Catorze dias depois do funeral do rei Harald da Noruega, o país e a coroa despediram-se da princesa Astrid, que morreu apenas dois dias depois do irmão e antigo monarca, aos 94 anos. A princesa foi esta terça-feira sepultada na Igreja de Ris, em Oslo, onde decorreu a cerimónia fúnebre a que assistiu o atual soberano, Haakon VIII, e a família mais próxima de Astrid, como os cinco filhos: Cathrine, Benedikte, Alexander, Elisabeth e Carl-Christian Ferner.

Sem o alto perfil, e o número de convidados, que as exéquias de Harald V convocaram, não deixou de contar com alguns tributos esperados. Desde logo, a rainha Sonja, a Rainha Mette-Marit, e a princesa herdeira Ingrid — o príncipe Sverre Magnus, que começou a nova etapa de estudos recentemente em Lisboa, foi um dos ausentes. (tal como Marius Borg, que depois da exposição no funeral de Harald V se recolheu dos olhares públicos).

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A princesa herdeira Victoria representou a casa real sueca, enquanto os príncipes Laurent e Astrid da Bélgica também marcaram presença na capital norueguesa, tal como a irmã de Haakon, a princesa Martha-Louise e o marido, Durek Verrett.

Na sua mensagem de condolências, o atual monarca destacou o papel da tia junto dos mais frágeis, e como essa dedicação foi cultivada dentro e fora do clã real. “No seu trabalho, a princesa Astrid preocupou-se particularmente com o cuidado e a inclusão dos mais vulneráveis da sociedade. Ela era muito leal e cumpriu sempre os seus deveres com dedicação, presença e um espírito contagiante. A tia Astrid foi um importante apoio para o rei Harald e para o resto da família. Aprendemos muito com ela e ela não tinha medo de se expressar. A sua morte é uma grande perda para nós. Sentiremos muita saudade dela.”

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Em representação do Governo, o Ministro das Finanças, Jens Stoltenberg, destacou no seu discurso o longo serviço prestado pela princesa à Noruega e como o seu pai, Thorvald Stoltenberg, enquanto presidente da Federação Russa por ocasião do nascimento de Astrid, ajudou a organizar uma “celebração real russa”. Na hora do último adeus, a casa real norueguesa sublinhou ainda como Astrid auxiliou três reis ao longo da sua longa vida ao serviço do país e da coroa: o seu avô, o rei Haakon VII, o seu pai, o rei Olav V, e o seu irmão mais novo, o rei Harald V. “Astrid cuidava de Harald”, frisou ainda Stoltenberg.

© Casa Real Norueguesa

Com a urna coberta pela bandeira do país, a cerimónia começou com o tema Pie Jesu, interpretado por Sølvguttene e Sissel Kyrkjebø, que também acompanharam a cerimónia mais tarde, explica a Casa Real em comunicado oficial divulgado pelo palácio. O pároco Paul Erik Wirgenes oficiou a cerimónia juntamente com a bispa de Oslo, Sunniva Gylver.

No final da cerimónia, o caixão foi carregado pelo Rei Haakon e representantes da família imediata da princesa. À frente da urna, caminhavam a bispa Gylver e um jovem guarda, que foi o motorista da princesa Astrid nos últimos meses.

epaselect epa13231764 FILE - File picture dated 27 May 2025 of Princess Astrid at the opening of the second part of the exhibition "At the King's Table - from tableware to contemporary ceramics" in the Queen Sonja KunstStall. NNorway's Princess Astrid, the older sister of the late King Harald, has died at the age of 94, the palace announced 11 September 2026. EPA/Stian Lysberg Solum NORWAY OUT Stian Lysberg Solum/EPA

A princesa Astrid em 2025, numa das suas imagens mais icónicas, na sua cadeira de rodas e sempre com a fiel companhia ao colo

Durante 14 anos, de 1954 a 1968, Astrid foi a primeira-dama da Noruega, tendo desempenhado funções oficiais até ao fim do seu mandato. Detinha doze patronatos e seguiu os passos das famílias Sanitetskvinnen e Dissimilis durante várias décadas.

Em 1956, foi nomeada para a Ordem de Santo Olavo pelo Rei Haakon VII, e a Grã-Cruz da princesa foi colocada na frente da urna durante o funeral na Igreja de Ris. Pela sua longevidade, nota ainda o palácio, a princesa Astrid também foi a única a usar três pregadeiras com retratos – do Rei Haakon VII, do Rei Olavo e do Rei Harald.

© Casa Real Norueguesa

Também no plano pessoal a vida da princesa deu que falar. Quando encontrou o homem com quem queria compartilhar a vida, o divorciado Johan Martin Ferner, defendeu a sua escolha, contrariando todas as oposições. “A princesa assumiu a liderança na questão da escolha de parceiros de vida da família real”., assinala ainda a casa real, sobre um ponto importante no seio da coroa moderna.