O investigador espanhol Francisco Marco afirma ter provas irrefutáveis da identidade de Banksy, conforme revela em entrevista ao El Mundo. O diretor da Método 3, uma conhecida agência de investigação privada espanhola, acredita que o artista é, na verdade, um britânico de 51 anos chamado Robin Gunningham.

Não é a primeira vez que o nome do britânico, residente em Bristol, é associado a Banksy. Em 2008 o Daily Mail já avançava a identidade de Robin Gunningham, publicando inclusive a única fotografia conhecida do artista, tirada quatro anos antes na Jamaica. Além disso, numa entrevista de 2003 que só foi tornada pública em 2023, Banksy revelou o seu nome verdadeiro. Perguntado pelo antigo editor de arte da BBC, Nigel Wrench, se poderia usar o nome “Robert Banks”, que já tinha sido publicado pelo The Independent anteriormente, o artista respondeu: “É Robbie”.

“Provas irrefutáveis”

Entretanto, o investigador espanhol acredita ter provas irrefutáveis para confirmar a identidade de Banksy. De acordo com Francisco Marco, a investigação começou como uma aposta com os filhos. “A primeira evidência foi quando descobri a criação de um domínio informático de Banksy, L3ANSKY.COM, no ano de 2009, registado no nome de Robin Gunningham”, diz o investigador. Para provar que descobriu mesmo a identidade do artista, Francisco Marco inclui no relatório muitos documentos pessoais, além de várias obras originais de Banksy fotografadas em propriedades diretamente ligadas a Gunningham — como é o caso de Flying Copper ou Kate Moss, perto de casas onde o britânico residia sob o seu nome legal ou pseudónimo.

A história do homem que Francisco Marco acredita ser Banksy também coincide em muitos momentos com a do artista misterioso. Nascido em Bristol a 28 de julho de 1973, estudou na Cathedral School, onde já era reconhecido pelos colegas como “um artista habilidoso que rapidamente se encantou pela moda dos sprays de aerosol”. A produção artística de Robin Gunningham na altura eram obras satíricas, com inclinações políticas cultura pop.

“Gunningham desapareceu do mundo do grafite quando começou a crescer profissionalmente. Primeiro, chamava-se Robert Banks, depois deixou de existir e, então, Banksy apareceu. Gunningham nunca disse nada, nem negou nem confirmou que é Banksy; ele está a jogar um jogo de enganação”, afirma Francisco Marco. “No início, ele não queria ser identificado porque precisava fugir da polícia, já que o que está a fazer é ilegal, e depois porque esse mistério o tornou famoso e agora faz parte de sua narrativa como autor. Agora, ele simplesmente não quer ser incomodado. Prova disso é a sua casa fortemente protegida, cheia de câmaras, um bunker em uma pequena cidade a 30 quilómetros de Bristol.”

Fortuna de 50 milhões e “vida de classe média”

Francisco Marco alega também que o britânico terá uma fortuna de cerca de 50 milhões de euros, e que tem estratégias para garantir o seu anonimato, como deixar os seus ativos sob pseudónimos. Um deles é, na verdade, o nome real do cantor David Bowie. “O pseudónimo David Jones surgiu como parte de uma estratégia para preservar o anonimato do artista. Essa mudança se refletiu na associação de empresas em que se estabeleceu que Gunningham figurava como Pessoa com Controlo Significativo, ou seja, como acionista final do grupo empresarial”, diz o investigador. O artista também usará outros nomes emprestados, como Samuel Newbury.

Gunningham casou-se com a companheira de toda a vida, a ativista Joy Charlotte Millward, em Las Vegas em 2006. Os dois terão uma filha de cinco anos e, de acordo com o investigador, vivem “uma vida de classe média” e fazem doações para a comunidade, além de envolverem-se em festivais de música e no pub da cidade — que tem uma decoração inspirada no estilo de Banksy e leva os nomes de alguns artistas que podem ter trabalhado para ele.

O investigador espanhol acredita que todas as obras de Banksy são desenhos originais e que ele trabalha sozinho, contudo também defende que o artista precisa de uma equipa que contribua nas suas instalações e no gerenciamento da marca. “Inicialmente, o fotógrafo Steve Lazarides desempenhou um papel fundamental como o seu primeiro agente e distribuidor, promovendo as suas primeiras exposições e consolidando a sua presença no mundo da arte urbana, embora já se tenham distanciado. Posteriormente, Simon Durban estabeleceu-se como contabilista e administrador-chefe, coordenando a gestão financeira e a estruturação das empresas ligadas a Banksy. Paralelamente, Holly Jane Cushing desempenhou funções operacionais essenciais, garantindo a administração adequada das diversas entidades que geriam a autenticidade da obra do artista. Um exemplo que sempre se manteve consistente, no entanto, é Mark Howard Stephens, o advogado que defendeu e gerenciou os direitos autorais e a proteção legal da marca”, diz Francisco Marco, que afirma ainda que todos os colaboradores assinam acordos de confidencialidade para poder trabalhar com Banksy.

No início de março um quadro raro de Banksy, “Crude Oil (Vettriano)”, foi vendido por 4,3 milhões de libras, o equivalente a 5,14 milhões de euros num leilão da Sotheby’s. “Crude Oil (Vettriano)”. A pintura pertencia a Mark Hoppus, baixista da banda blink-182, que comprou o quadro em 2011 e quis vender a obra para doar a instituições de caridade nos EUA.