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Cascata de água, baloiços e trampolins. Este hotel para cães e gatos soma prémios e distinções internacionais

O Domi Canis Cattus inaugurou no final de 2019 e tem 43 quartos para cães e 13 para gatos. É o sonho de um "pequeno investidor" que se está "a tornar numa referência arquitetónica".

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Quando, em 2015, a proposta chegou ao escritório de Raulino Silva, em Vila do Conde, o arquiteto não teve como não achá-la inusitada: afinal, não existem no mundo assim tantas referências de hotéis projetados à imagem e semelhança de um edifício habitacional para cães e gatos, quanto mais em Portugal. O tipo de obra era pouco comum: “Foi-nos pedido que fizéssemos um edifício que desse todo o conforto térmico e que fosse fácil de lavar, onde os animais se sentissem em casa”, resume ao Observador.

Num terreno grande e isolado, também em Vila do Conde, foi criado o Domi Canis Cattus, inaugurado no final do ano passado após dois anos de construção e outros dois de projeto. O resultado, depois de um acompanhamento minucioso, está à vista: o hotel é grande, simples e bem iluminado, enumera o seu criador. A predominância das janelas rasgadas é de tal forma evidente que a luz natural que banha a estrutura arquitetónica é um dos ex-líbris.

O projeto em números

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Área:  797 metros quadrados área de bruta de construção
Ano de finalização: 2019
Período de construção: projeto arrancou em 2015 e construção ficou concluída em 2019
Detalhe: as escadas revestidas em microcimento permitem que os cães subam e desçam facilmente os degraus
Arquitetos: Raulino Silva Arquitecto

O hotel está dividido em três edifícios: um para os cães e outro para os gatos, já que a preocupação de os separar foi tida em conta desde o início. Na terceira estrutura acontece o atendimento ao público e à receção soma-se a loja, o consultório médico veterinário, a tosquia, a zona de banhos e ainda aquela administrativa. Existem 43 quartos para cães e 13 para gatos.

No exterior, a propriedade goza de quatro jardins com mais de 3000 mil metros quadrados, espaço suficiente para, quando o tempo assim o permite, os cães poderem correr e brincar à vontade (na zona interior há baloiços, trampolins e acessórios vários para estimular os animais). Há ainda um parque interior com direito a cascata de água e uma roda gigante, no edifício dos gatos.

O hotel inaugurado no final de 2019 goza de imensa luz natural dadas as muitas janelas; tem, ao todo, 43 quartos para animais e 13 para gatos

Joao Morgado

A casa grande que dá guarida a cães e gatos foi concebida com materiais e mão de obra local e segue a linguagem de outras habitações desenhadas pelo pequeno escritório de arquitetura que soma 10 anos de experiência. Há preocupações quanto à suficiência energética espalhadas pela obra: painéis solares que aquecem as águas sanitárias, vidros duplos, estores exteriores que permitem controlar a luz do sol e ainda isolamento térmico.

Um detalhe curioso do projeto são as escadas construídas na parte detrás do edifício de dois pisos que alberga os cães. A forma como foi desenhada permite que os animais consigam facilmente subi-las e descê-las sem se assustarem, uma vez que o desnível não é percetível à escala dos amigos de quatro patas. O revestimento em microcimento permite ainda que as escadas não fiquem muito sujas a cada utilização.

A particularidade do projeto chamou à atenção internacional, com o hotel a somar variadíssimos prémios de arquitetura (incluindo nomeações e menções honrosas) — o mais recente, coisa de poucos dias, é o galardão International Architecture Award 2020, iniciativa do The Chicago Athenaeum – Museum of Architecture and Design, nos Estados Unidos da América.

É uma atenção bem-vinda, sobretudo tendo em conta a origem do projeto. Raulino Silva conta que a ideia de criar um hotel para cães e gatos foi de Rui Costa, dono de uma loja de acessórios de animais em Vila do Conde, um “pequeno investidor” cujo sonho está a “tornar-se numa referência arquitetónica”.

As escadas são um elemento curioso do projeto que tem somado várias distinções internacionais

Joao Morgado

Rui Costa trabalha na área de prestação de serviços para animais de estimação há cerca de 20 anos. Antes de o hotel surgir já ele e a mulher tomavam conta de cães em casa, “a título particular, como brincadeira”. Ao mesmo tempo que cuidavam dos animais de “amigos de amigos”, pensavam um dia construir algo para cães e gatos “onde nós próprios gostássemos de dormir”. O desafio foi, então, feito a Raulino Silva: “Quero quartos para os cães”, exigiu.

O hotel funcional, construído com materiais usados na arquitetura moderna, tem serviços de day care, ou seja, os animais são recolhidos de manhã e regressam a casa ao final do dia, onde chegam mais calmos. Destaque ainda para o trabalho feito ao nível dos treinos, do grooming e dos seminários temáticos. Ao todo, cinco pessoas trabalham neste projeto.

“Houve vontade em criar um edifício onde os animais pudessem ficar confortáveis, houve preocupação com as condições”, assegura Raulino Silva, explicando ainda que a obra foi feita com “poucos recursos, muito pouco dinheiro e sacrifícios”. Um esforço que parece ter valido a pena.

“Portfólio” é uma viagem ao pormenor dos ambientes, espaços e projetos mais inspiradores.

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