O ex-ministro da Saúde Adalberto Campos Fernandes criticou esta terça-feira o modelo da Direção Executiva do SNS (DE-SNS), defendendo a extinção da entidade criada há pouco mais de dois anos e que foi agora abalada pela saída de António Gandra d’Almeida por suspeitas de irregularidades.

“Se eu fosse o primeiro-ministro, extinguia a DE-SNS, repristinava as atribuições e competências dos organismos existentes, empedrava as ULS [Unidades Locais de Saúde] e criava um nível de coordenação regional. A DE-SNS vai perseguir este governo e Luís Montenegro até ao fim”, afirmou no programa Explicador, da Rádio Observador, o antigo governante socialista.

Considerando ter existido “um pecado original” na criação da instituição sem a devida avaliação do impacto e da utilidade, Adalberto Campos Fernandes lamentou que se esteja “há quase dois anos e meio a falar de algo que é uma externalidade e uma invenção” sem concretizar aspetos sobre a reforma do sistema de saúde. Para o antigo ministro da Saúde, o acesso ao SNS é atualmente pior e o sistema apresenta uma menor eficiência e qualidade do que no passado, além de uma despesa que considerou estar “fora de controlo”.

“O crescimento da economia e as questões dos excedentes orçamentais não duram para a vida. Daqui a quatro ou cinco anos podemos ter um SNS que custa demasiado dinheiro para aquilo que devolve aos cidadãos”, observou, condenando “experimentalismos” e a adoção de “medidas pontuais”.

Adalberto Campos Fernandes admitiu que as Administrações Regionais de Saúde (ARS) eram “estruturas pesadas”, mas vincou que agora não há coordenação regional. “Não precisamos de um super-burocrata, cuja legitimidade política não existe e legitimidade técnica é duvidosa, para fazer aquilo que já está definido que deve ser feito pelas instituições existentes”, frisou.

Elogios a Álvaro Santos Almeida

Posteriormente, em declarações à CNN, Adalberto Campos Fernandes reagiu com elogios à nomeação de Álvaro Santos Almeida para diretor executivo do SNS, considerando-o um “bom nome” para a instituição.

“Finalmente vemos um alinhamento entre os critérios que estão definidos e a competência curricular. É uma pessoa que pensa pela sua cabeça e não estará a comando de ninguém. Sendo um economista, até fará sentido, porque a situação financeira do SNS merece atenção ao nível da despesa”, indicou.

Por outro lado, sinalizou que houve uma falha do Governo em 2024 no escrutínio de Gandra d’Almeida para a sucessão a Fernando Araújo no cargo. “Quem convidou foi imprudente e quem se deixou convidar não foi responsável”, resumiu.