É a candidatura da continuidade e o candidato não tem receio na hora de o assumir. Laurentino Dias, antigo secretário de Estado do Desporto e da Juventude, apresentou esta quarta-feira a candidatura à presidência do Comité Olímpico de Portugal (COP) e não escondeu que um dos pilares do projeto é prolongar o legado de José Manuel Constantino.

“Em larga medida, sim. Temos muito orgulho no legado de José Manuel Constantino”, disse Laurentino Dias na apresentação da candidatura que leva o mote “Unidos pelo Olimpismo”, em plena sede do COP, na Ajuda. Na lista aos órgãos sociais, que só é totalmente revelada esta quinta-feira, incluem-se José Manuel Araújo, que foi secretário-geral do organismo durante 12 anos e abdicou de uma candidatura em nome próprio para apoiar Laurentino Dias como vice-presidente, e Nuno Laurentino, antigo nadador olímpico que é candidato a secretário-geral.

Candidatura de Laurentino Dias já tem o apoio de 14 federações olímpicas

Na cerimónia que durou pouco menos de duas horas, para além da porta-voz Cecília Carmo e do mandatário João Paulo Bessa, antigo selecionador de râguebi que também foi mandatário de todas as candidaturas de José Manuel Constantino, destacava-se o apoio de várias figuras do desporto nacional. Fernanda Ribeiro (que irá mesmo fazer parte da equipa em cenário de eleição), Fernando Mamede e Naide Gomes surgiam na primeira fila, enquanto que a ginasta Filipa Martins enviou um vídeo de apoio que foi transmitido antes dos discursos.

Na sala que estava totalmente lotada, sem que todas as cadeiras chegassem para todos os convidados, era de sublinhar ainda a presença de Jorge Vieira, antigo presidente da Federação Portuguesa de Atletismo que chegou a candidatar-se ao COP, mas acabou por desistir. E se é certo que a intenção de voto da Federação Portuguesa de Futebol ainda não é conhecida, a comparência de duas figuras na apresentação poderá dar algumas pistas: Joaquim Evangelista, que chegou a fazer parte da nova direção de Pedro Proença, e João Paulo Rebelo, também ele antigo secretário de Estado do Desporto e da Juventude que é agora vogal no organismo que regula o futebol português, fizeram questão de marcar presença.

O programa da candidatura de Laurentino Dias, que o antigo governante optou por não aprofundar no discurso, conta com seis eixos cruciais: governação, integridade e transparência; financiamento sustentável e incentivos ao desporto; desenvolvimento desportivo e alto rendimento; valorização e capacitação de atletas e treinadores; inclusão, solidariedade e apoio ao movimento desportivo; e comunicação, inovação e internacionalização.

Laurentino Dias e José Manuel Araújo em candidatura única à presidência do COP

“Os resultados só se conhecem no dia 19 de março à noite, creio eu, mas estou muito otimista e muito satisfeito com o apoio que temos recebido ao nosso projeto e à nossa candidatura. Felizmente, temos na nossa equipa um conjunto de pessoas que acompanharam José Manuel Constantino nos últimos 12 anos. Creio que não é novidade para ninguém e que todos reconhecem que imprimiu a esta casa uma qualidade e um nível de excelência que foi, até aqui, inigualável. O que queremos é ser capazes de continuar esse nível de excelência e introduzir alguma inovação”, explicou o antigo governante, que considerou “impossível” organizar os Jogos Olímpicos em Portugal.

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No discurso, Laurentino Dias deixou a vontade de executar de forma estratégica o investimento de 50 milhões de euros para os próximos quatro anos que foi contratualizado pelo COP em dezembro junto do Instituto Português para o Desporto e a Juventude, para além da intenção de manter uma relação positiva com o Governo liderado por Luís Montenegro, que diz ser “um amigo”.

“Aquilo que nos compete é transmitir as nossas ideias aos eleitores, federações olímpicas e não olímpicas e outros organismos. Transmitir as nossas ideias, mostrar as nossas equipas e esperar que, olhando para tudo isso, confiem em nós. De forma muito livre, muito espontânea, muito natural, muito normal. Nós conhecemos esta gente há muitos anos, sabemos que temos uma relação de confiança, de liberdade, de fraternidade. Não coloco nenhuma diferença entre os que estão nesta candidatura e os que estão na outra, isso não me preocupa”, acrescentou.

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Laurentino Dias tornou-se assim o terceiro nome a apresentar oficialmente a candidatura à presidência do Comité Olímpico de Portugal — depois de Fernando Gomes, até aqui presidente da Federação Portuguesa de Futebol, e Alexandre Mestre, também ele antigo secretário de Estado do Desporto e da Juventude. O prazo para a entrega oficial das candidaturas termina esta quinta-feira e as eleições estão marcadas para o próximo dia 19 de março.

O antigo secretário de Estado do Desporto e da Juventude já sabe que conta com o apoio de 14 federações olímpicas — natação, squash, andebol, ginástica, tiro com arco, tiro com armas de caça, ciclismo, voleibol, lutas amadoras, campismo e montanhismo, vela, surf, taekwondo e ténis de mesa — e 22 federações não olímpicas, como muay thai, desporto para pessoas com deficiência, orientação, motociclismo, motonáutica, corfebol, damas pesca desportiva e kickboxing, entre outras.

Nos últimos dias, Laurentino Dias começou oficialmente o discurso eleitoral e acusou Fernando Gomes de nunca ter sido uma presença habitual junto do Comité Olímpico de Portugal. “Nos últimos 12 anos, o COP convocou e convidou o presidente da FPF, que foi Fernando Gomes, para Assembleias-Gerais, Assembleias Plenárias e reuniões onde todos os presidentes das outras federações se juntaram para discutir orçamentos, problemas, planos, questões, dificuldades e soluções. E em 12 anos, Fernando Gomes não teve um dia que fosse para acompanhar os parceiros das outras federações e ajudar a puxar o COP para a frente”, disse recentemente o antigo secretário de Estado de José Sócrates, num encontro da candidatura em Vila Nova de Gaia.

No mesmo discurso, disse que ainda não sabe que candidato vai Pedro Proença, o novo presidente da FPF, apoiar — sendo que Fernando Gomes, na apresentação da candidatura, disse que espera contar com o voto do sucessor. “Tenho uma relação de amizade recíproca com Pedro Proença. Desejo-lhe o maior êxito no trabalho como presidente da FPF. Mas não quero apenas o voto da FPF porque o voto esgota-se no dia das eleições. Das 67 federações do país, a FPF é a maior. Desejo que a FPF dê um contributo válido e forte para que o COP ultrapasse os desafios que tenha pela frente. Espero que estejam presentes e acompanhem outras federações nos desafios que surjam. É esta mudança de atitude que espero que venha a acontecer sob a liderança de Pedro Proença”. Já esta quinta-feira, na apresentação da candidatura, saudou a presença de Pedro Proença na Assembleia-Geral que decorreu esta semana.

O atual presidente do Comité Olímpico de Portugal é Artur Lopes, antigo vice-presidente que assumiu a liderança do organismo depois da morte de José Manuel Constantino, em agosto, e que anunciou desde logo que não seria candidato às eleições. No ato eleitoral votam 85 membros da Assembleia plenária: 49 membros extraordinários, com direito a um voto cada, 36 membros ordinários, sendo que aí incluem-se dois elementos da Comissão de Atletas Olímpicos, que só têm direito a um voto, e 34 federações olímpica, cada uma com quatro votos (136). No total, existe um universo de 187 votos.