Poucas horas depois de ser conhecido que Luís Montenegro optou por não reconduzir Dalila Rodrigues como ministra da Cultura no novo Governo, Aida Tavares, diretora artística para as Artes Performativas e Pensamento do CCB, diz ter sido despedida do cargo no Centro Cultural de Belém.
A informação é confirmada ao Observador por Aida Tavares, que fala numa demissão com “significado político”, feita “à 25ª hora da senhora ministra”. “Hoje às 17h da tarde tive um telefonema do Nuno Vassalo e da Madalena Reis para me informar que queriam abrir uma call para a direção artística”, diz a este jornal. “Dizem-me que o lugar tem de ser legitimado”, acrescenta, notando que o seu contrato é de quatro anos e que, por isso, “terá de haver lugar a uma indemnização”. “Ainda vão gastar dinheiro ao CCB”, atira.
A notícia, avançada inicialmente pelo jornal Expresso, fazia saber que a diretora artística para as Artes Performativas e Pensamento do CCB havia sido despedida a pedido da então governante. No entanto, em declarações à Rádio Observador, Dalila Rodrigues nega veemente as acusações. “Essa notícia é falsa e certamente inventada pela pessoa que se vitimiza”, assegura. “Não tenho qualquer responsabilidade nesta matéria e gostaria de desmentir de forma veemente esta notícia que é absolutamente difamatória. Eu nunca interferi nos organismos e fundações com subvenção pública do Estado”, reitera. “Porque o faria neste dia que é um dia tão derradeiro no exercício das minhas funções? Assistimos a uma tentativa de construção de uma narrativa de que eu tenho mau feitio, que faço perseguições, que fiz demissões. Quero desmentir com veemência essas tentativas de construção de uma imagem que não me corresponde”, remata. “É mentira que tenha dado qualquer indicação”, “criaram uma ficção”.
Já Nuno Vassallo e Silva, presidente da Fundação CCB, nomeado por Dalila Rodrigues depois da polémica exoneração de Francisca Carneiro Fernandes, diz ao jornal Público que Tavares “não foi despedida nem afastada”. “O que lhe dissemos foi que íamos abrir um concurso internacional para o lugar que ela ocupa para o legitimar, para o tornar transparente”, acrescenta.
Um dos principais pontos de discórdia entre a ministra da Cultura e a administração do CCB era precisamente a nomeação de Aida Tavares como diretora artística, um cargo que até então não existia. Nas suas várias intervenções no Parlamento, ao qual foi chamada a pronunciar-se sobre o tema, Dalila Rodrigues deixou claro que considerava que a nomeação de Aida Tavares não foi transparente e que deveria ter havido um concurso para o cargo.
A diretora artística para as Artes Performativas e Pensamento do CCB é, assim, afastada no último dia do mandato da agora ex-ministra da Cultura.
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