Com “satisfação e naturalidade”. Foi assim que Fernando Medina reagiu ao arquivamento das suspeitas que existiam contra si no processo Tutti Frutti, oito anos depois. Ainda assim, o ex-ministro e deputado socialista fez questão de deixar fortes críticas à Justiça e à comunicação social e garantiu que foi alvo de “calúnias” nos últimos oito anos.

“Recebi a notícia com satisfação mas também com naturalidade. Não há nenhum processo que esteja a correr [relativamente ao processo Tutti Frutti] que me diga respeito”, atirou, antes de ser questionado sobre se é arguido em algum outro processo, uma vez que foram extraídas do processo certidões relacionadas com outros casos, incluindo o que diz respeito à contratação do autarca Joaquim Morão. Medina assegurou que não e garantiu “não ter nenhuma dúvida” de que “qualquer outro processo acabará por ter o desfecho deste”, mostrando-se “tranquilo”.

Aos jornalistas, à porta da Assembleia da República, Medina respondeu ainda sobre os momentos em que é alvo de censura pelo “modo” da sua gestão autárquica em Lisboa, no despacho do Ministério Público, sem que no entanto se tenha encontrado dolo. “A única coisa relevante quanto ao Ministério Público é o arquivamento”, respondeu, frisando que a “intenção” (ou seja, o facto de haver ou não dolo nas suas ações) é “uma parte fundamental”.

“Há uma acusação, e ou há um arquivamento ou não. Tudo o resto são opiniões, das quais eu discordo, e que não têm qualquer valor porque houve um arquivamento. Isso não me incomoda minimamente”, disse Medina, lembrando por diversas vezes que foi o próprio MP que decidiu arquivar as suspeitas contra si. “Não posso na minha vida dizer que não cometo erros. Mas não cometi nenhuma ilegalidade, muito menos consciente de que a estivesse a cometer”, disparou.

E recusou o “prolongamento deste estado” em que tem estado durante os últimos anos, e que “acaba hoje”, agradecendo o apoio “inquebrantável” de família e amigos e agradecendo também aos “poucos” adversários políticos que não se aproveitaram da situação: “Eles sabem quem são”.

O resto da declaração foi dedicada a lançar críticas e um “lamento”: “Passaram oito anos e foram publicadas mais de duas mil notícias, 48 horas ininterruptas de televisão” com notícias, “acusações, com maldade muitas vezes, procurando criar uma imagem de mim muito diferente da realidade”, disse. Esses oito anos “não podem ser apagados” e Medina lamenta agora não ter conseguido “proteger a família” por não ter conseguido ser ouvido pela Justiça antes — só foi ouvido há três meses.

“Aliviado”, Medina frisou ainda que nunca limitou a sua ação política durante este tempo — durante o qual foi de resto ministro das Finanças — e não esteve condicionado, mas a sua vida nestes anos poderia ter sido “bem diferente do que foi”.

Tutti Frutti. Ministério Público acusa 60 arguidos de corrupção, tráfico de influência e prevaricação e arquiva suspeitas contra Medina