Miguel Afonso, vogal da Direção do Sporting que foi agredido este domingo à tarde no interior do Multidesportivo de Alvalade, e Filipe Osório de Castro, vice que foi alvo de insultos e tentativa de agressão nesse mesmo momento, apresentaram esta tarde queixa na PSP de Telheiras, confirmou o Observador. Em paralelo, o clube irá também constituir-se assistente no processo que irá seguir os seus trâmites legais habituais nestas situações. Frederico Varandas, presidente dos leões, falará de novo sobre o tema esta noite, no Jornal da Noite da TVI.

A manifestação foi pacífica, a agressão a um vogal mudou tudo. “Não mandam nem nunca mais voltam a mandar”, diz Varandas

Fazendo uma espécie de reconstituição de tudo o que se passou, e ao contrário do que chegou a ser ventilado na primeira corrente de informações que circularam, não houve nada de anormal no interior e exterior do Pavilhão João Rocha (que estava com um dispositivo policial reforçado) depois do dérbi de futsal entre Sporting e Benfica, que terminou poucos minutos antes das 16h. Miguel Afonso, a filha e Filipe Osório de Castro permaneceram uns minutos após o apito final no recinto e seguiram depois a pé em direção do Multidesportivo, onde já estavam concentradas centenas de pessoas para a manifestação contra a atual Direção que iria decorrer.

De acordo com alguns vídeos e imagens que entretanto foram surgindo nas redes sociais ou grupo fechados do Facebook, a propósito da manifestação em si e não sobre o incidente, os dois dirigentes passaram por todos esses adeptos que se concentravam na zona circundante do Multidesportivo sem qualquer tipo de problema por volta das 16h15, entrando depois no interior do edifício onde tiveram uma ligeira paragem para fazerem algum tempo tendo em conta que faltava ainda mais de uma hora para o início do encontro da equipa de futebol com o Portimonense. De seguida, e quando se dirigiam para os elevadores do piso 0, começaram por ser insultados por um primeiro adepto que se encontrava perto dessa entrada, a que se juntaram depois outros.

No entanto, e segundo a TVI, os dois dirigentes terão dito na queixa apresentada que já à saída do Pavilhão João Rocha foram ameaçados. “Se não se demitirem, vão aparecer todos partidos, vamos atrás de vocês e vão levar”, terão dito os adeptos que se aproximaram de Filipe Osório de Castro e Miguel Afonso, num facto desconhecido para as autoridades que marcaram presença no local e que não se aperceberam de qualquer situação.

Até à zona dos elevadores que dão acesso às garagens mas também ao piso 3 onde se encontram vários serviços do clube, escritórios e a SAD (a que apenas se consegue aceder com a passagem de um cartão próprio), continuaram os insultos em tom ameaçador, havendo depois já ao pé dos elevadores as agressões (pontapés) a Miguel Afonso, uma eventual tentativa a Filipe Osório de Castro e também os insultos à filha do vogal do Conselho Diretivo. Os seis indivíduos referidos por Frederico Varandas após o jogo com o Portimonense foram retirados por Assistentes de Recinto Desportivo (um estava presente no local, outros vieram de seguida), saindo depois pela porta principal do Multidesportivo sem que houvesse qualquer tipo de identificação ou “confusão” após o sucedido. Pelo menos uma dessas pessoas teria identificação alusiva à claque Juventude Leonina, como foi referido pelo clube. Na queixa, Filipe Osório de Castro terá dito que também foi agredido mas sem gravidade.

Segundo informações recolhidas pelo Observador, as câmaras de vigilância do CCTV do Multidesportivo não terão conseguido apanhar toda a confusão na parte final tendo em conta o ângulo em que se encontram mas têm não só a chegada de todos os intervenientes por uma espécie de rampa que existe de acesso à zona dos elevadores como a retirada dos adeptos pelos Assistentes de Recinto Desportivo, sendo percetível aí a identificação dos indivíduos. As autoridades deverão agora pedir essas imagens ao Sporting no âmbito do processo, além de um levantamento das testemunhas que estavam presentes no local e que assistiram ao sucedido.

Em termos internos, deverá também ser aberto um inquérito para se perceber se os adeptos em causa têm filiação ao clube, o que poderá levar à abertura de um processo disciplinar que terá como sanção máxima a expulsão da condição de sócio. Já a Juventude Leonina, que na noite deste domingo anunciou que iria fazer uma reunião para tomar uma posição em relação ao sucedido, repudiou e condenou qualquer ato de violência, podendo agora tentar perceber se existe alguma ligação entre os elementos em causa e a própria claque, na condição de sócio ou não sócio do Grupo Organizado de Adeptos que viu terminar o protocolo com o clube no final de outubro.

“A seguir ao ataque de Alcochete, já presenciámos uma invasão de garagem, uma invasão de bancada, ao arremesso de pedras que atingiram e danificaram o carro de um elemento do Conselho Diretivo. Hoje, dois elementos e a filha de um deles sofreram uma emboscada por cerca de seis elementos cobardes. Pontapearam um elemento do Conselho Diretivo, pontapearam um segurança, insultaram e cuspiram uma miúda de 16 anos”, referiu Frederico Varandas no domingo, falando na zona mista com vários elementos do Conselho Diretivo a seu lado.

“Isto é o que se tem vindo a passar há mais de dez anos e até fez com que um presidente caísse. Já a direção da claque mantém-se, sempre. Saímos de Portimão líderes do Campeonato e fui insultado. O que mudou? Os privilégios que estes senhores não têm, que com esta Direção nunca mais voltam a ter. E se pensam que vamos recuar, não. Nós amamos o clube que não é deles, é dos sócios. Não está em causa nenhum resultado desportivo porque estes senhores julgam que mandam no Sporting mas não mandam mas nunca mais voltam a mandar”, concluiu o presidente verde e branco, recusando depois responder a questões da imprensa na zona mista. Este noite, o número 1 leonino irá voltar a falar do tema no Jornal da Noite da TVI.