As regiões do país onde a mediana dos preços das casas é mais elevada são, também, aquelas onde existe uma maior preponderância de compradores com domicílio fiscal fora de Portugal – uma aproximação (imperfeita) daquilo que pode ser considerado um estrangeiro. A constatação é feita pelo Instituto Nacional de Estatística (INE) num relatório publicado nesta sexta-feira, que apontou para uma ligeira desaceleração da subida global dos preços, para uma variação de 18,4% em termos homólogos.

Na Grande Lisboa, por exemplo, as pessoas com domicílio fiscal no estrangeiro que compraram casa neste segundo trimestre pagaram, em termos medianos, 5.878 euros por metro quadrado, ao passo que aqueles que têm número fiscal português pagaram, também em termos medianos, 4.000 euros por metro quadrado. É uma diferença de 47% entre os dois valores, que indica que são, em parte, estas compras por estrangeiros que estão a “puxar” os preços para cima.

Também na Área Metropolitana do Porto se passa o mesmo, embora a diferença seja um pouco menos expressiva: 3.640 euros versus 2.648 euros por metro quadrado. No Algarve a diferença é entre 4.142 euros e 3.368 euros, na Península de Setúbal entre 3.240 e 3.063 euros e na Madeira entre 3.611 e 2.785 euros por metro quadrado.

O exercício comparativo tem limitações. Alguém que é descrito como um comprador com “domicílio fiscal no estrangeiro” pode, na realidade, ser um português que, por alguma razão, profissional ou outra, tem a morada fiscal fora do país. E, por outro lado, alguém que aparece como um residente com domicílio fiscal em Portugal pode ser um estrangeiro no país há poucos anos mas que, entretanto, já passou a morada para Portugal e comprou a casa usando um número de identificação fiscal (NIF) português.

Por outro lado, a análise não faz distinção entre casas maiores e casas com tipologias menores – e também não existe uma destrinça por zonas mais específicas que permita perceber melhor onde é que os estrangeiros estão a ter um impacto maior.

FONTE: Instituto Nacional de Estatística (INE)

Estes são os dados relativos às transações feitas entre abril e junho de 2026 (o segundo trimestre), mas analisando os 12 meses até ao final desse mesmo segundo trimestre (de julho de 2025 a junho de 2026) a tendência é semelhante.

Entre julho de 2025 e junho de 2026, Lisboa registou o preço mediano da habitação mais elevado, entre os 24 municípios com mais de 100 mil habitantes, em ambas as categorias de domicílio fiscal do comprador: 5.143 euros/metro quadrado por compradores do território nacional e 6.588 euros/metro quadrado por compradores com domicílio fiscal no estrangeiro. Para além de Lisboa, também Cascais, Oeiras e Porto registaram, simultaneamente, preços medianos de alojamentos familiares superiores a 3.500 euros/metro quadrado em transações envolvendo compradores com domicílio fiscal em território nacional e superiores a 4.350 euros/metro quadrado por compradores no estrangeiro, refere o INE, referindo-se a um universo de 156.713 negócios feitos neste período de 12 meses.

O cálculo da mediana, que é usado pelo INE nestes dados, é diferente da média porque a mediana olha para um conjunto de valores (os preços a que foram compradas as casas) e procura o valor que fica exatamente no centro, entre a transação mais barata e a mais cara.

Já a média, por outro lado, soma todos os preços e divide pelo número de transações. A principal vantagem da mediana é que representa melhor o preço de uma habitação típica quando existem imóveis com preços muito elevados ou muito baixos.

Lisboa. Estrangeiros pagam mais 62% pelas casas do que os portugueses – mas estes também compram casas caras e “estão muito ativos”

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