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Diogo e a defesa impossível na homenagem possível (a crónica do Farense-FC Porto)

Este artigo tem mais de 1 ano

A última vitória na Liga tinha sido no 87.º aniversário de Pinto da Costa, o regresso aos triunfos surgiu depois da sua morte. FC Porto não jogou muito mas marcou e teve Diogo Costa a brilhar (0-1).

FC Porto somou o primeiro triunfo no Campeonato em 2025 frente ao Farense com um golo de Francisco Moura no início da segunda parte
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▲FC Porto somou o primeiro triunfo no Campeonato em 2025 frente ao Farense com um golo de Francisco Moura no início da segunda parte

LUIS BRANCA

▲FC Porto somou o primeiro triunfo no Campeonato em 2025 frente ao Farense com um golo de Francisco Moura no início da segunda parte

LUIS BRANCA

Hoje não era propriamente um jogo, correndo o risco de ser mais do que um jogo.

Hoje não havia propriamente pontos, correndo o risco de valer mais do que três pontos.

Hoje não havia propriamente resultado, vencedores e vencidos, correndo o risco de aparecerem mais do que resultado, vencedores ou vencidos.

FC Porto vence Farense com golo de Francisco Moura, soma primeira vitória na Liga em 2025 e reduz distâncias para o topo

Mais do que nunca, o FC Porto estava partido em dois com uma distância de 550 quilómetros em prol de um nome em comum que juntava tudo e todos: Pinto da Costa. No Algarve jogava uma equipa que recebeu à hora de jantar a notícia do desaparecimento do antigo presidente e não conseguiu evitar um ambiente carregado de consternação antes da partida com o Farense. Lá em cima, no Porto, à mesma hora do apito inicial do encontro, teria início o velório do “Presidente dos Presidentes” na Igreja Paroquial de Santo António das Antas. Em condições normais, teria até muito mais pessoas do que o jogo no Estádio do Algarve. Tudo parecia estranho no dia que todos temiam que pudesse acontecer mas que ninguém queria que chegasse.

Qualquer que fosse o resultado, a exibição ou o rescaldo do Farense-FC Porto, seria sempre algo com uma tendência natural a ser secundarizado perante o momento solene da nação azul e branca no adeus ao seu mentor, ideólogo, referência e mestre ao longo de quatro décadas – e para a eternidade. A partir de agora, nada voltará a ser como antes no clube. Pode ser melhor ou pior, pode ter mais parecenças ou diferenças, não mais voltará a ser igual. Quaisquer que sejam os caminhos trilhados nos próximos tempos, este domingo marcava o início de uma nova era no Dragão, com o peso do legado do presidente mais titulados de todos os tempos que construiu o ADN vencedor de um clube que se mostrou ao mundo e os fantasmas de quem ainda está preso num passado que agora se consubstancia em memórias que serão irrepetíveis.

“O FC Porto perdeu a sua maior referência, e todos nós, portistas, perdemos um símbolo de dedicação, ambição e paixão pelo clube. Desde pequeno, sempre soube que vestir esta camisola significava muito mais do que jogar futebol. Significava representar uma história construída por um homem que fez do FC Porto um gigante. Ter tido o privilégio de partilhar momentos consigo foi uma honra que guardarei para sempre. O seu legado viverá em cada jogo, em cada conquista e em cada portista que continuar a lutar pelo clube. Os meus sentimentos à família e a todos os que sentem esta perda. Descanse em paz, Sr. Presidente.”

A mensagem de Diogo Costa ainda na noite deste sábado, que ganhou prolongamento nos olhos em lágrimas durante o minuto de silêncio em memória de Pinto da Costa, mostrava bem aquilo que estava em causa num plano anímico no Algarve. Antes de a notícia ser conhecida e da partida para o sul do país, Martín Anselmi falara apenas de futebol e na necessidade de inverter a atual tendência de seis jogos seguidos sem vitórias no Campeonato, algo que curiosamente nunca tinha acontecido com o falecido líder na presidência.

“É preciso analisar o jogo, perceber onde está a vantagem tendo em conta o rival. Umas vezes há que atrair o rival e jogar longo, noutras é preciso o jogo fluir mais e arranjar superioridade numérica. É preciso encontrar qual a vantagem para cada situação. Sair a jogar, passar a bola, ser pragmático. Quero é fazer golos. Nós tentamos fazer isso ao encontrar vantagens mas nem todos os jogos são iguais. É preciso entender os momentos do jogo. Depois há o desgaste, as mudanças do treinador… Tem a ver com construir uma equipa inteligente. Essa é a palavra. Uma equipa inteligente e que entenda os momentos do jogo. É para isso que trabalhamos, dar ferramentas para os jogadores conseguirem definir de forma inteligente”, apontara.

Há ligeiros progressos na equipa. Em resumo, o FC Porto ainda não joga muito, neste caso até criou menos oportunidades do que noutros encontros, mas consegue fazer com que os adversários joguem menos. Entre uma e outra constatação, o duelo no Algarve, com homenagens a Pinto da Costa antes do jogo e nos minutos 42 e 87, teve poucos motivos de interesse, sobretudo na primeira parte. No entanto, e quando os dragões estavam na frente e controlavam, um deslize poderia ter invertido a história da partida. Apareceu Diogo Costa. O guarda-redes e capitão, que foi um dos mais emocionados pela partida do antigo presidente, fez uma defesa do outro mundo a um cabeceamento de Cláudio Falcão que segurou a vitória. Se o último triunfo tinha sido no aniversário de Pinto da Costa, a má série foi quebrada no dia da homenagem possível.

Ficha de jogo

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Farense-FC Porto, 0-1

22.ª jornada da Primeira Liga

Estádio Algarve, em Faro/Loulé

Árbitro: Tiago Martins (AF Lisboa)

Farense: Ricardo Velho; Marco Moreno, Cláudio Falcão, Artur Jorge (Alex Bermejo, 81′); Pastor, Zé Carlos, Miguel Menino (Filipe Soares, 81′), Paulo Victor (Poloni, 81′); Rony Lopes, Marco Matias (Rui Costa, 71′) e Yusupha (Tomané, 71′)

Suplentes não utilizados: Kaique, Tomás Ribeiro, Lucas Áfrico e Darío Poveda

Treinador: Tozé Marreco

FC Porto: Diogo Costa; Zé Pedro, Nehuén Pérez, Otávio; Pepê (Vasco Sousa, 84′), André Franco (Eustáquio, 61′), Fábio Vieira, Francisco Moura; Rodrigo Mora (Alan Varela, 72′), Danny Namaso (João Mário, 61′) e Deniz Gül (Samu, 61′)

Suplentes não utilizados: Cláudio Ramos, Tiago Djaló, William Gomes e Gonçalo Borges

Treinador: Martín Anselmi

Golo: Francisco Moura (48′)

Ação disciplinar: cartão amarelo a Cláudio Falcão (47′), Artur Jorge (59′), Marco Moreno (63′), Yusupha (65′), Nehuén Pérez (69′) e João Mário (90+1′); cartão vermelho direto a Zé Carlos (90+8′)

O encontro começou quase “congelado” pelos emotivos momentos de homenagem a Pinto da Costa. Ainda houve um grande passe de Pepê para Fábio Vieira entrar na área mas não receber da melhor forma e uma boa diagonal de Deniz Gül da direita para o meio entretanto cortada mas o Farense conseguia encaixar na perfeição na forma de ataque organizado do FC Porto, a explorar sempre os corredores laterais para dar largura mas sem capitalizar movimentos interiores que poderiam fazer a diferença. Assim, e por estranho que pudesse parecer, a primeira meia hora foi dobrada sem uma única oportunidade, sem um único remate enquadrado e apenas uma tentativa que não saiu longe do alvo por Paulo Victor, que subiu pelo flanco esquerdo, fez o cruzamento em esforço e fez a bola passar perto da baliza de Diogo Costa (15′).

[Clique nas imagens para ver os melhores momentos do Farense-FC Porto em vídeo]

Martín Anselmi aproveitava qualquer paragem para chamar jogadores e corrigir posicionamentos mas nem assim as coisas melhoravam. Pior: percebia-se que não era tanto pelos jogadores que estavam em campo, que em muitos casos não têm sido titulares, mas por toda a dinâmica coletiva que era bloqueada sem grandes registos de perigo pelo Farense, que por sua vez tentava aproveitar as transições para colocar em sentido a linha defensiva dos azuis e brancos. Fábio Vieira ainda teve um livre direto descaído sobre a esquerda mas o remate saiu muito por cima e sem perigo (30′), naquela que poderia ter sido uma forma de ameaçar pelo menos o primeiro golo do jogo. O único motivo que fez levantar os adeptos portistas foi mesmo a chegada do minuto 42, aproveitado para recordar Pinto da Costa e o número de anos na liderança. Pelo décimo jogo consecutivo, o FC Porto voltava a chegar ao intervalo em branco (e sem uma única oportunidade).

Apesar da total passividade e monotonia, Martín Anselmi guardou as substituições para mais tarde, com a crença de que era possível inverter o rumo dos acontecimentos com as mesmas opções. Foi de bola parada mas acertou: Fábio Vieira marcou um livre lateral à direita de forma tensa e Francisco Moura desviou de cabeça ao primeiro poste sem hipóteses para Ricardo Velho, com os jogadores algarvios a ficarem a pedir falta no início do lance não atendida pelo VAR (48′). Os minutos seguintes mostraram que a única coisa que mudara no encontro tinha sido esse único e decisivo remate enquadrado com a baliza, o que fez com que o FC Porto não demorasse a mexer com as entradas de João Mário, Eustáquio e Samu de uma assentada (61′).

O FC Porto estava pela primeira vez em vantagem no Campeonato neste ano civil de 2025 mas, apesar de o Farense não ter feito muito para mudar o rumo do encontro, havia essa necessidade de ir gerindo da melhor forma o avanço. Em vantagem, os dragões tinham mais espaço para jogar; em desvantagem, os algarvios tinham mais metros para ganhar. O que aconteceu? O jogo continuou com poucos motivos de interesse, com Fábio Vieira a lutar contra a monotonia com um remate forte de fora da área de pé esquerdo que bateu no poste antes da recarga de Rodrigo Mora por cima (72′). Em tudo o resto, muita luta, vários passes errados e o domínio dos azuis e brancos que por pouco não foi contrariado… de bola parada: Falcão conseguiu aparecer ao primeiro poste sem oposição, desviou de cabeça mas Diogo Costa fez uma defesa monstruosa que não só evitou o empate aí como manteve a estabilidade dos azuis e brancos até ao final para a vitória (84′), num encontro marcado pela arrepiante lesão do jovem Vasco Sousa já no período de descontos da partida.

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