Era uma noite que obrigava a muita matemática. O Sp. Braga entrava para a última jornada da Liga Europa virtualmente eliminado, com sete pontos em sete jornadas, e estava obrigado a vencer a Lazio para poder sonhar com o playoff de acesso aos oitavos de final — e mesmo assim, mesmo com a vitória, teria de prestar atenção a diversos resultados para perceber se conseguia seguir em frente.

Vindo de três triunfos consecutivos para o Campeonato, com outro na Taça de Portugal pelo meio, o Sp. Braga chegava ao jogo desta quinta-feira engolido num mercado de transferências algo atípico. Fran Navarro voltou, Rodrigo Zalazar estará a caminho do Zenit, Carlos Carvalhal já confirmou que Matheus e André Horta vão sair depois de terem “manifestado” essa mesma vontade. Mas o treinador minhoto parecia estar exclusivamente preocupado com o apuramento europeu.

“Vamos defrontar a melhor equipa desta competição. Em 21 pontos possíveis, fez 19. Marcou sempre mais do que dois golos fora de casa, é uma equipa muito forte e temos consciência disso, como também temos consciência de que, para seguir em frente, temos de vencer. Não adianta fazer contas e olhar para os outros adversários, o foco total está em tentar vencer, passar à fase seguinte e também, o que é muito importante para nós, equipa técnica, tentar manter os níveis de coesão na tarefa, o espírito de grupo e a solidariedade que têm existido particularmente desde o jogo com o Benfica”, explicou Carlos Carvalhal na antevisão da receção aos italianos.

Neste contexto, na Pedreira, o treinador lançava El Ouazzani como referência ofensiva, apoiado por Roger, Ricardo Horta e Gharbi, e deixava Gabri Martínez no banco — no dia em que Ricardo Horta cumpria o jogo 409 pelos minhotos, igualando José Maria Azevedo como jogador com mais partidas pelo clube. Do outro lado, numa Lazio que tinha seis vitórias e um empate, estava no primeiro lugar da classificação e já diretamente apurada para os oitavos de final, Marco Baroni lançava Taty Castellanos no ataque, com Tijjani Noslin, Pedro e Loum Tchaouna nas costas do avançado argentino.

O Sp. Braga começou melhor, assumindo desde logo a necessidade clara de marcar primeiro e ir atrás da qualificação. E a verdade é que, ainda dentro dos dez minutos iniciais, os minhotos abriram o marcador: Roger e Víctor Gómez combinaram na direita, o espanhol cruzou rasteiro e atrasado para a área e Ricardo Horta atirou para bater Christos Mandas (6′). A Lazio tentou reagir, instalando-se com frequência no meio-campo contrário, mas a verdade é que o melhor que conseguiu criar foi um livre direto de Pedro que passou perto do poste (21′).

Carlos Carvalhal foi forçado a realizar uma substituição ainda antes da meia-hora, trocando o lesionado Niakaté por Bright Arrey-Mbi, e o Sp. Braga ficou muito perto de aumentar a vantagem num lance em que El Ouazzani falhou o desvio na área por centímetros (33′). Ao intervalo, os minhotos estavam a vencer a Lazio de forma justa, já que foram claramente a equipa mais consistente e equilibrada em campo — e também estavam virtualmente apurados para o playoff, no 24.º lugar, o último que dava acesso à fase seguinte.

Nenhum dos treinadores fez alterações ao intervalo e a lógica da primeira parte repetiu-se, com o Sp. Braga a apresentar-se subido no relvado e a procurar chegar perto da baliza da Lazio. Os italianos cresceram com a aproximação à hora de jogo, impondo um ritmo que deixava a defesa minhota em constante sobressalto, mas a melhor ocasião do segundo tempo até então até pertenceu a Roger, que rematou em jeito e ao lado (63′).

Marco Baroni mexeu nesta fase, trocando Tchouana por Gustav Isaksen, e o dinamarquês quase marcou na primeira vez em que tocou na bola com um remate na área que Lukas Hornicek defendeu (67′). O treinador da Lazio apostou depois em Boulaye Dia, que rendeu Mario Gila, e Carlos Carvalhal lançou Gabri Martínez já dentro do quarto de hora final — e numa fase em que os minhotos estavam matematicamente eliminados, tendo em conta a conjugação de todos os outros resultados, e precisavam de marcar mais um golo para seguir em frente.

Os italianos ainda poderiam ter marcado até ao fim, com Hornicek a fazer uma grande defesa a um cabeceamento de Dele-Bashiru (82′), Gabri Martínez ainda acertou na baliza nos descontos mas em fora de jogo (90+4′) e tudo ficou ainda mais difícil quando o Twente marcou contra o Besiktas e já não bastava aos minhotos fazer um único golo. No fim, apesar da vitória perante a Lazio, o Sp. Braga ficou no 25.º lugar e foi eliminado da Liga Europa devido à diferença de golos — e Ricardo Horta teve o dia mais agridoce da carreira.