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A 15ª edição do LEFFEST — Lisbon & Sintra Film Festival decorre entre 10 e 21 de Novembro e celebra este ano a cultura Roma em todas as suas manifestações artísticas, com concertos, uma exposição, debates com convidados como Emir Kusturica e Leonor Teles, e cerca de 20 filmes, nomeadamente de Tony Gatlif, um dos realizadores em foco este ano na secção Homenagens e Retrospetivas, onde mostrará a sua nova fita, “Tom Medina”. Gatlif é aqui acompanhado por Jane Campion, Cristi Puiu, Ryûsuke Hamaguchi, Maria Speth, Mike Dibb, Romeo Castelucci e Rodrigo Areias. Henrique Pina está em destaque na secção Revelação.

Há mais filmes nas habituais secções Em Competição e Fora de Competição, no ciclo “A Morte de Deus”, nas Sessões Especiais e na Homenagem à Cinemateca Francesa, onde o seu diretor, Frédéric Bonnaud vem apresentar três clássicos ali restaurados e por si escolhidos. O LEFFEST decorre no Nimas, Tivoli e Teatro D. Maria II, em Lisboa, e no Centro Cultural Olga Cadaval e MU.SA — Museu das Artes de Sintra, em Sintra. O festival irá pela primeira vez ao Porto, nos Cinemas NOS Norteshopping, com um quarteto de filmes entre dias 21 e 24 de Novembro. O programa completo e todas as informações estão no site oficial do festival. Eis uma dezena de filmes a ter em muita atenção este ano.

“Onoda, 10 000 Nuits dans la Jungle”

De Arthur Harari

Hiroo Onoda, um oficial dos serviços de espionagem do exército japonês durante a II Guerra Mundial, esteve escondido na selva das Filipinas durante quase 30 anos, antes de finalmente se render, em 1974. Foi o penúltimo militar nipónico a fazê-lo. O francês Arthur Harari recria aqui a odisseia deste homem que levou a fidelidade ao seu imperador até ao limite. Prémio Un Certain Regard no Festival de Cannes. (Em Competição. Nimas, 13 de Novembro, 19.45/Centro Cultural Olga Cadaval, 15 de Novembro, 11.00)

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“Leave no Traces”

De Jan P. Matuszynski

Inspirado em factos reais, este filme polaco recria um caso passado em 1983, quando um estudante e ativista, filho de uma poeta que se opunha ao regime comunista, foi preso e espancado até à morte, por se ter recusado a mostrar o seu cartão de identidade a um polícia, o que não estava obrigado a fazer porque a Lei Marcial já não vigorava. A única testemunha do crime tornou-se então alvo de uma cerrada perseguição por parte das autoridades. (Em Competição. Centro Cultural Olga Cadaval, 13 de Novembro, 11.00/Tivoli, 17 de Novembro, 15.00)

“Ouistreham”

De Emmanuel Carrère

Mais de 15 anos depois do seu último filme, “Amor Suspeito”, o escritor francês Emmanuel Carrère está de regresso à realização com Ouistreham, uma adaptação ficcional do livro Le Quai de Ouistreham, da jornalista francesa Florence Aubenas, sobre a precariedade laboral dos funcionários da limpeza do porto de Caen. Juliette Binoche interpreta o papel principal, rodeada de atores não profissionais. (Em Competição. Centro Cultural Olga Cadaval, 12 de Novembro, 11.00/ Nimas, 13 de Novembro, 15.15)

“Mães Paralelas”

De Pedro Almodóvar

Janis (Penélope Cruz) é uma fotógrafa solteira e de meia-idade que engravidou de uma relação entretanto terminada; Ana (Milena Smit) é uma jovem que ficou grávida de um amigo por acidente. Janis está contente e Ana está assustada. Encontram-se na maternidade, quando estão prestes a dar à luz, ficam amigas e os seus destinos vão ficar ligados e as suas vidas ser alteradas por causa da situação que estão a viver. Pedro Almodóvar assina aqui mais uma intensa e surpreendente história de mulheres. (Fora de Competição. Tivoli, 18 de Novembro, 21.45)

“The Card Counter: O Jogador”

De Paul Schrader

Contando com Martin Scorsese como produtor executivo, o novo filme de Paul Schrader tem Oscar Isaac no papel de William Tell, um antigo militar com um passado de interrogador no Iraque, que se dedica agora ao jogo em casinos. Ao mesmo tempo que é assombrado pelos fantasmas do seu tempo na tropa, Tell encontra o filho de um antigo camarada de armas que o irá puxar para uma história de vingança. Também com Tye Sheridan, Willem Dafoe e Tiffany Haddish. (Fora de Competição. Tivoli, 15 de Novembro, 21.45)

“The Lost Daughter”

De Maggie Gyllenhaal

Olivia Colman, Dakota Johnson e Peter Sarsgard são os principais intérpretes deste filme que assinala a estreia da sua colega Maggie Gyllenhaal na realização, e é uma adaptação do livro “A Filha Perdida”, de Elena Ferrante. Leda, uma solitária professora de Inglês, vai passar férias no sul de Itália, mas o aparecimento de uma família acorda nela memórias dolorosas das escolhas que fez enquanto mãe. (Fora de Competição. Tivoli, 16 de Novembro, 21.45)

“Roda da Fortuna e da Fantasia”/“Drive My Car”

De Ryûsuke Hamaguchi

Os dois novos filmes do realizador de “Happy Hour: Hora Feliz” e “Asako I & II” são exibidos na retrospetiva que o LEFFEST 2021 lhe dedica. O primeiro, Urso de Prata no Festival de Berlim, é composto por um trio de histórias sobre o amor no Japão dos nossos dias, todas centradas em personagens femininas. O segundo, Prémio de Melhor Argumento no Festival de Cannes, tem como protagonista um encenador de teatro que ficou viúvo de súbito e estabelece uma relação de amizade com a motorista designada para o conduzir durante a sua estadia num festival de teatro em Hiroshima. (Homenagens e Retrospetivas. Ryûsuke Hamaguchi. Nimas, 21 de Novembro, 12.30/Cinema NOS Norteshopping, 23 de Novembro, 21.00 / Nimas, 14 de Novembro, 16.30/Centro Cultural Olga Cadaval, 21 de Novembro, 14.00)  

“The Power of the Dog”

De Jane Campion

É em 1925, no Oeste americano, que se passa o novo filme da australiana Jane Campion, que não trabalhava em cinema desde 2009. Adaptado do romance de Thomas Savage e vencedor do Leão de Prata em Veneza, “The Power of the Dog” é a história de dois irmãos, Phil Burbank. brutal e inquieto, e George Burbank, calmo e generoso, que gerem o rancho da família onde nasceram. Quando George se casa com uma viúva e a traz para casa mais o seu filho, a relação entre ambos fica ainda mais complicada do que já é. Com Benedict Cumberbatch, Jesse Plemons e Kristen Dunst. (Homenagens e Retrospetivas. Jane Campion. Tivoli, 11 de Novembro, 21.30/Centro Cultural Olga Cadaval, 13 de Novembro, 21.30)   

“Keith Jarrett: the Art of Improvisation”

De Mike Dibb

Contando com a ajuda do trompetista, compositor e autor Ian Carr para as entrevistas, o documentarista inglês Mike Dibb explora neste trabalho para televisão de 2005 a faceta de improvisador de Keith Jarrett. O genial pianista e compositor fala sobre música e sobre o significado e a importância que tem para si a improvisação, discorrendo ainda sobre a colaboração com Gary Peacock e Jack DeJohnette no seio do Standards Trio. (Homenagens e Retrospetivas. Mike Dibb. Nimas, 15 de Novembro, 19.30)