Primeiro um jogo a sério, depois a seriedade que mudou por completo o jogo. O grupo A do Campeonato do Mundo de hóquei em patins começou com o complicado triunfo da Espanha frente a Itália, depois de sair a perder ao intervalo e conseguir apenas chegar ao 3-2 final graças a um hat-trick de Pau Bargalló, jogador do Benfica, e teve depois um verdadeiro “atropelo” de Portugal diante da Suíça, com o hat-trick de Miguel Rocha no início do segundo tempo a empurrar a Seleção para uma goleada com dois dígitos (10-0). Reinaldo Ventura, selecionador em estreia depois de ter disputado inúmeros Mundiais e Europeus como jogador, mostrava-se satisfeito com a resposta nacional no encontro inaugural mas admitia que era a partir de agora que ia “começar” realmente o Mundial, com um duelo frente à Espanha para definir o grupo.

Duas mãos cheias de esperança para o resto: Portugal goleia Suíça no arranque do Mundial de hóquei em patins

“Devo enaltecer o esforço dos atletas apesar de o resultado ter-se ido avolumando. Mostraram um grande compromisso com o nosso sistema. Defensivamente estiveram impecáveis e acabar o jogo sem golos sofridos foi também um objetivo cumprido por nós. Foi um encontro que serviu para muita coisa, também para preparar o jogo de amanhã [terça-feira] e manter o ânimo lá em cima. Nisso foi muito positivo. A diferença também teve muito a ver com a nossa postura, que levámos o jogo muito a sério. Tentámos, do início ao fim, ter uma postura correta que nos levou a este resultado”, comentara o selecionador depois da goleada.

“A partir de agora que a exigência aumenta, o nosso compromisso tem de ser total e não estou à espera de outra coisa da parte dos meus atletas. Por isso, será um jogo muito interessante. Um duelo contra uma equipa que se equivale à nossa, portanto, vamos tentar estar à altura”, acrescentou na antecâmara de uma partida que recuperava a meia-final da última edição de 2024, com triunfo para os espanhóis nas grandes penalidades, mas que tinha caído para o lado de Portugal nos confrontos recentes, com a vitória nas meias-finais do último Europeu e dois triunfos na recente Taça das Nações que foi jogada no mês de abril.

A Seleção até deu bons sinais no arranque da partida, com várias ações junto da baliza de Càndid Ballart que nem por isso foram conseguindo desfazer o nulo. Reinaldo Ventura foi o primeiro a parar a partida em busca de algo mais que quebrasse esses problemas ofensivos mas acabou por ser a Espanha a sair por cima pela sua eficácia, inaugurando o marcador num remate cruzado de meia distância de Eloi Cervera (8′) e aumentando pouco depois a vantagem por Nil Roca a concluir uma jogada bem desenhada com assistência atrás da baliza para o remate que sofreu ainda um desvio antes de bater Pedro Henriques (9′). Os espanhóis entravam na sua zona de conforto, apostando numa defesa sólida sempre à procura de potenciais saídas em transição que permitissem dilatar a vantagem, mas o 2-0 manteve-se até ao intervalo com muito demérito à mistura de Portugal, que chegou a ter situações de 1×0 por Hélder Nunes para bater Ballart sem efeitos práticos.

Ainda houve uma confusão nos derradeiros segundos com Pol Manrubia mas ambos os conjuntos acabaram por seguir para os balneários retomando a normalidade, com Reinaldo Ventura à procura de uma forma para desbloquear a organização defensiva espanhola e reentrar na partida. A ideia podia ser essa, a realidade foi outra: logo a abrir o segundo tempo, Marc Grau aumentou para 3-0 no pior timing possível para a Seleção, que acusou e muito a forma como o terceiro golo foi consentido. Pedro Henriques foi evitando uma margem mais dilatada no resultado perante uma Espanha que estava melhor do que Portugal a todos os níveis mas ainda houve uma janela de oportunidade depois de um tiro de longe de Miguel Rocha para o 3-1 (41′).

Portugal ainda teve uma hipótese de ouro para reentrar na partida com um livre direto pela décima falta da Espanha mas o remate rasteiro de Miguel Rocha acabou por ser travado por Càndid Ballart, num momento que acabou por ser determinante para o resto da partida (43′). Portugal ainda conseguiu reduzir por Gonçalo Alves jogando em power play após cartão azul a Marc Grau (50′) mas sofreu mesmo a primeira derrota no Mundial, ficando com o primeiro lugar do grupo A “hipotecado” e tendo agora de ganhar ou pelo menos empatar com a Itália, esta quarta-feira, para segurar o segundo lugar, que não evitará o cruzamento com o líder do grupo B nas meias-finais da competição. A França, que surpreendeu a Argentina (2-1), está nesta fase no primeiro lugar do outro grupo, devendo mesmo entrar nos quartos de final nessa condição.

[Annie conhece o ministro do Interior de Cuba há muito tempo, mas a paixão que os une é relativamente recente. É justamente nessa altura que Zé Manel, como ela lhe chama, vai ser implicado num dos maiores escândalos da liderança de Fidel Castro. O “Caso Ochoa” envolve droga, fuzilamento, prisão e o narcotraficante mais conhecido do mundo: Pablo Escobar. Já pode ouvir o quinto episódio de “Os Escândalos de uma Revolucionária”, o novo Podcast Plus do Observador. Está disponível no site do Observador, na Apple Podcasts, no Spotify e no Youtube.]