Três anos, quinta operação de mercado em que está envolvido, muito provavelmente um “travão” naquilo que tem sido o vai-vem de Francisco Conceição desde que se conseguiu afirmar no FC Porto. Os dragões já estavam há muito em negociações com a Juventus para a venda do ala à Vecchia Signora mas acabou por ser o “tempo” a desbloquear de vez todo o negócio: a poucas horas do fim da cláusula de 30 milhões de euros, e também a poucas horas da subida do valor para 45 milhões, houve finalmente acordo entre todas as partes e com uma participação importante do jogador por ser parte duplamente interessada no negócio.
Depois de ser vendido ao Ajax por cinco milhões de euros no verão de 2022, o extremo regressou através de um empréstimo ao Dragão apenas um ano depois e o FC Porto ativou a cláusula de opção obrigatória de 10,5 milhões de euros que estava dependente de alguns objetivos desportivos, nomeadamente a participação em mais de 25 encontros oficiais com 45 ou mais minutos de utilização. Aí, quando assinou um novo contrato com os azuis e brancos, Francisco Conceição ficou com 20% de uma futura transferência, algo que se soube apenas através do Relatório e Contas da SAD e que gerou várias críticas entre os adeptos portistas.
Quando assumiu a liderança do FC Porto, André Villas-Boas falou com o jogador e ambos chegaram à ideia de que o melhor para todas as partes seria uma nova cedência do internacional português, até pela ligação forte que tinha ao pai, Sérgio Conceição, e à opção do seu antigo número 2, Vítor Bruno, para assumir o comando dos dragões. Foi aí que a Juventus surgiu, pagando sete milhões de euros por uma temporada de empréstimo mais três milhões de variáveis que foram concretizados com a qualificação da Juventus para a Liga dos Campeões. No entanto, os italianos não tinham qualquer cláusula de opção pelo jogador.
Foi isso que fez com as negociações começassem na “estaca zero”, com a Juventus a fazer chegar pelo menos duas propostas que foram recusadas pelo FC Porto – a última colocava em cima da mesa 22 milhões de euros fixos mais cinco milhões em objetivos variáveis. Também a olhar para o que necessita para atacar o mercado, os dragões nunca quiseram baixar a fasquia dos 30 milhões. O que mudou na operação conduzida nas últimas horas por Jorge Mendes? A abertura para o dinheiro não ser pago na totalidade mas não só, numa operação que foi fechada esta terça-feira mas que só nas próximas horas será oficialmente confirmada, faltando apenas agora a assinatura de Francisco Conceição no documento em que prescinde da “sua” parte.
Perante a abertura de Francisco Conceição para abdicar dos seis milhões de euros a que teria direito (os tais 20%), o FC Porto anuiu a que a Juventus não efetivasse a cláusula de rescisão mas pudesse liquidar esses 30 milhões em três/quatro tranches diferentes, permitindo em termos financeiros que os italianos tivessem a liquidez para assegurar o internacional português. Com essa base de acordo, tudo acelerou para que o acordo fosse assinado ainda durante o dia, cumprindo a janela temporal com a cláusula ainda nos 30 milhões mas com um acréscimo de dois milhões relacionados com a operação de factoring. Já Francisco liberta-se de vez da ligação que tinha ao FC Porto, assinando agora contrato válido por cinco temporadas pela Vecchia Signora depois de um 2024/25 com sete golos e quatro assistências em 40 jogos.