Foi eleito em 2013, há 12 anos. Na altura, ao tornar-se presidente do Comité Olímpico Internacional, Thomas Bach tornou-se também o primeiro campeão olímpico a liderar o organismo — juntando o ouro na esgrima, em Montreal 1976, aos destinos da maior competição desportiva do mundo.
Agora, Thomas Bach está prestes a ceder o lugar. Depois de cumpridos os três mandatos consecutivos possíveis, dá um passo ao lado definitivo no próximo fim de semana, na 144.ª sessão do Comité Olímpico Internacional, em Pylos, na Grécia. Os candidatos à sucessão são sete, entre seis homens e uma mulher, e vêm de três continentes diferentes: o príncipe Faisal bin Hussein, da Jordânia; Kirsty Coventry, do Zimbabué; David Lappartient, de França; Juan Antonio Samaranch Salisachs, de Espanha; Morinari Watanabe, do Japão; Johan Eliasch, do Reino Unido; e Sebastian Coe, também do Reino Unido.
In a wide-ranging, exclusive exit interview with @cnnsport's @AmandaDCNN, outgoing IOC President Thomas Bach talks Trump, trans athletes, Putin and the role of the Olympics in a divided world.
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— CNN International PR (@cnnipr) March 18, 2025
Com o derradeiro mandato a terminar e depois de 12 anos que incluíram três edições dos Jogos Olímpicos e três edições dos Jogos Olímpicos de inverno, Thomas Bach decidiu dar uma rara entrevista onde abordou os temas mais polémicos da sua liderança: desde o escândalo de doping na Rússia, a pandemia de Covid-19 e a participação de atletas transgénero em competições internacionais.
Logo à partida, e apesar de defender que os Jogos Olímpicos não enfrentam qualquer “desafio existencial ou problema”, o alemão parece deixar um recado ao sucessor. “O desporto tem de ser politicamente neutro, caso contrário nunca poderemos completar a nossa missão de unir o mundo inteiro”, atirou na conversa com a CNN, muito dominada pela dimensão política dos Jogos Olímpicos e pelo momento indefinido que a geopolítica mundial atravessa.
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“Vimos como tudo funcionou na perfeição em Paris, onde tivemos atletas de todos os territórios dos 206 Comités Olímpicos Nacionais, mais a Equipa Olímpica de Refugiados, a unirem-se, a viver em conjunto na Aldeia Olímpica, a viver em conjunto e em paz. Tivemos atletas da Rússia, da Ucrânia, da Palestina, de Israel… Todas as demasiadas guerras e crises do mundo em conjunto, a viver em conjunto, a fazer um apelo à paz em conjunto e a competir pacificamente e de acordo com as regras, sem qualquer incidente”, sublinhou.
Apesar de ter procurado fugir às questões sobre os Jogos Olímpicos de Los Angeles de 2028 e a forma como Donald Trump poderá ter influência na organização, Thomas Bach não teve grandes pruridos na hora de criticar o presidente dos Estados Unidos pela onda de ódio criada em torno de Imane Khelif, pugilista argelina que conquistou a medalha de ouro nos Jogos de Paris.
“É um fenómeno do nosso mundo. O que é que as redes sociais fazem nestes casos? Tivemos todo o tipo de pessoas de todos os cantos do mundo a saltar para este assunto sem terem uma ideia sobre nada”, defendeu, recordando que Donald Trump sugeriu sempre que Imane Khelif era transgénero. “A impressão que foi dada foi sempre essa. Ela não é transgénero. Nasceu mulher, cresceu mulher, sempre competiu como mulher. Perdeu combates, ganhou combates. E até competiu em Tóquio sem qualquer alarido”, recordou o ainda presidente do Comité Olímpico Internacional.
Mais à frente, na entrevista à CNN, Thomas Bach abordou ainda a relação pessoal que mantinha com Vladimir Putin — e que era muito positiva na altura dos Jogos Olímpicos de inverno de Sochi, de 2014, mas que rapidamente azedou depois do escândalo de doping que explodiu cinco meses após a competição. “A relação foi piorando e piorando e depois da invasão da Ucrânia tivemos mesmo de tomar medidas. E agora estamos numa situação em que na Rússia chamam-me nazi. Acho que isso resume tudo”, revelou o alemão de 71 anos.
Apesar disso, o Comité Olímpico Internacional foi muito criticado por, apesar de ter aplicado sanções severas à Rússia devido ao doping e à invasão da Ucrânia, ter continuado a permitir a participação de atletas russos nos Jogos Olímpicos — sem a bandeira do país, sem o hino nacional e de forma exclusivamente individual. Para Thomas Bach, porém, a decisão nem sequer foi muito complexa.
“Já tivemos muitos Comités Olímpicos Nacionais suspensos e os atletas sempre participaram sob a bandeira olímpica ou outras bandeiras. Aplicámos a mesma lógica aos atletas russos em ambas as situações. Isto não é sobre a Rússia, é sobre os atletas. Todos os que cumprem as regras têm o direito de estar nos Jogos Olímpicos, ponto final”, terminou.