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Ativistas climáticos invadem palco da IL e atiram pó verde a Rui Rocha. Partido vai fazer queixa

Este artigo tem mais de 1 ano

Dois jovens do movimento Fim ao Fóssil invadiram palco de espaço em Lisboa mostrando cartaz que fala em "espécie extinta". Rocha foi atingido pelo pó mas continuou a discursar.

Rui Rocha foi o mais recente alvo de dois ativistas climáticos, ainda por identificar, que invadiram na tarde deste domingo ao palco onde discursava e atiraram pó verde contra o presidente da Iniciativa Liberal, que acabou a discursar sujo e sem blazer.

Passavam apenas breves momentos desde que Rocha iniciara o discurso no comício da IL, em Lisboa, contando um pouco da sua infância e percurso pessoal, quando duas pessoas subiram ao palco, surpreendendo o líder dos liberais e a audiência. Foi ali que começaram por mostrar um cartaz onde se lia “a nossa espécie vai ser extinta, energia fóssil até 2030”, interrompendo Rocha, que falou por uns segundos com os dois longe do microfone.

Apesar de a conversa parecer estar a decorrer em tom calmo, enquanto conversava com os jovens o líder da IL acabou mesmo por ser atingido com pó verde, que lhe sujou o fato, a camisa, boa parte da cara e até as folhas do discurso que estava a ler. Foi só nessa altura que dois elementos do partido retiraram os dois jovens do palco e que Rui Rocha prosseguiu o discurso, despindo o blazer e dizendo-se pela “liberdade”. Os seguranças do espaço Lisboa ao Vivo acabaram por retirar os ativistas do espaço.

LUSA

“Já tive muito mais contrariedades na vida”, disparou, com a audiência a aplaudi-lo e encorajá-lo — fez o discurso e no fim ainda vestiu uma t-shirt da IL por cima, tapando parte do pó verde.

O Observador apurou que o partido vai apresentar queixa, estando ainda a tentar identificar os dois jovens. Na campanha para as últimas legislativas, Luís Montenegro foi atingido pela mão de Vicente Fernandes, ativista da Greve Climática Estudantil, e também apresentou queixa, tendo o jovem sido condenado já em março deste ano por dois crimes de dano.

Entretanto, nas redes sociais, a IL confirmou que — ao contrário de Luís Montenegro — Rui Rocha não vai pedir indemnização pelo fato. A ideia é leiloá-lo e fazer reverter o valor recebido para a Associação Acreditar.

O movimento Fim ao Fóssil emitiu um comunicado em que confirma que interrompeu o comício — e que um dos ativistas era menor e tinha 16 anos — para questionar o candidato às legislativas sobre se comprometia com o fim ao fóssil até 2030. “Ao afirmar que não, os estudantes cobriram Rui Rocha com pó verde de Carnaval”, referem. Uma versão que o partido desmente, assegurando que Rocha disse apenas que falariam num momento posterior.

Citada no comunicado, Jéssica Silva, estudante de Medicina e porta voz do movimento, sublinha que “nem a IL, nem nenhum partido neste momento tem um plano realista para combater a crise climática”. “Porque representantes políticos que condenam os seus jovens não têm qualquer legitimidade”, acrescenta.

Rocha distingue-se de Montenegro e diz que IL é partido “de governação”

Com tinta na cara e na camisa (já depois de tirar o blazer), Rocha prosseguiu lembrando como os pais vieram de Angola e perderam quase tudo; contou a história da mãe, professora, e o pai, vendedor de carpetes e tapetes, e de como foi sempre bom aluno exceto nos primeiros dois anos de faculdade “em que as coisas não correram assim tão bem” (mas deram a volta e foi o melhor do curso, acrescentou); contou que a mulher, Adélia, queria ser professora e fazia um grande esforço para estar com os filhos. Enquanto seguia “o seu sonho”, Rocha era “pai e mãe de crianças e adolescentes”.

Tudo com uma moral, especialmente para marcar o contraste com Luís Montenegro e o caso Spinumviva, numa altura em que a IL garante que se integrar um Governo lhe trará mais “integridade”. “Não há uma empresa em que tenha trabalhado em que alguém me conhecesse antes. Fui sempre escolhido pelo meu mérito”. Cresceu sempre pelo seu trabalho, competência, rigor e integridade, foi assegurando. “Nunca tive nenhum benefício. O meu caminho não é o das jotas, das cumplicidades ou dos interesses”, nem da “carteira de contactos”.

“Os caminhos não são iguais: o meu é de crescer pelo meu trabalho e lutar pelos meus filhos. Não somos todos iguais”. Daí, partiu para falar da pergunta que os jornalistas lhe fazem “diariamente”: o day after das eleições e a relação com o PSD, o mesmo que é liderado por Montenegro.

Para ser “transparente”, disse, é preciso lembrar o que a IL não é: não é um partido de protesto, até porque isso seria um desperdício; “somos um partido irreverente, ambicioso, mas não de protesto porque a nossa capacidade e rigor exige muito mais de nós. Quem não sabe fazer mais nada que fique a protestar”.

Mas também não são um partido que vai governar “para fazer mais do mesmo”, frisou. “O que somos, espero que fique claro, é um partido de governação para mudar Portugal. É agora!”. Se for para “mudar” e trazer “mais integridade”, a IL terá coragem e puxará “os outros todos” consigo, assegurou. Ou seja, disponibilidade para um acordo e para trazer novidade a uma governação de direita, mas sempre sem se confundir com o PSD de Montenegro.

Já momentos antes a líder parlamentar e candidata presidencial do partido, Mariana Leitão, tinha feito um discurso a alertar para os perigos do voto útil. “O único voto útil é o voto por convicção”, defendeu, pedindo às pessoas que não votem por medo.

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