O “aviso” estava lá. Naquela que está a ser a primeira grande semana de ciclismo em vários palcos, que teve início na Strade Bianche e ganhou prolongamento no Tirreno-Adriático e no Paris-Nice, João Almeida, que corre na prova francesa, apanhou um susto na parte final da segunda etapa quando uma queda levou a um inesperado corte no pelotão a menos de 20 quilómetros da meta e fez com que o português tivesse de gastar energia extra para recolar no grupo antes do segundo triunfo consecutivo de Tim Merlier. Agora, era tempo do contrarrelógio por equipas, primeiro momento de definição entre os principais favoritos. A UAE Emirates do português estaria sempre em desvantagem, ninguém poderia imaginar que fosse tão grande.

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“Espero que esteja na mesma forma do que na Volta ao Algarve. As coisas estão normais, estou entusiasmado para começar mais um Paris-Nice. Chave? Diria que as duas chegadas ao alto mas uma é muito curta. Em algumas etapas o vento também pode afetar a prova mas temos uma equipa forte e podemos ter ambições. A quarta etapa será realmente difícil, todos tentarão colocar um forte ritmo mas também precisamos pensar no contrarrelógio por equipas, onde podem ocorrer gaps de tempo e todos têm um plano. Bater Vingegaard? Para vencê-lo precisamos de um cenário dos sonhos mas isso é imprevisível”, salientara João Almeida na antecâmara do arranque da prova, quase “adivinhando” o que podia acontecer esta terça-feira.

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Ao contrário do que aconteceu por exemplo no arranque da Volta à Comunidade Valenciana, onde o conjunto onde pontifica também Tadej Pogacar (que fez e venceu de forma fantástica a Strade Bianche) terminou na terceira posição com melhor tempo do que os adversários diretos, a UAE Emirates teve um dia para esquecer a ponto de correr o risco de ficar fora do top 10 no final da terceira tirada. A par disso, a Visma esteve ainda melhor do que esperado, ganhando a etapa e colocando o norte-americano Matteo Jorgensen com a camisola amarela e Jonas Vingegaard como favorito reforçado ao triunfo no final da competição.

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Contas feitas, Jorgensen ficou com na liderança da classificação geral com seis segundos de vantagem sobre Jonas Vingegaard e 21 em relação a Michael Matthews e Ben O’Connor, da Jaylo. Aleksandr Vlasov, Florian Lipowitz (ambos da Bora, 31”), Mauro Schmid (Jaylo, 31”), Ben Zwiehoff (Bora, 34”), Mattias Skjelmose (Lidl-Trek, 36”) e Magnus Sheffield (Ineos, 38”) fecham agora o top 10, com João Almeida a ser o segundo melhor da UAE Emirates na 18.ª posição a 45 segundos de Jorgensen e a 39 segundos de Vingegaard.

O que muda agora? Tudo. Se as últimas duas etapas levarão a abordagens diferentes por parte de todos os corredores que perderam tempo, a quarta tirada desta quarta-feira, entre Vichy e La Loge des Gardes, terá uma UAE Emirates de João Almeida e Brendan McNulty a arriscar mais do que poderia ser esperado depois do modesto oitavo lugar no contrarrelógio por equipas que evidenciou um dia falhado no Paris-Nice.