Era a jornada decisiva para reabrir a luta pelo título, foi a jornada que praticamente decidiu a luta pelo título. Quando o Sporting jogava no Pavilhão da Luz frente ao Benfica, num encontro que chegou ao intervalo com apenas um golo de diferença e muito equilíbrio, o FC Porto sonhou que era possível algo mais do que jogar pelo impossível no Pavilhão João Rocha contra os leões na última ronda. Afinal, tudo mudou. E mudou a dois níveis: a formação verde e branca bateu o rival de forma clara por 37-29 e, de seguida, os dragões tiveram um deslize em casa diante do Marítimo (ou Madeira SAD, conforme o hábito). Com esse empate inesperado a 27, tudo poderia ficar fechado este sábado, que assinalava o regresso depois da paragem para a Seleção.

O cérebro de Magnus fez derrubar a muralha: FC Porto vence Benfica na Luz com golo a acabar e volta a apanhar Sporting na liderança

“As expectativas são ganhar, que é ao que obriga o ADN do FC Porto. É isso que esperamos fazer, ganhar o jogo. O Benfica é um dos três grandes, uma equipa que dá sempre luta e com certeza não vai ser diferente. Vêm cá para lutar e tentar ganhar o jogo. A nossa principal arma é a defesa. Temos que estar bem na defesa, coordenarmo-nos bem para protegermos a baliza e o resto dependerá disso. Faltam duas jornadas, lamentavelmente, não dependemos de nós. Compete-nos, ainda assim, ganhar estes dois jogos que faltam para acabar o Campeonato e depois ver o que acontece. Estamos bem psicologicamente e vamos tentar ganhar estes dois jogos. Ainda temos uma Taça de Portugal para ganhar e tenho certeza de que vamos dar tudo para trazer esse troféu para o Porto”, apontara Daymaro Salina, quase “assumindo” a perda do título.

“Vamos disputar uma partida que já não vai alterar nada na nossa classificação porque matematicamente já sabemos que ficaremos em terceiro lugar. Contudo, temos sempre de defender a camisola do Benfica e dar o máximo. Neste momento, temos muitos lesionados e nem sequer conseguimos completar os 16 jogadores usando atletas das nossas camadas jovens. Esperamos ser competitivos, dar o nosso melhor e, apesar das dificuldades, vencer. Nos últimos jogos contra o FC Porto estivemos muito equilibrados mas cada partida é diferente, esta é ainda mais difícil do que as anteriores. A chave pode estar na nossa defesa. Se jogarmos bem na defesa, sempre poderemos permanecer no jogo”, salientara o técnico Jota González.

FC Porto e Benfica partiam para a nova temporada com a ambição de lutarem pelo título mas chegavam à penúltima jornada com poucas ambições ou objetivos pela frente que não fosse a defesa da honra, tendo em conta que os encarnados tinham a posição fechada e que os azuis e brancos teriam não só de ganhar como esperar que o Sporting perdesse no Funchal contra o Marítimo (18h30), o que abriria a possibilidade de um clássico decisivo na próxima ronda no Pavilhão João Rocha. Esta época, os lisboetas até começaram melhor, com um triunfo no clássico da meia-final da Supertaça, mas depois disso os dragões ganharam os três jogos disputados no Campeonato. Agora, apesar da resistência, não foi diferente e não houve três sem quatro.

O jogo começou com uma cadência anormal de golos, perante a clara superioridade dos ataques face às duas defesas 6:0 que colocou o resultado em 3-3 com apenas três minutos e meio jogados. O equilíbrio era a nota dominante até que os encarnados chegaram ao 8-6, altura em que Magnus Andersson parou o jogo. Queria mais rendimento defensivo, perdeu até poder de fogo na frente: o Benfica continuou a fazer uma exibição irrepreensível, chegou aos quatro golos de diferença (11-7) e nem mesmo nova paragem técnica impediu que o resultado atingisse os sete golos (18-11). O FC Porto tinha um longo caminho para fazer se quisesse ainda lutar pelo triunfo e pelo título, sendo que metade desse objetivo foi alcançado ainda antes do intervalo, com uma defesa mais agressiva que fechou a baliza e colocou a diferença em 20-17 no descanso.

Na segunda parte, tudo o que se podia pensar na teoria acabou por não comprovar-se na prática. Numa fase inicial, quando se esperava que o FC Porto entrasse com tudo para chegar ao empate ou à vantagem, foi o Benfica a controlar da melhor forma os momentos do encontro e a voltar a vantagens de cinco golos (28-23) depois da aproximação dos dragões (23-22). De seguida, e quando se pensava que o conjunto encarnado tinha tudo na mão para sair da Invicta com a vitória, os azuis e brancos voltaram a melhorar na defesa, os erros sucederam-se e um parcial de 10-1 com a diferença em 30-25 acabou por confirmar a reviravolta, que deixa agora tudo em aberto para aquilo que o Sporting conseguirá fazer esta tarde na Madeira (37-34).