Seninho foi um dos jogadores mais marcantes do FC Porto ao longo da década de 70, tendo conquistado um Campeonato e uma Taça de Portugal ao serviço dos dragões. Morreu esta madrugada, no Hospital de São João do Porto, aos 71 anos feitos a 1 de junho, vítima de complicações pulmonares.

“Lamento a perda de um desportista de eleição, como tem acontecido ao longo da nossa vida, infelizmente é isto. Tem um trajeto de grande qualidade dentro do campo não só fora dele, há que lamentar a perda de uma pessoa como ele”, comentou Sérgio Conceição, técnico dos dragões, na conferência para o jogo do Belenenses SAD.

Chegado às Antas em 1969, Arsénio Gonçalves Jardim, que sempre foi conhecido como Seninho, jogou ao longo de sete temporadas nos azuis e brancos, até 1972 e mais tarde entre 1974 e 1978, tendo pelo meio passado pela equipa angolana do FC Moxico – por causa do serviço militar, tendo sido também campeão nacional. Foi lançado em setembro de 1969 pelo romeno Elek Schwartz, num empate a três frente à Académica nas Antas. Nesse período representou a Seleção em quatro ocasiões, tendo marcado um golo.

No total, o antigo extremo e avançado realizou um total de 149 jogos ao serviço do FC Porto, tendo marcado 34 golos. Esteve no plantel que quebrou o longo jejum de 19 anos sem Campeonatos em 1978, tendo ganho também a Taça de Portugal na temporada anterior. Em 1978, naquele que foi o ano a seguir à reforma da grande figura da equipa, o brasileiro Pelé, mudou-se para o New York Cosmos a troco de 20 mil contos (uma fortuna na altura), tendo terminado a carreira numa outra equipa norte-americana, os Chicago Sting.

Para isso muito contribuiu um dos melhores encontros de Seninho pelos azuis e brancos, na segunda mão da segunda eliminatória da Taça dos Vencedores das Taças, a 2 de novembro de 1977: após um 4-0 nas Antas diante do poderoso Manchester United com hat-trick de Duda e mais um golo de Oliveira, os ingleses conseguiram o objetivo de marcar cinco golos (d0is de Murça na própria baliza, além do bis de Coppell e mais um de Nicholl) mas o avançado nascido em Sá da Bandeira também bisou, dando a passagem aos quartos da competição onde os dragões acabariam por cair frente aos belgas do Anderlecht (1-0 em casa, 0-3 fora).

“Segundo me disse depois o Pelé, eles já me conheciam pois tinham vindo a Portugal ver alguns jogos mas ninguém soube. No final do jogo, fiquei a saber que os olheiros do Real Madrid, do Atl. Madrid, do AC Milan e até mesmo o próprio Manchester United tinham gostado da minha exibição. Fiquei naturalmente entusiasmado. Mas foi na manhã seguinte ao jogo de Manchester que o representante do Cosmos me colocou uma proposta fabulosa à minha frente. Meio milhão de dólares e um contrato para três anos. Era mesmo muito dinheiro para aquela época e aceitei de imediato, mas também avisei que tinha uma entidade patronal que tinha o direito de opção sobre o meu passe e que teria primeiro de falar com o FC Porto. Tive algumas dificuldades em sair do FC Porto, mas a situação acabou por se resolver para bem de todas as partes”, recordou em entrevista ao jornal Record.