Depois da Federação Portuguesa de Futebol, o Comité Olímpico. No dia em que deveria terminar oficialmente a jornada de 13 anos como presidente do principal organismo do futebol português — a tomada de posse de Pedro Proença foi adiada para a próxima segunda-feira devido à morte de Pinto da Costa —, Fernando Gomes apresentou oficialmente a sua candidatura à liderança do COP, onde procura suceder a Artur Lopes, que assumiu a liderança depois da morte de José Manuel Constantino, em agosto, durante os Jogos Olímpicos de Paris.
FPF. Fernando Gomes despede-se como o mais bem sucedido presidente de sempre
Gomes, que completa 73 anos esta sexta-feira, concorre contra Alexandre Mestre e Laurentino Dias, antigos secretários de Estado do Desporto, nas eleições marcadas para 19 de março. Na sua lista destacam-se Ana Figueiredo, “reconhecida gestora com raízes profundas no desporto”, atual CEO da Altice Portugal, como mandatária e a antiga nadadora olímpica e atual presidente da Comissão de Atletas Olímpicos, Diana Gomes, para secretária-geral. As federações de judo, badminton, hóquei em campo, atletismo, basquetebol, canoagem, râguebi, ténis e triatlo já expressaram o seu apoio ao presidente cessante da FPF.
A apresentação oficial da candidatura decorreu esta terça-feira, na sede do COP, e contou a presença de diversas personalidades ilustres do desporto nacional, como Pedro Pauleta, Humberto Coelho, Fernando Mamede, Luís Sénica, presidente da Federação de Patinagem de Portugal, Domingos Castro, presidente da federação de atletismo, ou Francis Obikwelu, ex-atleta olímpico e vogal da mesma instituição. Com o mote “Saber fazer. Fazer vencer”, Fernando Gomes pretende que o COP seja uma “referência na integridade, inovação, sustentabilidade e inclusão”, bem como “um verdadeiro motor do desenvolvimento humano e desportivo”.
Fernando Gomes assume que mentalidade ganhadora é o maior legado que deixa na FPF
“O meu foco esteve sempre nos portugueses, desde a Liga de basquetebol à Liga de clubes, passando pela profunda transformação da FPF. Pensámos sempre primeiro nos atletas e nos portugueses que deles se orgulham. No COP este princípio continuará inabalável. Vivo e sinto as emoções do desporto e do olimpismo desde os anos em que fui praticante de basquetebol. Como sempre fiz, venho para agregar o valor de todos e é com todos que irei impulsionar Portugal e o movimento olímpico nacional no mundo”, garantiu Gomes, realçando que o seu foco estará nos atletas, caso seja eleito: “Juntos vamos criar um futuro onde os nossos atletas tenham as melhores condições para brilhar. Juntos vamos descobrir e ver crescer mais campeões olímpicos. Juntos vamos construir um futuro em que o COP seja um exemplo para o mundo olímpico”.
“Propomos a criação de sistemas de apoio centralizados que integrem as dimensões físicas, mental, social e educacional dos nossos atletas. Vamos fortalecer o sistemas das bolsas desportivas, tornando-o mais eficaz e simplificando-o. Planeamentos atribuir pelo menos 34 bolsas ao projeto Esperanças Olímpicas, aumentar em 30% o número de atletas apoiados por programas de transição profissional e reforçar os meios do gabinete de apoio ao atleta olímpico, para que este possa passar a fazer o acompanhamento dos atletas das modalidades não-olímpicas. Vamos fortalecer os canais de comunicação entre o COP, as federações, a Confederação do Desporto, o Comité Paralímpico, as entidades governamentais, as instituições de ensino e a rede autárquica. Queremos garantir uma gestão mais eficiente dos apoios a entregar a cada federação e a cada atleta e reafirmar a importância das informações como pilares da estrutura do desporto nacional”, acrescentou.
“Vamos trabalhar para construir a casa das federações, uma nova infraestrutura que permitirá a centralidade a todo o movimento olímpico e beneficiar, sobretudo, as federações mais pequenas com serviços partilhados. Vamos reconhecer e valorizar o trabalho do dirigente desportivo voluntário, cujo papel é essencial para a estruturação e crescimento das modalidades. O nosso compromisso é aumentar a influência de Portugal nos principais organismos globais, como o COI ou o Comité Olímpico Europeu, através do desenvolvimento. Queremos que o COP seja um reflexo do talento nacional e um protagonista nas decisões internacionais que moldam o desporto mundial. Queremos promover prática ambientais, económicas, sociais e inovadoras. A prioridade é o desenvolvimento de parcerias estratégicas junto do setor privado. Queremos aumentar o financiamento em pelo menos 15% até 2028″, revelou o candidato.
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Por fim, a lista de Fernando Gomes promete “fazer uma gestão consciente e responsável do financiamento proveniente das apostas desportivas, uma fonte de receita relevante e que importa preservar”. “Vamos promover e incentivar a utilização de energias renováveis, materiais recicláveis e práticas ecológicas em eventos e infra-estruturas. Adotaremos políticas que garantam iguais oportunidades para todos, independentemente do género, condição física ou contexto socio-económico. Queremos que pelo menos 40% dos cargos de liderança no desporto sejam ocupados por mulheres até 2030 e tudo faremos para aumentar em 50% a participação de pessoas com deficiência no desporto federado até 2028″, concluiu.
Já Diana Gomes, a secretária-geral da candidatura, sublinhou ser uma “honra e responsabilidade” integrar esta lista, que considera ser “um projeto sério, sólido, pensado para os atletas e com os atletas no centro de todas as decisões”. “É um projeto de transformação do próprio movimento olímpico. A visão de Fernando Gomes é mudar vidas e apoiar quem dá tudo por Portugal. Há muito para inovar, modernizar e apoiar. Fernando Gomes é o líder certo para essa transformação, preservando o legado de José Manuel Constantino. É uma oportunidade única para o movimento olímpico português. Uma pessoa com a sua credibilidade, visão e liderança irá motivar muitos patrocinadores. Vamos fazer esta mudança juntos, valorizar o desporto e dar aos atletas o futuro que eles merecem”, completou.
As eleições do COP vão acontecer dentro de um mês e, para se ser eleito presidente, uma candidatura precisa de ter a maioria absoluta dos votos válidos. Caso não aconteça, as eleições terão uma segunda volta com as duas candidaturas mais votadas. As federações olímpicas têm um maior peso na votação, com os seus representantes a possuírem quatro votos, contra um dos restantes votantes, o que perfaz, pelo menos, dois terços do total de votos. A Assembleia é constituída por 83 membros ordinários e extraordinários e, no total, existem 169 votos possíveis, pelo que são necessários 85 caso todos os membros participem no ato eleitoral. Para apresentar uma candidatura, os candidatos necessitam do apoio de, pelo menos, um quarto das federações olímpicos (oito ou nove).
Candidatura de Laurentino Dias já tem o apoio de 14 federações olímpicas
Laurentino Dias, que concorre com José Manuel Araújo, já garantiu os apoios das federações de andebol, campismo e montanhismo, ciclismo, ginástica, lutas amadoras, natação, squash, surf, taekwondo, ténis de mesa, tiro com arco, tiro com armas de caça, vela e voleibol, no que concerne às modalidades olímpicas. Relativamente às não olímpicas, conta com o apoio das federações de aeromodelismo, aeronáutica, arqueiros e besteiros, artes marciais chinesas, atividades subaquáticas, corfebol, damas, desporto para pessoas com deficiência, filatelia, jogos tradicionais, jujitsu, kickboxing e muay thai, lohan tao kempo, motociclismo, motonáutica, orientação, paraquedismo, padel, pesca de alto mar, pesca desportiva, petanca e voo livre.