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Festival de Locarno: Marta Mateus compete com primeira longa e Edgar Pêra revela filme sobre Pessoa feito com inteligência artificial

Cineasta portuguesa estreia-se nas longas com "Fogo do Vento" e chega ao concurso internacional. Fora de competição, Edgar Pêra mostra filme sobre Pessoa. Festival suíço acontece de 7 a 17 de agosto.

Imagem de "Fogo do Vento", a longa-metragem de estreia da cineasta Marta Mateus, que foi seleccionada para o Concurso Internacional do Festival de Cinema de Locarno, na Suíça
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Imagem de "Fogo do Vento", a longa-metragem de estreia da cineasta Marta Mateus, que foi seleccionada para o Concurso Internacional do Festival de Cinema de Locarno, na Suíça

Imagem de "Fogo do Vento", a longa-metragem de estreia da cineasta Marta Mateus, que foi seleccionada para o Concurso Internacional do Festival de Cinema de Locarno, na Suíça

Fogo do Vento, a longa-metragem de estreia de Marta Mateus, está em competição naquele que é considerado um dos mais importantes festivais de cinema logo a seguir aos de Cannes, Veneza e Berlim, o Locarno Film Festival, que acontece de 7 a 17 de agosto naquela cidade na Suíça. O anúncio aconteceu esta quarta-feira de manhã pelo diretor artístico, Giona A. Nazzaro. Cartas Telepáticas, o novo filme do realizador Edgar Pêra, integra a secção não competitiva.

A longa-metragem de estreia da realizadora Marta Mateus chega sete anos depois da curta metragem Farpões Baldios (2017), cuja estreia mundial teve lugar no Festival de Cannes, na secção Quinzena dos Cinéastes.

De acordo com um comunicado enviado às redações, Fogo do Vento “acompanha alguns dos protagonistas do filme anterior, aprofundando as histórias desta comunidade na paisagem alentejana, num filme político que convoca a memória das gerações anteriores e nos transporta da resistência à ditadura salazarista ao tempo presente, numa reflexão sobre a guerra e a paz, marcando a importância do seu discurso no atual contexto mundial”.

Marta Mateus é também produtora do filme, ao lado do cineasta Pedro Costa, nesta que é a segunda produção da Clarão Companhia, em colaboração com os co-produtores Fabrice Aragno, da Casa Azul Films (Suiça) e Richard Copans, da Les Films d’Ici (França), com distribuição internacional da Portugal Film — Agência Internacional de Cinema Português.

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O contingente português no festival inclui também Hanami (Alinafilm, O Som e a Fúria), primeira longa de Denise Fernandes, que compete na secção secundária Cineasti del Presente, dedicada a primeiras e segundas obras. Hanami passa-se em Cabo Verde, de onde os pais da realizadora são oriundos e é uma co-produção entre a Suíça, Cabo Verde e Portugal. O festival suíço apresentará ainda Icebergs, de Carlos Pereira, cineasta português radicado na Alemanha, que revela a curta no concurso Pardi Di Domani.

Edgar Pêra volta a Fernando Pessoa, desta vez com inteligência artificial

No caso de Cartas Telepáticas, que chega à seleção oficial de Locarno na secção não competitiva, o cineasta português Egar Pêra estabelece elos entre dois escritores da mesma época: Fernando Pessoa e Howard Philips Lovecraft. O documentário-ensaio que imagina cartas imaginárias entre ambos os autores foi totalmente criado com recurso à inteligência artificial e é a primeira longa-metragem nacional inteiramente gerada a partir desta ferramenta. Só as vozes pertencem a atores reais, que falam em inglês sobre as imagens a preto e branco. O filme teve um apoio de 90 mil euros do ICA — Instituto do Cinema e Audiovisual.

Esta é a segunda obra do realizador português dedicada ao universo pessoano depois de Não Sou Nada – The Nothingness Club (2023), longa-metragem de ficção sobre as dezenas de heterónimos de Fernando Pessoa, com Miguel Borges, Victoria Guerra e Albano Jerónimo nos principais papéis.

"Cartas Telepáticas" é o novo filme de Edgar Pêra, e a segunda incursão no universo de Fernando Pessoa, depois de "Não Sou Nada - The Nothingness Club"(2023)

Cartas Telepáticas começou por ser uma continuação de Não Sou Nada, com os mesmos atores a dizerem os textos dos heterónimos de Pessoa e de Lovecraft, mas Pêra acabaria por mudar a abordagem, como conta ao Observador: “Em setembro de 2022, a minha vida mudou. Foi quando comecei a fazer I.A. Fazia centenas de imagens por dia, comecei a ter de usar óculos de estar tanto ao telemóvel”.

“A partir daí foi uma caixa de Pandora”, descreve. “Começámos tudo de novo”, diz, com o entusiasmo das possibilidades. O filme, integralmente em inglês, “por uma estratégia de internacionalização”, conta com as vozes das atrizes Iris Cayatte, Barbara Lagido e Victoria Guerra, além de Keith Esher Davis, o ator da companhia Lisbon Players, que morreu em junho, e que dá a voz a Fernando Pessoa e Howard Phillips Lovecraft.

Já no livro Não Sou Nada — Um filme pós-pessoano de Edgar Pêra (Coord. de Jerónimo Pizarro, Tinta-da-china), publicado em junho, o realizador português levantava o véu sobre o projeto que tinha em mãos e que agora se revela: “Havia também uma outra característica em comum: Lovecraft criou pseudónimos e Pessoa heterónimos, variações à volta das suas personas, e as imagens de IA apresentam sempre quatro variações da mesma ideia, da mesma instrução, que podemos repetir indefinidamente. Heterónimos visuais” (p.142).

Uma das raras imagens divulgadas de "Cartas Telepáticas", o documentário-ensaio de Edgar Pêra sobre uma troca de correspondência imaginária entre os escritores Howard Philips Lovecraft e Fernando Pessoa

“O facto de usarmos IA não nos faz despedir ninguém. Não existe qualquer substituição de posto de trabalho”, responde de novo ao Observador, quando questionado sobre uma das principais críticas à utilização de IA. “A Revolução Industrial chegou agora ao trabalho artístico”, sumariza, comparando a discussão à que é tida sobre a utilização das redes sociais. “Fala-se de uma questão do bem e do mal. Há uma diabolização das redes, do TikTok, quando, no fundo, há é uma utilização desses processos pelas forças do mal. Se as forças do bem não utilizarem essas ferramentas, vamos ter consequências gravíssimas. Se não se usar a IA para combater isso, vamos ficar desarmados”, avisa. “Há uma corrida ao armamento e não me parece sensato ficarmos para trás”, remata.

Com produção da Bando à Parte, de Rodrigo Areias, Cartas Telepáticas é, para já, a única longa portuguesa a concurso em Locarno, festival por onde Edgar Pêra já passou em 2001, quando levou à secção Cineastas do Presente a sua primeira longa-metragem, A Janela (Maryalva Mix).

 
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