Mais de 100 relíquias que pertenceram ou estão relacionadas com Napoleão Bonaparte vão a leilão esta quarta-feira, 25 de junho, em Paris. A coleção, reunida ao longo de 40 anos pelo empresário e figura da televisão francesa Pierre-Jean Chalençon, inclui peças de mobiliário da era imperial, porcelanas, esculturas, chapéus, roupas, pinturas, desenhos, documentos históricos e retratos do imperador desde os primeiros anos da sua carreira militar, passando pela coroação em Notre Dame, até momentos da vida privada e do exílio na ilha de Santa Helena.
Um trono imperial de 1805 com um N bordado, um chapéu bicorne clássico, um conjunto de roupas que inclui meias e ceroulas, o primeiro testamento escrito no exílio e até os papéis do divórcio de Joséphine de Beauharnais, são alguns dos itens curiosos que fazem parte da coleção, que, de acordo com a Sotheby’s, é a mais importante dedicada a Napoleão Bonaparte que já foi a leilão. Com a venda espera-se arrecadar, ao todo, mais de sete milhões de euros. “Não são apenas peças de museu, são fragmentos de uma vida que mudou a história mundial”, disse Louis-Xavier Joseph, especialista em mobiliário da casa de leilões, citado pela Associated Press. “Pode-se, literalmente, segurar uma parte do mundo de Napoleão com as mãos”.
▲ O chapéu bicorne e o primeiro testamento de Napoleão são dos itens mais caros à venda
Sotheby's
O chapéu no estilo clássico de Napoleão é o item mais caro da coleção, apesar de algumas peças não terem valor estimado revelado. Atribuído ao designer de chapéus do imperador, Poupard, acredita-se que terá sido oferecido por Napoleão ao General Mouton na Batalha de Essling, em 1809. É uma venda inédita, já que até ser doado ao atual colecionador, o chapéu permaneceu na família Mouton. O valor estimado é entre 500 e 800 mil euros. “Coloque um bicorne numa mesa e as pessoas pensam imediatamente em Napoleão. É como a coroa de louros de Julio César”, diz Joseph. Em 2023 um chapéu usado pelo imperador francês foi vendido por quase 2 milhões de euros apesar da estimativa de 800 mil euros.
Entretanto, o leilão inclui também documentos da vida íntima de Napoleão, como o primeiro testamento, escrito à mão em 1814 no exílio na ilha de Santa Helena, e assinado com “Nap” — pelo qual se espera conseguir entre 300 e 500 mil euros. Mas a primeira peça na lista das mais valiosas é mesmo o trono vermelho com a letra N bordada em dourado, que o colecionador Chalençon diz ser idêntico ao exemplar que está no Museu do Louvre, em Paris. Estima-se que tenha feito parte do império entre 1805 e 1815, fazendo parte, portanto, do lote premium do leilão. O valor não foi tornado público.