O festival Outono Vivo, que decorre de sexta-feira a 10 de novembro na Praia da Vitória, nos Açores, presta uma homenagem à escritora Sophia de Mello Breyner, no ano em que se assinala o centenário da sua morte.

É um nome que é lembrado por todas as pessoas e é justo neste festival literário fazermos esta homenagem”, adiantou, em declarações à Lusa, o vice-presidente da Câmara Municipal da Praia da Vitória, Carlos Armando Costa.

A efeméride é assinalada com um espetáculo musical dirigido pelo neto da escritora Martim Sousa Tavares, inspirado no conto “A Menina do Mar”, com música de Fernando Lopes-Graça, que conta com as participações da Orquestra do Conservatório de Angra do Heroísmo e da atriz Judite Parreira. “O neto dela é maestro, preparou um espetáculo com os músicos do conservatório de Angra e com leituras de uma artista local, a Judite Parreira. É um espetáculo que envolve muito o meio local também”, salientou Carlos Armando Costa.

Criado há 15 anos com o objetivo de dinamizar a cidade da Praia da Vitória nos meses de inverno, o Outono Vivo pretende agora ser também um atrativo turístico da ilha Terceira em época baixa, sobretudo para o mercado nacional.

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A grande feira do livro no país é a feira de Lisboa e depois há outras feiras pelo país inteiro, mas andar de avião e vir aos Açores dá outra mística. E depois ainda, tendo oportunidade de estar próximo e de falar diretamente com pessoas que se calhar lá fora têm mais dificuldade, torna o destino e esta época interessantes”, salientou o autarca.

O município decidiu, por isso, apostar na diversificação da programação cultural, que para além de lançamentos de livros e de mesas redondas sobre literatura, inclui espetáculos musicais e de dança, peças de teatro, cinema, gastronomia e exposições.

“Este ano vamos dar um passo mais em frente, que se calhar é um bocadinho arrojado, em virtude de vivermos numa ilha. Temos uma população reduzida e temos preparada uma oferta bastante diversa. Sem termos a oferta, se calhar não temos a procura e, por isso, resolvemos este ano experimentar a oferta para ver a que é que as pessoas aderem e para ver se de facto vale a pena esta aposta no futuro”, sublinhou Carlos Armando Costa.

A feira do livro, com cerca de 50 mil exemplares, continua a ser, ainda assim, o principal atrativo do Outono Vivo, e há mesmo “pessoas que esperam o ano todo para comprarem os livros naquela altura”.

Para garantir a adesão no futuro, o município leva vários autores às escolas e, os alunos, à feira do livro. “O nosso objetivo é lançar a semente nos mais novos, para que de futuro isso tenha muito mais adesão. Temos durante os dias todos os autocarros a passar pelas diferentes escolas para os trazer à feira, para eles terem um contacto com os livros, e cada aluno do primeiro ciclo recebe um ‘voucher’ de um euro, com o qual podem comprar um livro”, sustentou Carlos Armando Costa.

Entre lançamentos de livros e mesas redondas, vão passar pelo Outono Vivo, entre outros autores, Miguel Sousa Tavares, José Luís Peixoto, Isabel Stilwell, Joel Neto, Ana Cristina Leonardo, David Machado, Jaime Oliveira Martins, Paulo Moura, Gonçalo M. Tavares, Bagão Félix, Laborinho Lúcio, Júlio Isidro, Fátima Lopes, Luísa Castel-Branco, Mário Augusto, Elisabete Jacinto, António Manuel Ribeiro, Maria João Fialho Gouveia, Henrique Levy, Luís Osório, Isabel Zibaia Rafael, Gustavo Carona, Luís Portela, Alexandra Vasconcelos, Urbano Bettencourt e Álamo Oliveira.

Sobem ao palco do Auditório do Ramo Grande três peças de teatro: “E Depois do Amor – Um Encontro com Marilyn Monroe”, de Fernando Duarte, dirigida pela brasileira Marília Pêra, com as atrizes Danielle Winits e Sara Freitas (natural da ilha Terceira); “Meninas Exemplares”, a partir de textos de Maria Velho da Costa, com Cristina Carvalhal, Nádia Yracema, Sara Carinhas e Madalena Palmeirim; e “Para Atravessar Contigo o Deserto do Mundo”, abordagem da correspondência entre Sophia de Mello Breyner e Jorge de Sena — outro escritor em centenário –, a partir do poema homónimo de Sophia, com Lúcia Moniz e Pedro Lamares.

Será exibido também um ciclo de três filmes de Charles Chaplin e filmes escolhidos pela atriz Soraia Chaves e pelo crítico de cinema Mário Augusto, no ciclo “O Filme da Minha Vida”, em parceria com o Cine-Clube da Ilha Terceira.

Quanto à música, destaca-se o concerto de António Bulcão e Mário Laginha, para assinalar os 60 anos de vida e 45 de canções do músico faialense, e o lançamento de um álbum do músico terceirense Luís Bettencourt, com poesia musicada da escritora micaelense Natália Correia, a autora de “Mátria” e “Não Percas a Rosa”.