O poeta Manuel Resende nascido em 1948, no Porto, morreu esta quarta-feira, em Lisboa, disse a editora do autor, Livros Cotovia, que o define como “um dos maiores poetas portugueses”. Manuel Resende “dedicou grande parte da vida à poesia, quer como autor, quer como tradutor”, recorda a editora.

A Poesia Reunida do escritor, que juntou os seus livros editados e inéditos, foi publicada em 2018, “70 anos depois de ter nascido, e 50 anos depois do maio de 68”, como disse então Manuel Resende. Numa entrevista ao Jornal de Letras (JL), no ano passado, considerou o Maio de 68, como símbolo da sua geração”: “Tinha na altura 20 anos. Marcou-me muito. Foi uma rutura total com a sociedade em que nasci, uma luz de revolta e insubmissão, sobretudo para quem, como eu, assumia uma filiação surrealista.”

Licenciado em Engenharia, que nunca exerceu, era apontado como um especialista em grego moderno, tendo sido uma das suas últimas traduções os poemas completos de Konstantínos Kaváfis. Foi também tradutor de obras como O Capital, de Karl Marx, e A Caça ao Snark, de Lewis Carroll. Trabalhou como jornalista durante seis anos, no Jornal de Notícias, e foi tradutor de instituições da União Europeia. Literariamente estreou-se em 1983, com Natureza Morta com Desodorizante.

A “Poesia Reunida” publicada pela Cotovia em 2018

Sobre este livro disse: “Dei-lhe esse título para não dizer coisa nenhuma. Foi o mais esquisito que consegui arranjar. Há naturezas-mortas com violinos, açucenas, frutas… A minha tem um desodorizante”. Na sua obra, destacam-se ainda Em Qualquer Lugar (1998) e O Mundo Clamoroso, Ainda (2004).

Em entrevista ao Público, em 2018, admitia que não tinha um estilo: “O meu estilo é aceitar tudo”. Da mesma forma, citava como influências nomes tão distantes como Sófocles ou os Beatles, e tudo o que podia estar no meio de ambos. “Eu atiro aquilo para lá e de vez em quando começa a sair um soneto, compreende?”, dizia na mesma entrevista em que haveria de confessar: “A poesia é muita rara para ser desperdiçada com porcarias. Essas coisas são o amor, a liberdade…”