Basta um QR Code e pode conversar com uma parede revestida de arte. É pelo menos esta a premissa da Talk2Me, a plataforma que nasceu da colaboração entre o Centro de Inovação do Turismo (NEST), sediado na Covilhã, o WOOL (Covilhã Urban Art Fest) e a agência Uzer. Quando se torna cada vez mais comum ver empenas de edifícios preenchidas com arte urbana, porque razão haveria o diálogo entre pessoa, arte ou produto ser meramente visual? Foi nisto que pensou Roberto Antunes, diretor executivo do NEST, numa altura em que obras de artistas como AKACorleone, Vhils, Kruella D’Enfer, Tamara Alves ou Bordalo II ocupam lugares de destaque em várias localidades portuguesas.

E como é que se “conversa” com uma obra de arte? Através de um chatbot, que nos dá toda a informação contida num produto, atração ou negócio turístico. Quais os materiais utilizados, quem é o autor, qual o significado, que outras obras podem ser vistas ou, no caso de um produto, uma informação mais detalhada sobre a origem do mesmo, bastando para isso apontar o smartphone ao QRCode presente.

“O início disto é darmos conta de que temos imenso património: quer edificado, cultural, paisagístico e que tem pouca informação”, diz Roberto Antunes ao Observador. “Pensando nisso, estivemos atentos ao que poderiam ser soluções simples, que não requeressem grandes desenvolvimentos tecnológicos nem grandes investimentos envolvidos, para começarmos a ter mais conteúdo desse”.

O chatbot funciona como um chat com o qual se conversa sobre a atração turística

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A ideia levou entre três e quatro meses a maturar e já tinha sido alicerçada pela Câmara Municipal de Matosinhos, antes da Talk2Me ser uma realidade, com a iniciativa Talking Streets. Através do QR Code e da aplicação do Messenger, era possível estabelecer uma conversa com uma figura que explicava a toponímia da cidade.

“Com base nisso, fizemos o desafio à agência Uzer para aplicar essa mesma lógica a um produto turístico”, o que agora pode ir de um mural de artista a um produto regional, ou mesmo a um espaço.

A execução foi mais demorada. A Covilhã seria o tubo de ensaio da plataforma mas era necessário dar início à catalogação das obras de arte urbana espalhadas pela cidade o que, por sua vez, implicava que os respetivos autores fossem contratados para recuperar a informação que havia de constar na Talk2Me.

“Tem de haver no backoffice a informação sobre as áreas a ‘conversar’. É uma conversação predefinida, com hipóteses de pergunta-resposta, não uma conversa aberta. E isto, além das referências de produto, de arte, etc, pode dar-te recomendações sobre pontos de interesse próximos, por exemplo. Quem tem o produto e quer criar este conteúdo tem de criar opções, incluir o que acha que é cativante”, diz o diretor executivo do NEST.

Com uma equipa que no total não excede as dez pessoas, “o projeto acabou por ser conceptualizado pelo NEST: a auscultação de quem poderiam ser os provedores também, e o contacto direto com quem continha o conteúdo também fomos nós a tratar. Portanto é uma iniciativa totalmente nossa”, esclarece Roberto, que fala de um desenvolvimento completamente “autónomo no que toca a apoios”.

Empena de um edifício fintado pelo artista urbano Pantónio

Sobre o futuro imediato da Talk2Me, existe uma clara intenção de fazer chegar a plataforma a outros destinos no país, já que este é um projeto que, mais do que de enriquecimento cultural, moldado para turismo, é uma forma de valorizar o produto nacional.

“Em breve vamos lançar um serviço que vem facilitar ainda mais, ou seja: o detentor de um determinado produto pode, por conta própria, colocar de pé esta solução. Através de uma porta que estará num site, por um custo de adesão baixo, qualquer empreendedor da área turística pode fazer a criação deste modelo aplicado ao seu produto”.

“O que queremos é criar um sistema que nos permita ter iniciativas e, neste caso, a grande procura foi tangibilizar uma solução aplicável a um custo baixo e que se pode massificar no turismo. Este é um dos exemplos que gostaríamos de colocar o serviço e micro e médias empresas”, termina.