volta a dar “uma pedrada no charco”.

Conan Osíris “já tem estatuto e visibilidade para protagonizar um apelo de paz”, afirmou à agência Lusa Jorge Mangorrinha, autor de vários estudos sobre a Eurovisão, considerando que o “acolhimento do ponto de vista mediático e artístico” que o concorrente português tem granjeado faz dele “um potencial ganhador”.

A realização do concurso em Israel “é desde logo um fator de polémica, pelo que um país concorrente tem um desafio acrescido para se evidenciar”, sustentou o investigador, defendendo que Conan Osíris e a canção “Telemóveis” são uma “boa resposta” a esse desafio.

Conan Osíris (nome artístico de Tiago Miranda) apresenta ao mundo “um mix de fado, gipsy, arábico, dança, bem como uma história com grande simplicidade de meios, mas eficaz”, considerou.

O tema “não é uma obra-prima literária nem musical, do ponto de vista da construção clássica de uma canção”, como é “Amar pelos Dois”, mas é, na opinião do estudioso, “uma originalidade, uma espécie de despertar de consciências”, que faz a diferença e merece já o apoio de grupos de fãs.

São estes grupos de fãs, com “mentes abertas à novidade e ao arrojo” que “constroem a opinião internacional”. E nesse campo Conan salienta-se por ser “uma raridade” e por ter, segundo Mangorrinha, “estética musical e essencialmente performativa próprias”, o que leva a que a “estranheza inicial” se converta em “adesão”.

“Um génio” que pode dar a Portugal “uma segunda vitória”

Para o académico, Conan Osíris é “um génio, que com simplicidade faz muito”, apesar de, como é próprio dos génios, “poder ser incoerente e criar sentimentos antagónicos de crítica feroz ou entusiasmo”.

No entanto, acrescentou, “tem assinatura própria e isso, no campo das artes, é o que faz futuro”. E, portanto, poderá fazer com que “Portugal arrisque uma segunda vitória” ou “uma das melhores posições de sempre”.

Tudo porque o concorrente português “afronta os preconceitos, tem visibilidade e uma proposta com manifestações de promoção surpreendentes”, vincou Mangorrinha.

A política, no sentido do confronto com problemas sociais, “sempre existiu desde os anos 1960”, mas, durante as diferentes fases do concurso, “o conceito de canção competitiva foi mudando”.

Hoje, sublinhou, “os aspetos mais valorizados passam também pela componente visual e pela mensagem sociopolítica”, embora o regulamento refira que “nenhuma letra, discurso, gestos de natureza política ou semelhante devam ser permitidos” na Eurovisão.

A primeira “pedrada no charco” de Portugal foi há 50 anos, quando, a 29 de março de 1969, se apresentou, em Madrid, com o tema “Desfolhada”.

“Foi a primeira canção com conteúdo de intervenção em contexto do festival da RTP, com metáforas pelo meio”, afirmou o investigador, lembrando que se “seguiram outros festivais e outras canções com mensagem sociopolítica, antes e depois do 25 de Abril”, bem como na Eurovisão, em que se registaram “casos semelhantes em muitos dos anos”.

Mas, para o investigador, “é inevitável compreender e aceitar as referências políticas e sociais e deixar que isso seja um fator de valorização e não um impedimento”, num festival que, mais do que um concurso, “é um programa de televisão à escala planetária, em que a superação é tentada, ano após ano, nas tecnologias da organização e na qualidade distintiva dos concorrentes”, concluiu.

Todos queremos saber mais. E escolher bem.

A vida é feita de escolhas. E as escolhas devem ser informadas.

Há uns meses o Observador fez uma escolha: uma parte dos artigos que publicamos deixariam de ser de acesso totalmente livre. Esses artigos Premium, por regra aqueles onde fazemos um maior investimento editorial e que mais diferenciam o nosso projecto, constituem a base do nosso programa de assinaturas.

Este programa Premium não tolheu o nosso crescimento – arrancámos mesmo 2019 com os melhores resultados de sempre.

Este programa tornou-nos mesmo mais exigentes com o jornalismo que fazemos – um jornalismo que informa e explica, um jornalismo que investiga e incomoda, um jornalismo independente e sem medo. E diferente.

Este programa está a permitir que tenhamos uma nova fonte de receitas e não dependamos apenas da publicidade – porque não há futuro para a imprensa livre se isso não acontecer.

O Observador existe para servir os seus leitores e permitir que mais ar fresco circule no espaço público da nossa democracia. Por isso o Observador também é dos seus leitores e necessita deles, tem de contar com eles. Como subscritores do programa de assinaturas Observador Premium.

Se gosta do Observador, esteja com o Observador. É só escolher a modalidade de assinaturas Premium que mais lhe convier.

Partilhe
Comente
Sugira
Proponha uma correção, sugira uma pista: observador@observador.pt

Só mais um passo

1
Registo
2
Pagamento
Sucesso

Detalhes da assinatura

Esta assinatura permite o acesso ilimitado a todos os artigos do Observador na Web e nas Apps. Os assinantes podem aceder aos artigos Premium utilizando até 3 dispositivos por utilizador.

Só mais um passo

1
Registo
2
Pagamento
Sucesso

Detalhes da assinatura

Esta assinatura permite o acesso ilimitado a todos os artigos do Observador na Web e nas Apps. Os assinantes podem aceder aos artigos Premium utilizando até 3 dispositivos por utilizador.

Só mais um passo

Confirme a sua conta

Para completar o seu registo, confirme a sua conta clicando no link do email que acabámos de lhe enviar. (Pode fechar esta janela.)