O encenador austríaco Otto Schenk, antigo responsável pela programação dramática do festival de Salzburgo, distinguido pelas produções para a Metropolitan Opera, em Nova Iorque, e a Ópera Estatal de Viena, morreu na quinta-feira, aos 94 anos.

Nascido em Viena, em 12 de junho de 1930, Otto Schenk morreu na sua casa no Lago Irrsee, na Áustria, na quinta-feira, segundo o anúncio do seu filho, o maestro Konstantin Schenk, e a direção do Festival de Salzburgo, que o considera uma “força da natureza”, determinante para o certame, conforme comunicado divulgado esta sexta-feira.

Para o meio operático, Otto Schenk está para o palco como o realizador italiano Franco Zeffirelli está para o cinema: “Schenk foi um dos mais destacados diretores das grandes produções” históricas das décadas de 1960-1990, num contexto tradicional.

“Com a morte de Otto Schenk, o mundo da ópera perdeu um dos seus maiores nomes, um artista excecional, uma verdadeira lenda”, disse o diretor artístico do Festival de Salzburgo, Markus Hinterhäuser, citado pelo comunicado do festival austríaco.

“Habituado ao sucesso”, Otto Schenk cumpriu “calmamente, […] como se passeasse”, uma carreira que deixaria “outros sem fôlego”, entre o Scala de Milão, o Met de Nova Iorque e os principais palcos europeus, de Viena a Munique, Hamburgo, Berlim, Londres e Paris, “nunca traindo os seus padrões”.

“Otto Schenk influenciou profundamente o Festival de Salzburgo durante décadas, em muitos aspetos”, recorda, esta sexta-feira, o diretor artístico do Festival de Salzburgo, considerando-o “uma força da natureza, um favorito do público no melhor sentido do termo”. “Como encenador, fez história em palco, e tanto o público como a crítica celebraram os seus triunfos”.

Markus Hinterhäuser recorda ainda que, como elemento da direção do festival, Otto Schenk “liderou com sucesso o departamento de drama, durante a turbulenta era de [liderança do maestro Herbert von] Karajan”.

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No percurso de Schenk destacam-se as encenações de Richard Wagner, incluindo o ciclo O Anel de Nibelungo, tetralogia composta pelas óperas O Ouro do Reno, A Valquíria, Siegfried e O Crepúsculo dos Deuses, além de Parsifal, Os mestres cantores de Nuremberga e Tannhäuser.

Para a história da ópera ficam também as suas encenações de Richard Strauss, nomeadamente de O Cavaleiro da Rosa, em 1972, em Munique, com direção musical do maestro Carlos Kleiber, e de Arabella, com Georg Solti, em Viena, em 1977.

O Festival de Salzburgo recorda ainda as derradeiras atuações de Otto Schenk, como ator, ocorridas em 1997, na produção de Peter Stein de O rei dos Alpes, de Ferdinand Raimund.

Otto Schenk destacou-se também como realizador, numa carreira iniciada nos anos de 1950, dominada quase sempre por versões televisivas do seu trabalho já levado a palco, como a opereta de Johann Strauss O Morcego, com o maestro Theodor Guschlbauer, e O Elixir do Amor, de Donizetti, sob direção musical de Alfred Eschwé.

O diretor-geral da Ópera Estatal de Viena, Bogdan Roscic, também reagiu à morte de Schenk, citado pela agência Associated Press, afirmando que o encenador “foi capaz de aproveitar a riqueza intelectual e artística de toda a história da ópera e comunicá-la de forma brilhante a um público alargado”.