No final podia dar empate, a derrota por um golo teve tudo menos sabor a desaire. Depois de um arranque de jogo atípico e com os dois guarda-redes a encherem as balizas, o Sporting cedeu em França, chegou a ter uma desvantagem de cinco golos na segunda parte mas saiu de Nantes quase em empate técnico para a segunda mão dos quartos da Liga dos Campeões de andebol com um 28-27 que deixava tudo em aberto para aqueles 60 minutos que poderiam ser históricos para os leões e para Portugal perante um Pavilhão João Rocha há muito com os 3.000 lugares esgotados para um dos encontros mais importantes de sempre.

“Estamos todos unidos para o que aí vem. É o jogo de uma vida, o jogo mais importante da história do andebol do Sporting. Estamos a um passo de ir à Final Four da Liga dos Campeões mas estamos tranquilos, temos de estar positivos e de nos preparar da melhor maneira. Saímos de França vivos, que era o mais importante, e agora temos de agarrar a oportunidade e de não a deixar fugir. Vai ser preciso darmos muito mais do que demos em Nantes. Todas as vitórias tiveram quota-parte dos nossos adeptos, que nos ajudaram imenso. Sentimos o apoio dos adeptos franceses ao Nantes mas os nossos são melhores, são diferentes. Batem mais do que palmas, vivem muito mais o jogo, cantam. Por isso, não lhes peço para virem, porque sei que eles vêm e que estarão presentes, mas peço-lhes que não desistam”, apontara Francisco Costa, o mais novo da equipa verde e branca que teve uma recuperação fantástica após problema num joelho.

“São uma das melhores equipas do mundo, a primeira linha joga toda na seleção francesa. São 13 grandes jogadores, que sabem todos jogar muito bem uns com os outros e têm o melhor pivô do mundo [Nicolas Tournat] mas nós também somos bons, temos dos melhores jogadores do mundo e em nossa casa temos de dar a volta ao resultado. É um golo, não é nada. Vamos estar preparados para fazer face às adversidades que nos vão colocar e temos de ganhar. Sabemos que em casa do adversário é sempre mais difícil mas aguentámos. Teremos de defender muito bem como fizemos em Nantes”, acrescentara o lateral direito.

Estava em jogo a cereja no topo do bolo de mais uma temporada fantástica para o andebol português, com um inédito quarto lugar no Campeonato do Mundo de seleções a ter de seguida grandes participações de FC Porto e Benfica na Liga Europeia e agora a possibilidade de um apuramento histórico de uma equipa para a Final Four da Champions num contexto favorável para o Sporting, que somava 20 vitórias e um empate em 21 encontros no João Rocha entre triunfos contra Veszprém, PSG, Fusche Berlim ou Wisla Plock. Contudo, não dava para mais: num jogo onde chegou a estar virtualmente apurado no arranque da segunda parte, os leões sofreram a primeira derrota caseira e falharam a presença no top 4 da competição.

Cedo o ambiente efervescente que “abafava” os muitos adeptos franceses presentes se começou a sentir mas com a ansiedade a ser um adversário extra para os leões, que com três ataques seguidos falharam viram os visitantes começarem a partida na frente nos minutos iniciais (1-3). Só a partir daí os ânimos serenaram, com a defesa agressiva e mais subida a dar frutos para a primeira vantagem verde e branca em mais uma saída rápida concluída por Francisco Costa. O equilíbrio mantinha-se, com a rotação da primeira linha do Sporting no ataque a chegar aos 20 minutos quando nenhuma das formações conseguia mais do que um golo de avanço. Quando um falhava, o outro falhava. Quando um marcava, o outro marcava. Só mesmo Ivan Pesic “desvirtuou” essa lógica, com 38% de eficácia na baliza a conferir o 16-15 para o Nantes ao intervalo.

Faltava um clique para o Pavilhão João Rocha acreditar ainda mais que era possível chegar a novo triunfo histórico e Mohamed Ali conseguiu essa faísca necessária com um par de defesas a permitir que o Sporting não só passasse para a frente como chegasse mesmo a vantagens de dois golos que davam a passagem. No entanto, o Nantes conseguiu manter-se sempre ligado à partida e ao resultado, aproveitando algumas falhas ofensivas dos leões para voltar à liderança do marcador e a partir daí gerir da melhor forma o avanço que nem com uma defesa subida a arriscar tudo da equipa de Ricardo Costa foi desfeita até ao 30-32 final.