Um ex-guarda das SS, atualmente com 93 anos, foi condenado a uma pena suspensa de dois anos por homicídio em massa, naquele que pode ter sido o último veredito num julgamento de culpados do Holocausto na Alemanha.

O condenado, identificado como Bruno Dey, foi dado como culpado no homicídio de 5.230 pessoas no campo de concentração de Stutthof, ou Sztutowo, na Polónia, então sob ocupação da Alemanha nazi.

O julgamento decorreu nos últimos nove meses, em sessões que foram das duas às três horas de duração, atendendo ao estado de saúde frágil do condenado. Aquando da leitura da sentença, a juíza sublinhou que, apesar de Bruno Dey ter reconhecido os crimes, o condenado não demonstrou sentimento de culpa. “Você acredita que foi um observador”, disse a juíza, de acordo com a Deutsche Welle.

Desta forma, a juíza deu razão ao procurador, Lars Mahnke, que não aceitou a tese da defesa de que Bruno Dey era um membro inócuo de um sistema muito maior do que ele próprio. “Quando se faz parte de uma maquinaria de homicídios em massa, não basta olhar para o lado”, disse o procurador.

Na segunda-feira, na sessão em que a juíza emitiu o veredito, Bruno Dey pediu desculpa, referindo que não percebeu antes o alcance das suas ações. “Os depoimentos das testemunhas e as avaliações de especialistas levaram-me a entender o alcance do horror e do sofrimento”, disse. “Hoje quero pedir desculpa a todos os que passaram pelo inferno desta loucura. Uma coisa destas nunca podia ter acontecido.”

Bruno Dey foi destacado para aquele campo de concentração com apenas 17 anos, em agosto de 1944, onde trabalhou como guarda. Ao todo, morreram cerca de 65 mil pessoas, a maioria judeus, naquele campo de concentração durante todo o Holocausto.

Atendendo à idade do ex-guarda quando entrou para aquele campo de concentração, o julgamento decorreu num tribunal de menores.

A sentença foi criticada por Christoph Heubner, do Comité Internacional de Auschwitz. “É insatisfatória e vem demasiado tarde”, disse, segundo o The New York Times. “O que é tão perturbante para os sobreviventes é que este acusado não utilizou os vários anos do pós-guerra da sua vida para refletir sobre as coisas viu e ouviu.”