Na passada segunda-feira, 14 de julho, a Loro Piana, marca de luxo do grupo LVMH especialista em caxemira, foi colocada sob administração judicial devido a uma investigação relacionada com a exploração de trabalhadores, que começou em 2023, de acordo com o documento a que a Reuters teve acesso. A empresa será monitorada por um ano, podendo a supervisão encerrar antes se for constatado que está a cumprir com as exigências legais.
Em maio a polícia italiana prendeu o dono de uma fábrica no subúrbio de Milão. O empresário chinês foi denunciado por um dos trabalhadores, que o acusou de agressão, causando lesões que resultaram num tratamento de 45 dias. A vítima também alega que o patrão tem uma dívida de 10 mil euros em salários não pagos. Durante a investigação, a polícia encontrou na confeção 10 trabalhadores, incluindo cinco imigrantes ilegais, a trabalharem em situação de exploração. Seriam forçados a cumprir 90 horas por semana, sem folgas, eram pagos 4 euros à hora e dormiam em quartos improvisados dentro da fábrica. Entre os produtos produzidos no local estavam casacos de caxemira Loro Piana.
De acordo com a justiça italiana, a marca subcontratava a produção através de duas empresas que não tinham capacidade de produção e que, então, contratavam as fábricas chinesas dentro de Itália. Tanto os donos das empresas de contratação como as subcontratadas estão sob investigação criminal pela exploração de trabalhadores e a contratação de pessoas de forma ilegal. Entretanto, a Loro Piana não enfrenta investigação criminal.
Num comunicado, a marca de luxo defende-se ao afirmar que foi o seu fornecedor a subcontratar as fábricas suspeitas sem o seu consentimento e que já cessou os contratos assim que soube da investigação, em maio. “Estamos a rever constantemente e continuaremos a fortalecer, controlar e auditar as nossas atividades para garantir que estejam de acordo com os padrões éticos e de qualidade em toda a cadeia de produção”, diz ainda o comunicado.
A Loro Piana é desde 2013 uma marca da LVMH, dona de outras etiquetas de luxo como a Louis Vuitton ou a Dior, sendo que 80% do capital pertence ao conglomerado e 20% à família fundadora. Desde junho o CEO da empresa é Frederic Anault, filho de Bernard Arnault, CEO do grupo. Em 2024 uma subsidiária que produzia malas para a Dior também foi colocada sob administração judicial pelo mesmo motivo, assim como aconteceu com outras marcas de luxo como a Valentino, a Armani e a Alviero Martini.