O rei Carlos III confirmou através das redes sociais oficiais da Família Real Britânica que estará nas cerimónias que marcam os 80 anos da libertação de Auschwitz, o maior campo de concentração na Polónia ocupada pelas forças nazis, nesta segunda-feira, 27 de janeiro. No Instagram, o Palácio de Buckingham assinalou o dia internacional em memória das vítimas do Holocausto numa publicação em que destaca que o rei “vai participar nos eventos comemorativos na Polónia”. Carlos será o primeiro monarca e chefe de Estado britânico a visitar o local.
Uma fonte próxima do rei disse à BBC que esta é uma visita importante para Carlos III, que descreveu a viagem como uma “peregrinação profundamente pessoal”.
A rainha Isabel II nunca visitou Auschwitz, mesmo tendo feito uma viagem oficial à Polónia em 1996. Na altura, a chefe de estado britânica foi criticada por não ter ido ao campo de concentração, e acabou culpando o escritório de assuntos estrangeiros pelo “lapso”. Entretanto, o itinerário foi atualizado para incluir a colocação de coroas de flores em Umschlagplatz, na Varsóvia, onde mais de 200 mil judeus foram transportados para o campo de concentração de Treblinka. Em 2015 Isabel II visitou o campo de concentração Bergen-Belsen, na Alemanha. Contudo, a rainha Camilla representou a família real britânica nas celebrações de 2020, altura do 75.º aniversário da libertação de Auschwitz.
Durante a viagem à Polónia o rei também se vai encontrar com o presidente polaco Andrzej Duda, além de fazer um discurso num evento de solidariedade social judeu, onde se espera que fale dos ensinamentos dos sobreviventes sobre “desafiar preconceitos e nunca ser um espectador de violência e ódio”.
Reis, rainhas, presidentes e primeiros-ministros
São esperados representantes de 54 países nas cerimónias que decorrem nesta segunda-feira. Além de Carlos III, também estarão presentes o rei Felipe VI de Espanha e o rei Willem Alexander, dos Países Baixos, além de outros chefes de estado como o presidente da França Emmanuel Macron, o chanceler da Alemanha Olaf Scholz. O presidente da república, Marcelo Rebelo de Sousa, não vai ao evento, mas assinalou a data através de um comunicado em que “se associa às celebrações do Dia Internacional em Memória das Vítimas do Holocausto, prestando uma sentida homenagem a todas as vítimas da barbárie nazi”.
Os líderes mundiais juntar-se-ão a cerca de 50 sobreviventes, que terão espaço para discursar. Espera-se que apenas outras duas pessoas tenham a oportunidade de falar: Piotr Cywinski, o diretor do museu estadual e memorial Auschwitz-Birkenau, e Ronald Lauder, o presidente do Congresso Judaico Mundial. “Sabemos que no 90º aniversário não será possível ter um grupo muito grande de sobreviventes. Não teremos nenhum discurso de políticos”, destacou Pawel Sawick, o porta-voz do museu de Auschwitz.